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Sanção de Trump a Moraes pode "sair pela culatra”, diz The Economist

Segundo revista, a medida pode acabar fortalecendo o discurso político do presidente Lula contra Bolsonaro e seus aliados

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Alexandre de Moraes e Donald Trump | Divulgação/Fellipe Sampaio/STF e Reuters/Kent Nishimura

A revista britânica The Economist publicou nesta quinta-feira (1º) um editorial em que critica a decisão do governo Trump de impor sanções ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

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De acordo com a publicação, a medida pode acabar fortalecendo o discurso político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e seus aliados e, por isso, gerar efeitos opostos aos desejados pelos norte-americanos.

Para a revista, ao sancionar um magistrado de um país com regime democrático estável, os Estados Unidos correm o risco de deslegitimar sua própria política externa de defesa dos direitos humanos.

"A nova aplicação da Lei Magnitsky pode sair pela culatra", diz o texto.

Ineditismo e comparação com casos extremos

A Economist destaca que a legislação norte-americana já foi usada contra generais genocidas de Mianmar e autoridades russas envolvidas em assassinatos, e questiona o enquadramento de Moraes como violador de direitos humanos.

"O ministro brasileiro não fez nada que se aproxime disso", afirma o editorial, ao lembrar que sua atuação está relacionada a investigações sobre Bolsonaro, aliado político de Donald Trump.

Democracia e legalidade

A revista reforça que Moraes age dentro do que permite a Constituição brasileira, e que suas decisões estão respaldadas por um vácuo legislativo no país, especialmente em relação à regulamentação das redes sociais. Para a publicação, punir um juiz atuante em uma democracia funcional é um passo sem precedentes por parte dos EUA.

"Aqueles que criticam a atuação de Moraes contra Bolsonaro parecem ignorar as evidências presentes na acusação", afirma o texto, ao mencionar o julgamento do ex-presidente por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.

Reação política no Brasil

Na avaliação da Economist, a medida pode acabar servindo de munição para o governo brasileiro reforçar a narrativa de que Bolsonaro e seus aliados agiram contra a democracia.

O editorial afirma ainda que Moraes não se intimidou com a sanção imposta. Como exemplo, a revista menciona que no mesmo dia em que as sanções foram anunciadas, o ministro foi assistir a uma partida de futebol de seu time, o Corinthians, em São Paulo.

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