Pentágono demite 3 profissionais de jornal militar
Funcionários do Stars and Stripes haviam defendido a independência editorial do veículo e criticado possíveis interferências do Departamento de Defesa
SBT News
Pentágono, sede do Departamento de Defesa dos EUA, em Washington, em 24 de abril de 2025 | Foto: Alexander Kubitza/Departamento de Defesa dos EUA
O Pentágono demitiu nesta sexta-feira (21) três profissionais do "Stars and Stripes", tradicional jornal voltado às Forças Armadas dos Estados Unidos: o editor-chefe Erik Slavin, o publisher Max Lederer e a repórter Lara Korte. O veículo é parcialmente financiado pelo Departamento de Defesa, mas mantém historicamente independência editorial.
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Slavin afirmou à Associated Press (AP) que foi demitido por "insubordinação" após participar de uma entrevista à emissora "CBS News" em que se posicionou contra uma eventual censura do conteúdo publicado pelo "Stars and Stripes". Segundo ele, o aviso de desligamento cita como motivo uma declaração em que afirmou que a censura de notícias destinadas a militares representaria uma "linha vermelha".
O editor-chefe do "Stars and Stripes" disse que mantém a posição de que o jornal deve permanecer editorialmente independente. Na entrevista à "CBS", Slavin havia sustentado que não aceitaria, por exemplo, ser instruído pelo Pentágono a substituir uma reportagem correta por um texto produzido pelo próprio departamento.
A repórter Lara Korte, responsável pela cobertura do Oriente Médio, também participou da entrevista e foi notificada sobre sua demissão. Ela ressaltou que trabalha para o "Stars and Stripes", e não para o Pentágono, para um governo específico ou para autoridades responsáveis pela formulação de políticas públicas.
Max Lederer, que estava no jornal havia três décadas e ocupava o cargo de publisher desde 2007, também recebeu um aviso de desligamento. Ele já havia anunciado nesta semana que se aposentaria no fim de setembro, citando diferenças entre sua visão sobre a missão do jornal e os planos da atual liderança do Departamento de Defesa.
A saída de Lederer ocorre semanas depois de o Pentágono nomear o capitão da Marinha William Urban como vice-publisher militar do jornal sem que, segundo a AP, o então publisher tivesse sido previamente informado. Três senadores democratas chegaram a enviar uma carta ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, pedindo explicações sobre a nomeação.
As mudanças acontecem em meio a uma disputa sobre os rumos editoriais do "Stars and Stripes". A gestão de Hegseth tem defendido uma reformulação do veículo e já afirmou que pretende afastar o conteúdo do que classifica como "distrações woke" e ampliar o foco em assuntos diretamente ligados às Forças Armadas.
Em abril, o Pentágono também demitiu Jacqueline Smith, ombudsman responsável por ajudar a preservar a independência editorial do "Stars and Stripes". Fundado durante a Guerra Civil Americana, o jornal atende militares dos EUA e suas famílias e mantém edições impressas distribuídas a tropas no exterior.
Pentágono demite 3 profissionais de jornal militarFuncionários do Stars and Stripes haviam defendido a independência editorial do veículo e criticado possíveis interferências do Departamento de DefesaMundo2026-08-22T04:07:29.241ZO Pentágono demitiu nesta sexta-feira (21) três profissionais do "Stars and Stripes", tradicional jornal voltado às Forças Armadas dos Estados Unidos: o editor-chefe Erik Slavin, o publisher Max Lederer e a repórter Lara Korte. O veículo é parcialmente financiado pelo Departamento de Defesa, mas mantém historicamente independência editorial. Slavin afirmou à Associated Press (AP) que foi demitido por "insubordinação" após participar de uma entrevista à emissora "CBS News" em que se posicionou contra uma eventual censura do conteúdo publicado pelo "Stars and Stripes". Segundo ele, o aviso de desligamento cita como motivo uma declaração em que afirmou que a censura de notícias destinadas a militares representaria uma "linha vermelha". O editor-chefe do "Stars and Stripes" disse que mantém a posição de que o jornal deve permanecer editorialmente independente. Na entrevista à "CBS", Slavin havia sustentado que não aceitaria, por exemplo, ser instruído pelo Pentágono a substituir uma reportagem correta por um texto produzido pelo próprio departamento. A repórter Lara Korte, responsável pela cobertura do Oriente Médio, também participou da entrevista e foi notificada sobre sua demissão. Ela ressaltou que trabalha para o "Stars and Stripes", e não para o Pentágono, para um governo específico ou para autoridades responsáveis pela formulação de políticas públicas. Max Lederer, que estava no jornal havia três décadas e ocupava o cargo de publisher desde 2007, também recebeu um aviso de desligamento. Ele já havia anunciado nesta semana que se aposentaria no fim de setembro, citando diferenças entre sua visão sobre a missão do jornal e os planos da atual liderança do Departamento de Defesa. A saída de Lederer ocorre semanas depois de o Pentágono nomear o capitão da Marinha William Urban como vice-publisher militar do jornal sem que, segundo a AP, o então publisher tivesse sido previamente informado. Três senadores democratas chegaram a enviar uma carta ao secretário de Defesa, Pete Hegseth, pedindo explicações sobre a nomeação. As mudanças acontecem em meio a uma disputa sobre os rumos editoriais do "Stars and Stripes". A gestão de Hegseth tem defendido uma reformulação do veículo e já afirmou que pretende afastar o conteúdo do que classifica como "distrações woke" e ampliar o foco em assuntos diretamente ligados às Forças Armadas. Em abril, o Pentágono também demitiu Jacqueline Smith, ombudsman responsável por ajudar a preservar a independência editorial do "Stars and Stripes". Fundado durante a Guerra Civil Americana, o jornal atende militares dos EUA e suas famílias e mantém edições impressas distribuídas a tropas no exterior. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/pentagono-demite-3-profissionais-de-jornal-militar
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