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"Cenário é de guerra", diz secretário sobre território Yanomami

Equipes de saúde trabalham para restaurar bem-estar da comunidade indígena

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Camila Stucaluc
24/01/2023, 14:15 • Atualizado em 31/10/2023, 15:08
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O governo estima que mais de 500 crianças morreram por fome, desnutrição e contaminação pelo mercúrio, deixado devido ao garimpo, em 2022 | Reprodução/Instagram urihiyanomami

O governo estima que mais de 500 crianças morreram por fome, desnutrição e contaminação pelo mercúrio, deixado devido ao garimpo, em 2022 | Reprodução/Instagram urihiyanomami

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O secretário de Saúde Indígena, Ricardo Weibe Tapeba, afirmou, nesta 3ª feira (24.jan), que o cenário no território Yanomami, em Roraima, é de guerra. Segundo ele, as equipes de saúde no local estão desenvolvendo um relatório para entregar ao Ministério da Saúde, contendo ações efetivas para restaurar o bem-estar da comunidade. 

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Entre as medidas já propostas estão o aumento da infraestrutura de saúde na região, o reforço de médicos e a recuperação do esquema de vacinação entre a população. Hoje, por exemplo, foi iniciada a construção de um hospital de campanha em Boa Vista, onde devem ser recebidos 700 pacientes indígenas que estão em casas de apoio.

"Esse instrumento é importante para permitir que o governo federal adote estratégias mais emergenciais, como a compra de insumos, aquisição de medicamentos e materiais, além de aperfeiçoar o atendimento da saúde indígena", disse Tapeba, acrescentando que, até o momento, mais de 1 mil yanomamis foram resgatados de situações graves.

Além do relatório, as equipes da saúde irão trabalhar com policiais federais para investigar possíveis irregularidades em contratos antigos de medicamentos e insumos destinados ao território Yanomami, bem como o número real de mortes por desnutrição e descuidos. Acredita-se que houve uma "grande subnotificação" dos óbitos.

Tapeba comentou ainda sobre a cooperação dos Ministérios da Saúde e dos Povos Indígenas, que irão continuar focando na exoneração de coordenadores regionais de postos de saúde indígenas. Na 2ª feira (23.jan), 11 responsáveis foram demitidos, incluindo Márcio Sidney Sousa Cavalcante, coordenador da região leste de Roraima.

"Vamos analisar as indicações que chegaram aqui para o distrito. Mas o que eu posso dizer é que sozinho o próximo coordenador não conseguirá fazer a intervenção que nós queremos", disse o secretário. Ele ressaltou a importância de retirar os mais de 20 mil garimpeiros do território Yanomami, uma vez que as ações colocam em risco a segurança dos indígenas.

A situação de crise humanitária vivida pela população indígena Yanomami foi revelada no último fim de semana, durante visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Roraima. O governo estima que mais de 500 crianças morreram por fome, desnutrição e contaminação pelo mercúrio, deixado devido ao garimpo, em 2022. 

Em meio ao cenário, mais de 19 mil profissionais de saúde se cadastraram no banco de voluntários do Sistema Único de Saúde (SUS) para prestar atendimento na região. O caso também resultou na abertura de um inquérito na Polícia Federal, que irá apurar eventual cometimento de crime de genocídio, delitos ambientais e omissão de socorro aos yanomamis nos últimos anos. 

Em nota, o Conselho indígena de Roraima (CIR) disse que enviou, nos últimos anos, inúmeros ofícios e denúncias para órgãos públicos devido à situação no local, mas que todos foram ignorados.

+ Crise dos yanomamis é resultado de omissão do Estado brasileiro, diz MPF

"Já não sabemos mais quantas crianças foram mortas, quantas mulheres foram vítimas de violência. Porque todos os dias recebemos notícias de que crianças morreram. Por isso requeremos investigação com profundidade: o Governo Bolsonaro praticou crime de genocídio contra os povos indígenas Yanomami", afirmou.

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