Justiça

Educafro pede indenização de R$ 100 milhões por jogo "Simulador de Escravidão"

Entidade cita danos morais coletivos e exige maior fiscalização do Google com aplicativos

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Camila Stucaluc
29/05/2023, 07:33 • Atualizado em 31/10/2023, 18:59
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Entidade ainda intima o Ministério Público de São Paulo e o Ministério da Igualdade Racial a acompanhar o caso | Reprodução

Entidade ainda intima o Ministério Público de São Paulo e o Ministério da Igualdade Racial a acompanhar o caso | Reprodução

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A Educafro Brasil moveu uma ação civil pública contra o Google após a plataforma disponibilizar o jogo "Simulador de Escravidão" na Play Store na loja de aplicativos - Play Store. No documento, protocolado no sábado (27.mai), a entidade alega "danos morais coletivos" e pede R$ 100 milhões em indenização.

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"Nosso compromisso diz respeito à proteção coletiva de toda a sociedade, em especial à população negra que cotidianamente sofre com os abusos, violências e crimes praticados contra a coletividade. A gigante Google ou qualquer outra empresa ou instituição deve se responsabilizar por seus atos ou por suas omissões", afirmou a Educafro.

Intitulado "Simulador de Escravidão", o jogo, removido da Play Store após repercussão nas redes sociais, permitia que o usuário explorasse os escravos para ganhar pontos, além de autorizar certas formas de tortura. O jogo era oferecido em duas modalidades, sendo uma para lucrar com o trabalho dos escravos e outra para chegar à abolição. 

Na descrição do jogo a empresa MagnusGames, responsável pelo aplicativo, emitia um recado alegando que o jogo teria sido criado "para fins de entretenimento", uma vez que a empresa "condena a escravidão". "Todo o conteúdo do jogo é fictício e não está vinculado a eventos históricos específicos. Todas as coincidências são acidentais", dizia a nota.

Além da indenização de R$ 100 milhões, a Educafro pede maior fiscalização e controle por parte do Google sobre os aplicativos disponíveis na Play Store, sobretudo em relação àqueles que possuem conteúdo discriminatório e ofensivo às minorias. A entidade ainda intima o Ministério Público de São Paulo e o Ministério da Igualdade Racial a acompanhar o caso.

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"Chega a ser inacreditável que, em pleno ano de 2023, a população negra, não só do Brasil, mas de todos os países onde o fato repercutiu, a testemunhar a maior empresa de tecnologia do mundo inteiro auferir lucro com racismo explícito e clara apologia à escravidão, violência física, verbal e sexual de pessoas negras como forma de entretenimento", afirmou a Educafro na ação.

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