TCU vê falhas financeiras e risco de prejuízo bilionário na Usina Nuclear Angra 3
Corte aponta orçamento inflado, custos desatualizados e falta de definição tarifária; recomendações podem gerar economia de R$ 1,3 bilhão
Caio Barcellos
Obras na Usina Nuclear Angra 3 | Reprodução Eletronuclear
O Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou nesta quarta-feira (28) um acórdão que aponta inconsistências financeiras relevantes no projeto de retomada da Usina Nuclear Angra 3, em Angra dos Reis (RJ).
Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.
Segundo o TCU, o orçamento da obra apresenta distorções, como o uso de custos desatualizados e a inclusão de uma margem adicional de 5%, chamada de "índice de tolerância", sem respaldo legal ou técnico. Para o tribunal, essas falhas comprometem a transparência e elevam o risco de novos custos.
A auditoria também destaca a ausência de definição sobre a tarifa da energia que será produzida pela usina, e a falta de garantias orçamentárias para a conclusão do projeto. Esses fatores, segundo o TCU, aumentam a possibilidade de novas paralisações e de prejuízos ao setor elétrico.
O acórdão recomenda ajustes à Eletronuclear na estrutura financeira e no orçamento da obra. De acordo com os cálculos da área técnica, as correções podem gerar uma economia superior a R$ 1,3 bilhão aos cofres públicos.
A decisão ocorre em meio ao debate no governo sobre o futuro do empreendimento, iniciado nos anos 1980 e que está parado desde 2015, após a Operação Lava Jato revelar esquemas de corrupção envolvendo contratos da obra.
Estudo do BNDES
Um estudo atualizado do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), entregue no início de novembro ao Ministério de Minas e Energia, aponta que concluir Angra 3 é mais vantajoso do que abandonar o projeto.
Segundo o levantamento, o valor para encerrar definitivamente o empreendimento pode variar de R$ 22 bilhões a R$ 25,97 bilhões, enquanto o para concluir a usina é de R$ 23,9 bilhões.
O relatório avaliou três cenários: a conclusão com participação de um sócio privado; a conclusão integral com recursos públicos; e o abandono definitivo da usina. Nos cenários de conclusão, a tarifa de equilíbrio variou entre R$ 778 e R$ 817 por Megawatt-hora (MWh), patamar inferior ao custo médio de usinas térmicas de grande porte, segundo o banco.
Já o cenário de abandono implicaria despesas bilionárias sem geração de energia, além de impactos negativos para o setor nuclear.
Enquanto não há decisão final, a Eletronuclear gasta cerca de R$ 1 bilhão por ano para manter Angra 3 paralisada. A maior parte desse valor é destinada ao pagamento de dívidas com bancos públicos e à preservação de equipamentos e estruturas já instalados.
A estatal já investiu aproximadamente R$ 12 bilhões na usina, que está com cerca de 66% das obras concluídas. Com potência prevista de 1.405 MW, Angra 3 poderá produzir energia suficiente para abastecer cerca de 4,5 milhões de pessoas, o equivalente a grande parte do consumo do estado do Rio de Janeiro.
TCU vê falhas financeiras e risco de prejuízo bilionário na Usina Nuclear Angra 3Corte aponta orçamento inflado, custos desatualizados e falta de definição tarifária; recomendações podem gerar economia de R$ 1,3 bilhãoJustiça2026-01-28T21:54:59.176ZO Tribunal de Contas da União (TCU) aprovou nesta quarta-feira (28) um acórdão que aponta inconsistências financeiras relevantes no projeto de retomada da Usina Nuclear Angra 3, em Angra dos Reis (RJ). Segundo o TCU, o orçamento da obra apresenta distorções, como o uso de custos desatualizados e a inclusão de uma margem adicional de 5%, chamada de "índice de tolerância", sem respaldo legal ou técnico. Para o tribunal, essas falhas comprometem a transparência e elevam o risco de novos custos. A auditoria também destaca a ausência de definição sobre a tarifa da energia que será produzida pela usina, e a falta de garantias orçamentárias para a conclusão do projeto. Esses fatores, segundo o TCU, aumentam a possibilidade de novas paralisações e de prejuízos ao setor elétrico. O acórdão recomenda ajustes à Eletronuclear na estrutura financeira e no orçamento da obra. De acordo com os cálculos da área técnica, as correções podem gerar uma economia superior a R$ 1,3 bilhão aos cofres públicos. A decisão ocorre em meio ao debate no governo sobre o futuro do empreendimento, iniciado nos anos 1980 e que está parado desde 2015, após a Operação Lava Jato revelar esquemas de corrupção envolvendo contratos da obra. Estudo do BNDES Um estudo atualizado do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), entregue no início de novembro ao Ministério de Minas e Energia, aponta que concluir Angra 3 é mais vantajoso do que abandonar o projeto. Segundo o levantamento, o valor para encerrar definitivamente o empreendimento pode variar de R$ 22 bilhões a R$ 25,97 bilhões, enquanto o para concluir a usina é de R$ 23,9 bilhões. O relatório avaliou três cenários: a conclusão com participação de um sócio privado; a conclusão integral com recursos públicos; e o abandono definitivo da usina. Nos cenários de conclusão, a tarifa de equilíbrio variou entre R$ 778 e R$ 817 por Megawatt-hora (MWh), patamar inferior ao custo médio de usinas térmicas de grande porte, segundo o banco. Já o cenário de abandono implicaria despesas bilionárias sem geração de energia, além de impactos negativos para o setor nuclear. Enquanto não há decisão final, a Eletronuclear gasta cerca de R$ 1 bilhão por ano para manter Angra 3 paralisada. A maior parte desse valor é destinada ao pagamento de dívidas com bancos públicos e à preservação de equipamentos e estruturas já instalados. A estatal já investiu aproximadamente R$ 12 bilhões na usina, que está com cerca de 66% das obras concluídas. Com potência prevista de 1.405 MW, Angra 3 poderá produzir energia suficiente para abastecer cerca de 4,5 milhões de pessoas, o equivalente a grande parte do consumo do estado do Rio de Janeiro.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/justica/tcu-ve-falhas-financeiras-e-risco-de-prejuizo-bilionario-na-usina-nuclear-angra-3
Betancourt ajudou os Estados Unidos antes da queda de Maduro e agora está no centro de um acordo de petróleo que amplia o acesso às reservas venezuelanas