Adolescente brasileiro-palestino morreu de fome e desidratação em prisão israelense, afirma entidade
Federação Árabe Palestina teve aceso ao relatório de autópsia do jovem; entidade atribui o agravamento da saúde do preso à falta de atendimento médico

SBT News
A Federação Árabe Palestina afirmou, nesta quinta-feira (3), que o adolescente brasileiro-palestino Walid Khalid Abdalla Ahmad, de 17 anos, morreu enquanto estava preso em Israel devido à fome, desidratação e complicações de uma infecção.
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A entidade, que representa a comunidade palestina no Brasil, teve acesso ao relatório da autópsia. O documento indica que a saúde do jovem se agravou por falta de atendimento médico.
Walid foi detido em setembro de 2024 e levado pelas forças de defesa israelenses para a prisão de Megiddo. Reportagens do jornal israelense Haaretz revelaram, com fotos e vídeos, um ambiente de violência na unidade prisional.
Até o momento de sua morte, confirmada em 25 de março de 2025, o adolescente não havia sido julgado por eventuais crimes.
Ele morava com os pais em Silwad, na Cisjordânia ocupada, e foi detido sob a acusação de agredir militares israelenses.
O Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou, em nota, que recebeu a notícia da morte de Ahmad com "profunda consternação" e exigirá de Israel "as explicações necessárias acerca da morte do menor".
Segundo o governo federal, 11 brasileiros seguem detidos em prisões israelenses, "a maioria sem ter sido formalmente acusada ou julgada, em clara violação ao Direito Internacional Humanitário".
“A fome é uma ferramenta de genocídio, buscando enfraquecer e, finalmente, destruir tanto o corpo quanto o espírito de crianças palestinas detidas em prisões israelenses. A morte de Walid não foi um acidente”, afirmou Ayed Abu Eqtaish, diretor do programa de responsabilização da Defense for Children International – Palestine.