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Para ONU, talibãs querem que mulheres sejam invisíveis na sociedade

Relator especial condenou políticas restritivas e classificou gestão nacional como segregação de gênero

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Camila Stucaluc
26/05/2022, 14:28 • Atualizado em 31/10/2023, 02:10
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Declaração foi dada pelo relator especial Richard Bennett, durante visita ao país | Reprodução/Twitter

Declaração foi dada pelo relator especial Richard Bennett, durante visita ao país | Reprodução/Twitter

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Em entrevista coletiva nesta 5ª feira (26.mai), o relator especial da Organização das Nações Unidas (ONU) para os direitos humanos no Afeganistão, Richard Bennett, afirmou que as restrições impostas pelo Talibã às mulheres no país têm como objetivo torná-las "invisíveis na sociedade". Segundo ele, as normas e limitações descrevem um modelo político de total segregação de gênero.

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"Estas diretivas contrariam as obrigações do Afeganistão sob os direitos humanos. Medidas como a suspensão do ensino médio das meninas, barreiras severas ao emprego, suspensão de oportunidades na vida política e pública, limites à liberdade de movimento e forma estrita do uso do Hijab se adequam ao padrão de segregação absoluta de gênero e visam tornar as mulheres invisíveis na sociedade", disse Bennett.

O diplomata expressou alarme de que muitas das políticas impostas e o impulso para o controle absoluto estão tendo um efeito cumulativo sobre uma ampla gama de direitos humanos, criando uma sociedade governada pelo medo. Ele também ressaltou o alto número de denúncias de assédio, ataques, prisões, desaparecimentos e assassinatos, que vem causando preocupação na comunidade internacional.

"As autoridades de fato não reconheceram a magnitude e a gravidade dos abusos cometidos - muitos deles em seu nome - e sua responsabilidade de enfrentá-los e proteger toda a população. O Talibã está em uma encruzilhada. Ou a sociedade se tornará mais estável e um lugar onde cada afegão desfruta de liberdade e direitos humanos, ou se tornará cada vez mais restritivo", frisou.

Bennett comentou ainda sobre a série de atentados terroristas no país, alguns reivindicados pelo grupo Estado Islâmico (EI), e pediu uma invetigação sobre as ações. Ele disse que tais ataques, especificamente direcionados a membros das comunidades Hazara, Xiita e Sufi, estão se tornando cada vez mais sistemáticos e refletem elementos de uma política organizacional, resultando em crimes contra a humanidade.

A declaração do relator especial acontece no momento em que vários outros membros da ONU expressam preocupação com o aumento das restrições impostas às mulheres afegãs. Na 4ª feira (25.mai), por exemplo, o Conselho de Segurança emitiu uma nota pedindo para que o Talibã reverta as políticas impostas e cumpra com os objetivos da carta de direitos humanos.

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Um pouco antes, o secretário-geral da organização, António Guterres, apelou para que o grupo extremista reconheça os direitos básicos das mulheres e meninas. A medida, segundo ele, é necessária para que, além de garantir a segurança da população, a comunidade internacional libere os fundos destinados ao país para ajuda humanitária, que permanecem congelados desde que a gestão começou a descumprir os acordos. 

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