EUA reduzem recomendação para 4 vacinas infantis; veja quais
Medida sem precedentes gerou debate entre profissionais da saúde, que temem queda nas imunizações no país


Camila Stucaluc
O governo dos Estados Unidos retirou do calendário de vacinação infantil a recomendação de quatro imunizantes, incluindo o de influenza. A decisão sem precedentes foi anunciada na segunda-feira (5) pelo Departamento de Saúde, liderado por Robert F. Kennedy Jr.
Fazem parte da medida as vacinas contra hepatite A e B, doença meningocócica (que causa meningite), rotavírus (responsáveis pela gastroenterite) e influenza. Agora, os imunizantes serão recomendados apenas para grupos de alto risco, ou por orientação médica no caso de "decisão clínica compartilhada", isto é, com o aval dos pais.
A cobertura para 11 doenças consideradas mais graves, como sarampo, poliomielite e catapora, permanece na lista principal de imunizações recomendadas para todas as crianças. A revisão ainda inclui a recomendação de uma dose única da vacina contra HPV, em vez das duas anteriores.
A mudança drástica no calendário de vacinação infantil ocorre um mês após o presidente Donald Trump recomendar a revisão da política de imunização, dizendo que os Estados Unidos precisam se alinhar a outras nações desenvolvidas. Segundo o Departamento de Saúde, foram analisadas 20 nações.
“Muitas nações pares que recomendam menos vacinas rotineiras alcançam bons resultados de saúde infantil e mantêm altas taxas de vacinação por meio da confiança pública e da educação, em vez de mandatos. Por exemplo, em 2024, os EUA recomendaram mais vacinas infantis do que qualquer país par, e mais do que o dobro das doses de alguns países europeus”, justificou a pasta.
A medida gerou forte debate entre profissionais de saúde. Ao aprovar a mudança, por exemplo, o diretor interino do Centro de Prevenção e Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês), Jim O'Neill, afirmou que “os dados apoiam uma programação mais focada que protege as crianças das doenças infecciosas mais graves, ao mesmo tempo em que melhora a clareza, a adesão e a confiança do público”.
Por outro lado, o presidente da Academia norte-americana de Pediatria, Sean O’Leary, afirmou que a redução nas recomendações pode minar a confiança em vacinas essenciais e contribuir para o retorno de doenças preveníveis. “É fundamental que qualquer decisão" sobre essa questão "seja baseada em evidências e não em comparações que não levem em conta grandes diferenças entre países e sistemas de saúde”, defendeu.








