Mais de 100 cães são achados mortos em santuário nos EUA
Animais foram encontrados enterrados em valas comuns de abrigo "sem eutanásia" na Califórnia; muitos tinham ferimentos de bala, segundo investigação policial
Giovanna Colossi
29/06/2026, 13:42 • Atualizado em 29/06/2026, 13:42
compartilhar
Santuário animal nos EUA acusado de maus-tratos e fraude | Reprodução/Google Maps
Pelo menos 117 cães mortos foram encontrados enterrados nas dependências de um abrigo de animais que se apresentava como "no kill" (sem eutanásia), no norte da Califórnia, nos Estados Unidos. Segundo investigadores, muitos dos animais apresentavam ferimentos provocados por disparos de arma de fogo. O caso é investigado como suspeita de maus-tratos contra animais e fraude.
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
A descoberta ocorreu durante uma operação de busca realizada pelo Gabinete do Xerife do Condado de Humboldt no Miranda's Rescue Animal Sanctuary, localizado na cidade de Fortuna, na Califórnia.
De acordo com as autoridades, o mandado de busca autorizava a inspeção do terreno e das edificações ligadas ao abrigo e ao seu responsável, Shannon Miranda. A autorização também permitia a escavação de áreas onde havia suspeitas de que cães estivessem enterrados em valas comuns.
Durante a operação, foram encontrados 117 corpos de cães preservados em dois locais distintos. Em outro ponto próximo, as equipes localizaram ainda 21 crânios de cães, centenas de ossos e seis microchips soltos.
Segundo o Gabinete do Xerife, os animais estavam em diferentes estágios de decomposição. Ao menos 70 deles passaram por exames de raio X ainda no local, e muitos apresentavam fragmentos de projéteis de arma de fogo. A maioria dos cães possuía microchip, que agora será analisado para tentar identificar os animais.
Veterinários forenses e especialistas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também examinaram esses 70 cães. A avaliação preliminar aponta que muitos morreram em consequência de ferimentos causados por tiros. Os outros 47 corpos não puderam ser analisados na cena devido à limitação de tempo, mas foram recolhidos para exames posteriores.
Os agentes também localizaram, dentro de um celeiro da propriedade, um espaço que acreditam ter sido utilizado para a morte dos animais. No local foram encontradas mais de 600 coleiras de cachorro.
Em nota, o xerife William Honsal afirmou que a investigação "está apenas começando" e destacou que ainda há uma grande quantidade de evidências para ser analisada, além de testemunhas que precisarão ser ouvidas. Segundo ele, caso as provas confirmem crimes de maus-tratos contra animais, fraude ou outras infrações, o caso será encaminhado ao Ministério Público para eventual apresentação de acusações criminais.
O que significa um abrigo "no-kill"?
O Miranda's Rescue Animal Sanctuary se apresentava como um abrigo "no-kill", expressão usada nos Estados Unidos para designar organizações que se comprometem a não praticar eutanásia de animais saudáveis ou que possam ser tratados e adotados.
Nos Estados Unidos, o sistema de proteção animal é diferente do brasileiro. Existem abrigos classificados como "open-admission", que recebem todos os animais encaminhados e, em algumas situações previstas pelas leis locais, podem recorrer à eutanásia quando os animais apresentam doenças sem possibilidade de tratamento, comportamento considerado perigoso ou quando não há capacidade para mantê-los. Já os chamados "no-kill" ou santuários têm como princípio preservar a vida dos animais e evitar a eutanásia, salvo em casos de sofrimento irreversível indicado por veterinários.
No Brasil, o cenário é diferente. A legislação e a jurisprudência vedam a eutanásia como método de controle populacional ou por falta de espaço em abrigos. A prática só é admitida em situações excepcionais, como quando há recomendação veterinária diante de doença incurável, sofrimento irreversível ou riscos sanitários previstos em normas específicas.
Responsável nega irregularidades
Antes da descoberta dos cães enterrados, quando a investigação já estava em andamento, Shannon Miranda divulgou um comunicado dirigido à comunidade do Condado de Humboldt.
Na mensagem, ele afirmou que muitas das acusações divulgadas pela imprensa e nas redes sociais "não eram verdadeiras" e pediu que a população aguardasse o desfecho do processo legal.
"Cuidei de milhares de animais e dediquei 31 anos da minha vida ao trabalho de resgate. Pretendo me defender de forma firme e continuar desempenhando esse importante trabalho", escreveu. Shannon acrescentou que, por orientação de seus advogados, não faria novos comentários sobre o caso.
As investigações continuam, e até o momento não houve anúncio de acusações criminais formais relacionadas à descoberta dos animais mortos.
