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Cidadania vai convidar Jorge Kajuru a deixar o partido

Executiva Nacional da sigla condenou a divulgação de conversa entre o senador e Bolsonaro

Cidadania vai convidar Jorge Kajuru a deixar o partido
Jorge Kajuru
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O partido Cidadania decidiu nesta 2ª feira (12.abr) que vai convidar o senador Jorge Kajuru (GO) a se retirar da sigla. Caso o político opte por continuar na legenda, o partido deverá abrir um processo de expulsão. A decisão vem após Kajuru ter divulgado a gravação de uma conversa telefônica entre ele e o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

A divulgação dos trechos foi condenada pela Executiva Nacional do Cidadania e, na noite desta 2ª feira, o partido divulgou nota afirmando que Kajuru "será formalmente convidado a se desligar". (Veja íntegra da nota do partido no final deste texto).

"O Cidadania também reafirma a defesa irrestrita do Estado Democrático, dos valores republicanos e da separação entre os Poderes, especialmente do papel da Suprema Corte como guardiã da Constituição. Esses valores são diametralmente opostos aos observados na conversa do senador Jorge Kajuru com o presidente Jair Bolsonaro, em que flagrantemente se discute e se comete um crime de responsabilidade. E, nesse sentido, o partido fará um convite formal, com todo o respeito pelo senador, para que ele procure outra legenda partidária", diz trecho do comunicado divulgado pelo partido.

No domingo (11.abr), Kajuru compartilhou em rede social uma conversa em que tratou com Bolsonaro sobre a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pandemia. O presidente afirmou ao senador que ele deveria buscar formas de incluir governadores e prefeitos na apuração que será feita no Senado, para que o tema não fique apenas no governo federal. 

Kajuru respondeu ao presidente que tinha o interesse de realizar uma investigação ampla sobre as ações de enfrentamento à pandemia. Após críticas do Bolsonaro à publicação da conversa, o senador divulgou novos trechos da ligação. Em um deles, Bolsonaro cita o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e afirma que irá agredi-lo. Nas conversas, o presidente também dá a entender a necessidade de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

À TV Serra Dourada, afiliada do SBT em Goiás, o senador se defendeu e disse que apenas fez o seu papel. Kajuru também disse ter uma promessa de gravar todas as ligações com políticos que realiza. 

Filho do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) representou no Conselho de Ética do Senado contra Kajuru. Para Flávio, o senador tentou "angariar dividendos políticos expondo o diálogo com o presidente".
 

Confira a íntegra da Resolução Política da Executiva Nacional do Cidadania:


"O Cidadania reafirma a defesa intransigente da instalação da CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Pandemia conforme requerimento que tem como primeiro signatário Randolfe Rodrigues (REDE-AP) e que foi subscrito pela bancada do partido no Senado. O fato determinado dessa CPI são as ações e omissões do Governo Federal na pandemia, em especial no agravamento do quadro no Amazonas, em que a falta de oxigênio levou a mortes por asfixia. 

Foi essa CPI, com esse objeto, que o Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão liminar tomada em Mandado de Segurança impetrado pelo Cidadania, mandou o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), instalar. O ministro Luís Roberto Barroso seguiu jurisprudência já estabelecida na Corte, garantindo um direito constitucional da oposição no Congresso Nacional.

O papel central do Governo Federal na escala industrial de mortes em curso não pode ser ignorado, até por ser ele a cabeça do Sistema Único de Saúde (SUS). A ele, cabiam diretrizes nacionais de enfrentamento e de tratamento, focado desde o início em medicamentos ineficazes. A ele, cabiam campanhas nacionais de informação. A ele cabia a compra e distribuição de vacinas. A ele, cabe, no atual estágio, a decretação do necessário isolamento social. Também ao governo federal competem medidas amplas e efetivas de compensação financeira a empresários e trabalhadores na interrupção de suas atividades, tal como ocorreu nos mais diversos países.

Há opiniões divergentes quanto à ampliação do escopo da CPI para incluir governadores e prefeitos, uma vez que interessa ao presidente expiar suas culpas jogando-as no colo dos únicos que efetivamente agiram contra o avanço da Covid-19 - mesmo constantemente sabotados pelo presidente e por seu Ministério. É, no entanto, uma opinião a ser respeitada e debatida, uma vez que alguns chefes de Executivo praticaram atos alinhados com as omissões do presidente.

O Cidadania se orgulha da posição de liderança no cenário nacional assumida pelo senador Alessandro Vieira (SE), seja no enfrentamento da pandemia, seja no combate à corrupção, na fiscalização do Executivo ou na mitigação da tragédia social que atinge e empobrece a nossa população. Se o país discute a instalação de uma CPI e a indicação de seus integrantes, é por seu papel como líder do partido no Senado e signatário do Mandado de Segurança.

O Cidadania também reafirma a defesa irrestrita do Estado Democrático, dos valores republicanos e da separação entre os Poderes, especialmente do papel da Suprema Corte como guardiã da Constituição. Esses valores são diametralmente opostos aos observados na conversa do senador Jorge Kajuru com o presidente Jair Bolsonaro, em que flagrantemente se discute e se comete um crime de responsabilidade. E, nesse sentido, o partido fará um convite formal, com todo o respeito pelo senador, para que ele procure outra legenda partidária.

Por fim, o Cidadania condena, de forma veemente, não apenas a interferência do Executivo no Senado Federal como também a tentativa clara de intimidação aos ministros do STF, o que também deve ser merecedor de total repúdio da sociedade brasileira.

Roberto Freire
Presidente Nacional do Cidadania"

 
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