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Milei diz que Malvinas são "causa nacional" da Argentina

Presidente da Argentina afirma que princípio de autodeterminação dos povos, defendido pelos britânicos, não se aplica ao caso

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Duda Ventura
Presidente da Argentina, Javier Milei. | Foto: Divulgação/Presidência da Argentina

Presidente da Argentina, Javier Milei. | Foto: Divulgação/Presidência da Argentina

O presidente argentino Javier Milei usou o discurso na Assembleia Geral das Nações Unidas desta quarta-feira (23) para voltar a colocar os holofotes sobre a disputa contra o Reino Unido pelas Ilhas Malvinas.

Milei afirmou que a Casa Rosada escolheu uma estratégia de defesa “pacífica, prática e eficaz” de soberania sobre o arquipélago e sustentou que a autodeterminação dos povos não se aplica às Malvinas. Isso porque, para Milei, o princípio foi criado para permitir a libertação de povos colonizados e não deveria, na visão argentina, ser utilizado para legitimar uma situação originada pela colonização.

“Apesar dos 80 anos que se passaram desde a criação desta organização, situações coloniais como esta continuam sem ser resolvidas. Por isso, convidamos o Reino Unido a retomar as negociações bilaterais.”
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Segundo o presidente, a população que vive nas ilhas foi “implantada pela potência ocupante” em um território cuja soberania permanece em disputa. Milei também questionou a posição britânica sobre o tema.

Na terça-feira (22), o primeiro-ministro britânico Andy Burnham afirmou, em reunião com o presidente americano Donald Trump, que se manteria firme diante de quaisquer ameaças às ilhas.

Milei também questionou a exploração de petróleo na região. O presidente citou o projeto “Sea Lion”, que prevê atividades de exploração de hidrocarbonetos na Bacia Norte das Malvinas, e afirmou que as licenças concedidas pelo Reino Unido são consideradas ilegais e ilegítimas pelo governo argentino.

Milei lembrou ainda uma resolução da Assembleia Geral da ONU, adotada há 50 anos, que recomendava que Argentina e Reino Unido evitassem mudanças unilaterais na situação enquanto a disputa de soberania permanecesse sem solução. Para o presidente argentino, a continuidade de atividades britânicas na região demonstra uma diferença entre as resoluções aprovadas pelas instituições internacionais e a capacidade de fazê-las cumprir.

A Argentina e o Reino Unido mantêm posições opostas sobre a soberania das Malvinas, que são administradas pelo Reino Unido e reivindicadas pela Argentina. A disputa levou à Guerra das Malvinas, em 1982, mas os dois países não retomaram o conflito militar desde então.

A inteligência artificial também foi tema de destaque no discurso. Milei criticou a ideia de que o Estado deveria assumir o controle da inteligência artificial e alertou para o risco de que a regulação limite o desenvolvimento de novas tecnologias.

Milei relacionou esse argumento a uma preocupação histórica com restrições às liberdades em nome da proteção da sociedade. Ele afirmou que, ao longo da história, o medo de novas ameaças foi utilizado como justificativa para limitar liberdades. No caso da inteligência artificial, o presidente defendeu que o debate sobre riscos não deve resultar em mecanismos que impeçam a inovação.

“Onde muitos veem uma ameaça, nós vemos uma fronteira. A inteligência artificial, ou a superinteligência, como diz o presidente Donald Trump, pode multiplicar nossa produtividade em ordens de magnitude que ainda não compreendemos. (...) Isso exige prudência, sim, mas prudência não significa medo. E mais: o medo, sob nenhum ponto de vista, deveria se transformar automaticamente em obediência.”

Antes de discursar na Assembleia, o presidente argentino se reuniu com o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio. Nas redes sociais, o americano publicou: “Foi bom encontrar o presidente da Argentina, Javier Milei, hoje em Nova York. Nossa relação bilateral é forte, e nosso hemisfério está mais seguro graças à nossa estreita cooperação em energia, minerais críticos e questões agrícolas.”

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