Mais de 100 cães são achados mortos em santuário nos EUAAnimais foram encontrados enterrados em valas comuns de abrigo "sem eutanásia" na Califórnia; muitos tinham ferimentos de bala, segundo investigação policialMundo2026-06-29T13:42:06.531ZPelo menos 117 cães mortos foram encontrados enterrados nas dependências de um abrigo de animais que se apresentava como "no kill" (sem eutanásia), no norte da Califórnia, nos Estados Unidos. Segundo investigadores, muitos dos animais apresentavam ferimentos provocados por disparos de arma de fogo. O caso é investigado como suspeita de maus-tratos contra animais e fraude. A descoberta ocorreu durante uma operação de busca realizada pelo Gabinete do Xerife do Condado de Humboldt no Miranda's Rescue Animal Sanctuary, localizado na cidade de Fortuna, na Califórnia. De acordo com as autoridades, o mandado de busca autorizava a inspeção do terreno e das edificações ligadas ao abrigo e ao seu responsável, Shannon Miranda. A autorização também permitia a escavação de áreas onde havia suspeitas de que cães estivessem enterrados em valas comuns. Durante a operação, foram encontrados 117 corpos de cães preservados em dois locais distintos. Em outro ponto próximo, as equipes localizaram ainda 21 crânios de cães, centenas de ossos e seis microchips soltos. , os animais estavam em diferentes estágios de decomposição. Ao menos 70 deles passaram por exames de raio X ainda no local, e muitos apresentavam fragmentos de projéteis de arma de fogo. A maioria dos cães possuía microchip, que agora será analisado para tentar identificar os animais. Veterinários forenses e especialistas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) também examinaram esses 70 cães. A avaliação preliminar aponta que muitos morreram em consequência de ferimentos causados por tiros. Os outros 47 corpos não puderam ser analisados na cena devido à limitação de tempo, mas foram recolhidos para exames posteriores. Os agentes também localizaram, dentro de um celeiro da propriedade, um espaço que acreditam ter sido utilizado para a morte dos animais. No local foram encontradas mais de 600 coleiras de cachorro. Em nota, o xerife William Honsal afirmou que a investigação "está apenas começando" e destacou que ainda há uma grande quantidade de evidências para ser analisada, além de testemunhas que precisarão ser ouvidas. Segundo ele, caso as provas confirmem crimes de maus-tratos contra animais, fraude ou outras infrações, o caso será encaminhado ao Ministério Público para eventual apresentação de acusações criminais. O que significa um abrigo "no-kill"? O Miranda's Rescue Animal Sanctuary se apresentava como um abrigo "no-kill", expressão usada nos Estados Unidos para designar organizações que se comprometem a não praticar eutanásia de animais saudáveis ou que possam ser tratados e adotados. Nos Estados Unidos, o sistema de proteção animal é diferente do brasileiro. Existem abrigos classificados como "open-admission", que recebem todos os animais encaminhados e, em algumas situações previstas pelas leis locais, podem recorrer à eutanásia quando os animais apresentam doenças sem possibilidade de tratamento, comportamento considerado perigoso ou quando não há capacidade para mantê-los. Já os chamados "no-kill" ou santuários têm como princípio preservar a vida dos animais e evitar a eutanásia, salvo em casos de sofrimento irreversível indicado por veterinários. No Brasil, o cenário é diferente. A legislação e a jurisprudência vedam a eutanásia como método de controle populacional ou por falta de espaço em abrigos. A prática só é admitida em situações excepcionais, como quando há recomendação veterinária diante de doença incurável, sofrimento irreversível ou riscos sanitários previstos em normas específicas. Responsável nega irregularidades Antes da descoberta dos cães enterrados, quando a investigação já estava em andamento, Shannon Miranda divulgou um comunicado dirigido à comunidade do Condado de Humboldt. Na mensagem, ele afirmou que muitas das acusações divulgadas pela imprensa e nas redes sociais "não eram verdadeiras" e pediu que a população aguardasse o desfecho do processo legal. "Cuidei de milhares de animais e dediquei 31 anos da minha vida ao trabalho de resgate. Pretendo me defender de forma firme e continuar desempenhando esse importante trabalho", escreveu. Shannon acrescentou que, por orientação de seus advogados, não faria novos comentários sobre o caso. As investigações continuam, e até o momento não houve anúncio de acusações criminais formais relacionadas à descoberta dos animais mortos.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/mundo/mais-de-100-caes-sao-achados-mortos-em-santuario-nos-eua
Venezuelana resgatada com bebê relata horas sob escombros
À BBC, Dayana Patiño afirmou que filho de apenas 18 dias foi motivação para resistir por 30 horas até resgate: "Enquanto ele estivesse vivo, eu também estaria"