Porta-voz de Milei minimiza desgaste em relação com Brasil
Representante da Casa Rosada afirma que 'sempre houve insultos de ambos os lados'
Duda Ventura
O porta-voz da Casa Rosada, Adrian Ravier, minimizou nesta terça-feira (28) a crise diplomática entre Brasil e Argentina, provocada pela recente troca de farpas entre o presidente argentino, Javier Milei, e autoridades brasileiras. Segundo ele, os ataques refletem divergências políticas e ideológicas entre os governos, mas não devem comprometer a relação entre os dois países.
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"Sempre houve insultos dos dois lados. Acho que são diferenças ideológicas, diferenças políticas, mas, pelo menos, a Argentina nunca levou essas divergências para o plano diplomático", afirmou Ravier, em entrevista coletiva.
O porta-voz disse que o governo argentino não pretende deixar que o atrito pessoal entre os dois presidentes prejudique a cooperação bilateral entre o que chamou de "povos irmãos".
"Não acreditamos que isso vá impactar a relação diplomática entre os dois países, pelo menos da parte argentina", declarou.
Ravier também associou a proximidade entre Milei e a família Bolsonaro a afinidades ideológicas, descrevendo os dois lados como aliados de um "movimento que busca promover ideias pró-mercado" — em contraste, segundo ele, com Lula, que "se opõe a essas ideias".
O atrito diplomático se intensificou após a visita de Milei ao Brasil no último fim de semana. Durante a convenção nacional do PL, em São Paulo, o presidente argentino chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de "lixo", em referência à decisão do ministro que impediu uma visita de Milei ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar.
Em entrevista posterior à imprensa argentina, Milei voltou a atacar o governo brasileiro. Chamou Lula de "ex-presidiário" e afirmou, sem apresentar provas, que o governo do Brasil financiou uma campanha internacional contra sua gestão desde a campanha eleitoral de 2023.
As declarações provocaram reações em Brasília. O Itamaraty convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos, e o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, também foi chamado para consultas.
O ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, chamou Milei de "palhaço", e o ministro da Secretaria-Geral da República Guilherme Boulos classificou o presidente argentino como uma "caricatura patética" e "puxa-saco" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Questionado sobre os ataques, o presidente Lula respondeu apenas, com ironia: "Quem é esse cara?". Nos bastidores, integrantes do Ministério das Relações Exteriores avaliam que o Brasil deve “deixar a poeira baixar” para evitar ampliar o desgaste entre os países.
Porta-voz de Milei minimiza desgaste em relação com BrasilRepresentante da Casa Rosada afirma que 'sempre houve insultos de ambos os lados'Mundo2026-07-28T19:55:13.704ZO porta-voz da Casa Rosada, Adrian Ravier, minimizou nesta terça-feira (28) a crise diplomática entre Brasil e Argentina, provocada pela recente troca de farpas entre o presidente argentino, Javier Milei, e autoridades brasileiras. Segundo ele, os ataques refletem divergências políticas e ideológicas entre os governos, mas não devem comprometer a relação entre os dois países. "Sempre houve insultos dos dois lados. Acho que são diferenças ideológicas, diferenças políticas, mas, pelo menos, a Argentina nunca levou essas divergências para o plano diplomático", afirmou Ravier, em entrevista coletiva. O porta-voz disse que o governo argentino não pretende deixar que o atrito pessoal entre os dois presidentes prejudique a cooperação bilateral entre o que chamou de "povos irmãos". "Não acreditamos que isso vá impactar a relação diplomática entre os dois países, pelo menos da parte argentina", declarou. Ravier também associou a proximidade entre Milei e a família Bolsonaro a afinidades ideológicas, descrevendo os dois lados como aliados de um "movimento que busca promover ideias pró-mercado" — em contraste, segundo ele, com Lula, que "se opõe a essas ideias". O atrito diplomático se intensificou após a visita de Milei ao Brasil no último fim de semana. Durante a convenção nacional do PL, em São Paulo, o presidente argentino chamou o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de "lixo", em referência à decisão do ministro que impediu uma visita de Milei ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar. Em entrevista posterior à imprensa argentina, Milei voltou a atacar o governo brasileiro. Chamou Lula de "ex-presidiário" e afirmou, sem apresentar provas, que o governo do Brasil financiou uma campanha internacional contra sua gestão desde a campanha eleitoral de 2023. As declarações provocaram reações em Brasília. O Itamaraty convocou o embaixador da Argentina no Brasil, Daniel Raimondi, para prestar esclarecimentos, e o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, também foi chamado para consultas. O ministro da Fazenda em exercício, Dario Durigan, chamou Milei de "palhaço", e o ministro da Secretaria-Geral da República Guilherme Boulos classificou o presidente argentino como uma "caricatura patética" e "puxa-saco" do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Questionado sobre os ataques, o presidente Lula respondeu apenas, com ironia: "Quem é esse cara?". Nos bastidores, integrantes do Ministério das Relações Exteriores avaliam que o Brasil deve “deixar a poeira baixar” para evitar ampliar o desgaste entre os países.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/porta-voz-de-milei-minimiza-desgaste-em-relacao-com-brasil
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