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Hamas agradece a Lula por declarações sobre genocídio em Gaza

Grupo palestino responsável por ataque terrorista que deu início ao conflito pede que Corte Internacional considere fala de brasileiro em decisão

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Sérgio Utsch
18/02/2024, 19:05 • Atualizado em 18/02/2024, 19:23
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Lula comparou atuação do Estado judeu com ações de Adolf Hitler

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O grupo palestino Hamas divulgou um comunicado neste domingo (18) pra agradecer as declarações feitas pelo presidente Lula durante entrevista coletiva na Etiópia. O brasileiro afirmou que só há uma referência para descrever o que acontece na Faixa de Gaza: "quando Hitler resolveu matar os judeus". A comparação abriu uma crise diplomática com Israel.

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"Nós do Movimento Resistência Islâmica (Hamas) agradecemos a declaração feita pelo presidente brasileiro Lula da Silva, que descreveu o que nosso povo palestino enfrenta na Faixa de Gaza como um Holocausto e que as ações dos sionistas hoje em Gaza são as mesmas que Hitler fez com os judeus durante a Segunda Guerra Mundial".

Na nota, o Hamas pede ainda que "a Corte Internacional de Justiça leve em consideração a declaração do presidente brasileiro". A África do Sul entrou com uma ação na Corte acusando Israel de genocídio do povo palestino. O Brasil apoiou a ação. Nesta sexta-feira (16), a Corte divulgou uma decisão em que reafirma que Israel deve garantir segurança e proteção a palestinos na Faixa de Gaza.

Apesar dos elogios do Hamas, o presidente Lula usou sua viagem à África pra condenar as ações do grupo. No dia 15, ao lado do presidente do Egito, afirmou:

"O Brasil foi um país que condenou de forma veemente a posição do Hamas no ataque a Israel e o sequestro de centenas de pessoas. E nós condenamos e chamamos o ato de ato terrorista. Mas não tem nenhuma explicação o comportamento de Israel, a pretexto de derrotar o Hamas, estar matando mulheres e crianças, coisa jamais vista em qualquer guerra que eu tenha conhecimento."

No discurso na cúpula da União Africana, neste sábado (17), Lula manteve o mesmo tom.

Ser humanista hoje implica condenar os ataques perpetrados pelo Hamas contra civis israelenses, e demandar a liberação imediata de todos os reféns. Ser humanista impõe igualmente o rechaço à resposta desproporcional de Israel, que vitimou quase 30 mil palestinos em Gaza – em sua ampla maioria mulheres e crianças – e provocou o deslocamento forçado de mais de 80% da população.

Ainda no sábado, o presidente brasileiro se encontrou com o primeiro-ministro palestino, Mohammad Shtayyeh, que negou relações com o Hamas. No encontro, Lula condenou as ações terroristas do grupo.

A declaração que deu início a uma crise diplomática com Israel foi feita de improviso, durante a entrevista coletiva em Adis Abeba.

Não é a primeira vez que uma fala improvisada de Lula gera ruído internacional. Em uma parada nos Emirados Árabes Unidos, em abril do ano passado, Lula comentou o conflito na Ucrânia e recebeu críticas ao dizer que a "decisão pelo conflito foi tomada por dois países". Na ocasião, Lula atenuou o discurso dizendo que o governo condena a "violação da integridade territorial".

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