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Emissões de gases de efeito estufa precisam diminuir 43% até 2030, diz IPCC

Aumento da temperatura global no limite de 1,5ºC já deve promover danos irreversíveis ao planeta

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Camila Stucaluc
20/03/2023, 13:39 • Atualizado em 31/10/2023, 17:06
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Mesmo que as mudanças sejam implementadas de forma ambiciosa, quase todos os cenários apontam que a temperatura global irá ultrapassar os 1,5ºC entre 2030 e 2035 | Pexels

Mesmo que as mudanças sejam implementadas de forma ambiciosa, quase todos os cenários apontam que a temperatura global irá ultrapassar os 1,5ºC entre 2030 e 2035 | Pexels

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A comunidade científica fez um novo alerta para conter a emergência climática no mundo. Em relatório divulgado nesta 2ª feira (20.mar), o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) apontou que, até 2030, as emissões de gases de efeito estufa precisam diminuir 43%, uma vez que o carbono já existente, somado ao projetado para os próximos anos, já é suficiente para aumentar a temperatura mundial.

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Isso significa que a Terra estaria mais exposta, aumentando os riscos para sistemas naturais e humanos. Com o clima apenas 1,5ºC mais quente, alguns danos já serão irreversíveis, sobretudo em ecossistemas de resiliência baixa, como polos, montanhas e costas impactadas por degelo ou por aumento do nível do mar. Por este motivo, os cientistas apelam por ações que contenham o aumento da temperatura.

Além dos gases de efeito estufa, o IPCC aponta para a ampliação de três a seis vezes mais do que é investido em serviços de mitigação, bem como para políticas públicas que reduzam o uso de transporte público e incentivem a mobilidade ativa, como o uso de bicicletas. A entidade cita ainda a importância de campanhas de conscientização sobre consumo exagerado, para que as pessoas adotem modelos de vida de baixo carbono.

O cenário, no entanto, não é animador. Mesmo que as mudanças sejam implementadas de forma ambiciosa, quase todos os cenários apontam que a temperatura global irá ultrapassar os 1,5ºC entre 2030 e 2035, ainda que temporariamente. No momento, por exemplo, a taxa já atinge 1,1ºC acima da era pré-industrial. Caso atinja 2ºC, o risco de impactos na biodiversidade, extinção de espécies e perda de ecossistemas aumenta ainda mais.

Com o aumento do aquecimento, cada região também deve experimentar cada vez mais mudanças simultâneas e múltiplas, como ciclones, tempestades extratropicais e incêndios florestais. Além disso, com o degelo, o nível do mar, projetado para subir a cada 100 anos, pode aumentar anualmente em mais de metade do planeta até 2100.

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"A mensagem que fica, por parte dos cientistas, é de que cada fração de um grau de aquecimento importa. Não estamos preparados para a devastação climática que significa ultrapassar 1,5ºC. Vai nos custar mais vidas, tanto humanas quanto de inúmeras outras espécies", alerta Stela Herschmann, especialista em política climática do Observatório do Clima.

 Relatório é o último da década

O Sexto Relatório de Avaliação do IPCC é uma síntese dos principais pontos revistos das conclusões prévias de 278 cientistas de 65 países. O documento, de 37 páginas, se trata de um apanhado dos últimos seis relatórios publicados pelo painel e funciona como uma "mensagem final" dos cientistas nesta década. Isso porque, segundo o grupo, o próximo ciclo de análise só deve começar a ter resultados por volta de 2028.

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