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Após toque de recolher e ordem para atirar em manifestantes, Justiça acata protestos em Bangladesh

Com as manifestações, premiê Sheik Hasina precisou cancelar a viagem que faria ao Brasil na próxima semana. Entenda as reivindicações

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Derick Toda
21/07/2024, 11:50 • Atualizado em 21/07/2024, 13:25
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Protestos em Bangladesh tomam o país | Reprodução/BTV

Protestos em Bangladesh tomam o país | Reprodução/BTV

Os manifestantes estudantis de Bangladesh tiveram uma vitória, neste domingo (21), contra o sistema de cotas que reservava até 30% dos empregos públicos para familiares de veteranos que lutaram na guerra de independência do país, em 1971.

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O Tribunal Superior do país reduziu a margem de cota para 5%, deixando 93% dos empregos a serem ocupados por aqueles com melhor qualificação, que era a reivindicação dos protestantes. Os outros 2% de vagas em Bangladesh foram reservados para minorias étnicas, para a comunidade trans e as pessoas com deficiência.

A decisão deve acalmar as ruas do país. Os conflitos entre policiais, governo, oposição e manifestantes começaram há um mês.

  • Na segunda-feira (15), mais de 100 estudantes da Universidade de Dhaka, a principal da capital, ficaram feridos em protestos.
  • Na sexta-feira (19), cerca de 800 presos fugiram de uma prisão em Narsingdi, uma cidade ao norte de Dakha, depois que manifestantes invadiram e incendiaram a unidade prisional.
  • No sábado (20), Bangladesh decretou um toque de recolher e permitiu que policiais atirassem em multidões, “em casos extremos”.
  • Segundo o jornal local Prothom Alo, ao menos 103 pessoas morreram durante os protestos.

Depois do anúncio da Justiça, o governo declarou o domingo e a segunda-feira (22) como feriados, funcionando apenas serviços de emergência autorizados a operar.

Argumentos

O país vive a frustração dos jovens que saem do ensino médio e faculdade, mas não conseguem empregos. Enquanto isso, os manifestantes enxergam o sistema de cotas pelo histórico da guerra como uma política discriminatória, que beneficiaria o partido Awami League, da ministra Sheik Hasina e que liderou há décadas o movimento de independência.

Quem apoia os protestos?

O principal apoiador dos protestos é o partido de oposição, o Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP). O movimento defende que o sistema de empregos seja definido por quem é mais capaz de exercer a função determinada, e não pelo histórico familiar.

No entanto, o BNP afirmou que não é responsável pelas violências e negou acusações de usar os protestos para ganhos políticos.

Histórico do sistema de cotas

Em 2018, o governo suspendeu as cotas de emprego após protestos estudantis em massa. Em junho deste ano, o Tribunal Superior de Bangladesh anulou essa decisão e restabeleceu as cotas após parentes de veteranos de 1971 entrarem com petições.

O Supremo suspendeu a decisão, aguardando uma audiência de apelação e disse que levará a questão ao tribunal, no domingo. Hasina pediu aos manifestantes que aguardem o veredito da Justiça.

Impactos no Brasil

A premiê Sheik Hasina precisou cancelar a viagem que faria ao Brasil, na próxima semana. O cancelamento foi confirmado pelo Itamaraty, mas ainda não foi divulgado uma nova data para o encontro.

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