Oito anos depois, começam audiências dos envolvidos na tragédia de Mariana (MG)
Rompimento da barragem do Fundão causou morte de 19 pessoas. Vítimas aguardam por casas e indenizações prometidas

SBT News
Em 5 de novembro de 2015 um tsunami de lama atingiu o antigo vilarejo da cidade de Bento Rodrigues e Mariana, em Minas Gerais, após o rompimento da barragem do Fundão, causando a morte de 19 pessoas. Oito anos depois, as audiências dos envolvidos na tragédia terão início na próxima 2ª feira (06.nov), na Justiça de Belo Horizonte.
Muitas das vítimas ainda esperam pelas indenizações e casas prometidas. Nesse período, o "novo" distrito de Bento Rodrigues começa a tomar forma, com casas que já abrigam em torno de 100 famílias.
Os acusados no processo criminal instaurado a partir da denúncia do Ministério Público Federal serão ouvidos na próxima 2. Dos 26 denunciados, 15 foram excluídos do processo e não respondem por mais nenhum crime.
Os 11 responsáveis que restaram conseguiram parecer favorável da Justiça Federal e estão livres de responder pelos crimes de homicídio e lesão corporal, envolvendo ações criminais no âmbito ambiental.
Oito anos depois, um dos corpos nunca foi encontrado
Quase todas as moradias foram destruídas com a avalanche causada pelo rompimento da barragem da mineradora Samarco, subsidiária da Vale e da companhia BHP. O vazamento de 63 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério fez 19 vítimas fatais, deixou 394 famílias desabrigadas e contaminou o rio Doce, prejudicando ribeirinhos e pescadores. Passados oito anos, um dos corpos nunca foi encontrado.
No "novo Bento Rodrigues", muitas obras ainda precisam ser finalizadas. A demora do projeto ser concluído, com o reassentamento total das famílias, incomoda quem sobreviveu à tragédia. Muitos antigos vizinhos morreram antes de pegarem as chaves da casa própria.
Mesmo quem morava distante uma hora e meia do local do rompimento, em Ponte do Gama, foi atingida pela lama da Samarco. À época, Mirella Lino tinha 17 anos e hoje busca os direitos junto à Fundação Renova, criada para atender as vítimas da tragédia.
Segundo ela, a organização não respeita os acordos e que a fundação "está reparando necessidades humanas e impactos ambientais e que pretende, em 10 anos, recuperar 5 mil nascentes da Bacia do Rio Doce". "Nunca acaba. A esperança que eu tenho é que chegue ao fim. Que a justiça seja feita", espera Mirella.
Em nota, a Renova afirmou que, nos reassentamentos em Bento Rodrigues e Paracatu, 72 imóveis foram entregues e que outras 168 casas estão com obras finalizadas. A fundação acrescentou que já pagou mais de R$ 15 bilhões em indenizações.