Mundo

Brasil tem liberdades civis "obstruídas", avalia relatório global

Estudo categoriza 197 países em cinco níveis de liberdade civil; apenas 3,5% da população mundial vive em nações totalmente livres

Avatar de Beto Lima
Beto Lima
03/06/2025, 19:46 • Atualizado em 03/06/2025, 19:47
compartilhar
Foto: Luciano Gonzalez/Anadolu/picture alliance

Foto: Luciano Gonzalez/Anadolu/picture alliance

Liberdade civil é realidade para apenas 3,5% da população global, diz estudo da organização alemã Brot Für Die Welt. A pesquisa, divulgada nesta semana, indica que apenas 3,5% da população mundial – cerca de 284 milhões de pessoas – vivem em países onde direitos como liberdade de expressão e reunião são plenamente garantidos. Os dados, publicados no Atlas da Sociedade Civil 2025, mostram que a maior parte da população (72%) reside em nações onde a sociedade civil enfrenta restrições, repressão ou até mesmo proibições.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

O estudo, que avaliou 197 países, classificou 40 nações como "abertas" – em que as liberdades civis são amplamente respeitadas. Na outra ponta, 115 países foram categorizados como "fechados" – onde governos impõem limites severos a manifestações e críticas, limitando os direitos civis de aproximadamente 7 bilhões de pessoas.

Em 2024, nove países tiveram suas classificações rebaixadas, incluindo Geórgia, Burkina Faso, Quênia, Peru e Holanda. Já Jamaica, Japão, Eslovênia, Polônia e Bangladesh foram alguns dos que apresentaram avanços no respeito às liberdades civis.

O relatório não faz projeções sobre o futuro do Brasil, mas destaca que o país está entre os analisados no monitoramento global. A pesquisa utiliza critérios como liberdade de imprensa, direito a protestos e independência judicial para avaliar o status de cada nação.

Situação do Brasil

Segundo o documento, o Brasil está na categoria "obstruído", o que significa que, embora existam espaços para organização da sociedade civil, há restrições frequentes a protestos, perseguição a ativistas e ameaças à liberdade de imprensa. O relatório cita:

  • Aumento da violência contra defensores de direitos humanos, especialmente na Amazônia, onde líderes indígenas e ambientalistas enfrentam riscos;
  • Tentativas de criminalização de movimentos sociais e ONGs;
  • Ataques a jornalistas e aumento da desinformação como fatores que limitam o debate público democrático.

Enquanto o Brasil aparece em situação preocupante, outros países da América Latina, como Argentina e Uruguai, têm avaliações melhores, sendo classificados como "reduzidos" (com algumas limitações, mas ainda com espaço para atuação da sociedade civil). Já nações como Venezuela e Nicarágua estão entre as piores, na categoria "fechadas".

As 5 categorias de liberdade civil

CIVICUS-Monitor / Brot Für Die Welt (Pão para o Mundo)
CIVICUS-Monitor / Brot Für Die Welt (Pão para o Mundo)

O relatório divide os países em cinco grupos, conforme o grau de liberdade concedido à sociedade civil:

Aberto

(Verde escuro no mapa)

Países onde o Estado garante plenamente as liberdades de expressão, associação e reunião pacífica.

Exemplos: Alemanha, Suécia, Canadá.

População afetada: 284 milhões (3,5% do mundo).

Reduzido

(Verde claro)

Locais com pequenas limitações à atuação da sociedade civil, mas onde direitos fundamentais são majoritariamente respeitados.

Exemplos: Argentina, Uruguai, Estados Unidos.

População afetada: 1,1 bilhão (14%).

Obstruído

(Amarelo)

Governos impõem barreiras significativas a protestos, organizações civis e imprensa livre, com perseguição a críticos.

Exemplos: Brasil, Índia, México.

População afetada: 2,3 bilhões (29%).

Reprimido

(Laranja)

Restrições graves, com criminalização de ativistas, censura e violência estatal contra opositores.

Exemplos: Rússia, Turquia, Egito.

População afetada: 2,1 bilhões (26%).

Fechado

(Vermelho)

Sociedade civil praticamente banida, com ausência de liberdades básicas e repressão violenta a qualquer dissidência.

Exemplos: China, Arábia Saudita, Coreia do Norte.

População afetada: 2,3 bilhões (28%).

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Código de barras no Pacaembu leva Grand Prix de Cannes

Código de barras no Pacaembu leva Grand Prix de Cannes

Imagem da notícia: Treze morrem afogados ao tentar escapar do calor na França

Treze morrem afogados ao tentar escapar do calor na França

Imagem da notícia: Kim diz que Missão avalia dois nomes para o governo de SP

Kim diz que Missão avalia dois nomes para o governo de SP

Imagem da notícia: França x Iraque: acompanhe o duelo em tempo real

França x Iraque: acompanhe o duelo em tempo real

Imagem da notícia: Código de barras no Pacaembu leva Grand Prix de Cannes

Código de barras no Pacaembu leva Grand Prix de Cannes

Imagem da notícia: Treze morrem afogados ao tentar escapar do calor na França

Treze morrem afogados ao tentar escapar do calor na França

Imagem da notícia: Kim diz que Missão avalia dois nomes para o governo de SP

Kim diz que Missão avalia dois nomes para o governo de SP

Imagem da notícia: França x Iraque: acompanhe o duelo em tempo real

França x Iraque: acompanhe o duelo em tempo real

Últimas notícias

Helicóptero da Guarda Costeira dos EUA cai no Alasca

Equipes de busca e resgate se mobilizaram para atender a ocorrência; causa do acidente é desconhecida

Moraes deixa com Fachin decisão sobre Dark Horse

Ministro enviou processo à Presidência da Corte após PGR defender redistribuição a Mendonça

Zema promete “choque contra a gastança” caso seja eleito

Pré-candidato do Novo propõe corte de gastos acima de Temer, privatizações e revisão de programas sociais

Seleção treina com Neymar em campo; Alisson não participa

Atacante mostra evolução física, goleiro faz controle de carga, e Raphinha é desfalque contra a Escócia

PGR defende caso Dark Horse com Mendonça, e não Moraes

Paulo Gonet afirma que episódio ligado às investigações sobre Daniel Vorcaro já tramita com o ministro

Rio formaliza entrada no Propag e terá alívio de R$ 3,1 bi

Estado ingressou no programa de refinanciamento da dívida com a União, estimada em R$ 210 bilhões; acordo envolve investimentos obrigatório em saúde e educação