“Me arrependo de ter reagido mal”, diz argentina ré por racismo ao voltar ao país
Agostina Páez conseguiu habeas corpus e vai responder ao processo em liberdade na Argentina

Antonio Souza
A turista argentina Agostina Páez, ré por injúria racial contra funcionários de um bar no Rio de Janeiro, deixou o Brasil nesta quarta-feira (1) após conseguir um habeas corpus e pagar fiança para responder em liberdade à acusação de racismo. Ela estava impedida de sair do país desde o início do ano.
Ao desembarcar em Buenos Aires, ela foi recebida por jornalistas onde afirmou estar arrependida pela situação.
“Foi um calvário… um verdadeiro calvário. Mas essa pesadelo acabou. Me arrependo de ter reagido mal. Apesar do contexto e de tudo, me arrependo da forma como reagi. Mas agora estou aqui, me sinto mais segura", disse Agostina.
Com a decisão, a turista pôde voltar para o seu país de origem, mas terá que cumprir algumas medidas, como o pagamento de 60 salários mínimos como caução e manter seus endereços e contatos atualizados
Mesmo fora do Brasil, o processo segue na Justiça. Em caso de condenação, há a possibilidade de substituição da pena por medidas alternativas. Entre elas estão prestação de serviços comunitários e participação em cursos na área de direitos humanos.
A própria advogada afirmou que pretende realizar esse tipo de atividade de forma voluntária.
O caso
O caso aconteceu em janeiro deste ano. Agostina Paez foi flagrada cometendo um ato racista contra funcionários de um bar em Ipanema, zona sul do Rio.
Segundo a investigação, houve um desentendimento entre Agostina e suas amigas e um funcionário do bar, por causa de um suposto erro no pagamento. Ao sair do local, a argentina chamou o funcionário de "mono" ("macaco") e fez gestos imitando o animal. Ela também disse “negros de m*rda”, referindo-se aos outros trabalhadores.
A cena foi registrada em vídeo. As imagens foram gravadas pela própria vítima e mostram o momento do insulto racial. Em um dos vídeos, é possível ver que uma das amigas tenta impedir a argentina de continuar com os gestos racistas.









