"A Voz das Mulheres": os desafios de ocupar a política
Nova série do SBT News destaca os obstáculos para ampliar a presença feminina em parlamentos no país, além de episódios de agressão
Victoria Abel
Urna eletrônica | Antonio Augusto/TSE
“Quando uma mulher chega no Parlamento, seu corpo, sua roupa e sua aparência são sempre assunto.” É assim que a deputada estadual reeleita por São Paulo Mônica Seixas (PSOL) descreve um dos desafios enfrentados pelas mulheres que ocupam espaços de poder.
Ao longo da campanha eleitoral, o SBT News acompanhou a trajetória de nove mulheres que disputaram vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). De diferentes partidos e posições ideológicas, elas compartilham experiências de construção de bases eleitorais, questionamentos sobre a capacidade profissional e episódios de violência verbal ou ameaças relacionados à atuação política.
No primeiro episódio da série “A Voz das Mulheres”, as participantes contam suas histórias e relatam situações em que foram julgadas pela aparência. Nos outros três episódios, exibidos no News Noite, elas abordam as dificuldades enfrentadas ao longo da carreira, episódios de violência e os obstáculos à ampliação da presença feminina nos espaços de poder.
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A participação das mulheres na política brasileira ainda é desproporcional à presença delas no eleitorado. Embora representem 52,84% dos eleitores, as mulheres ocupam uma parcela significativamente menor dos cargos legislativos.
Na eleição de 2026 para a Câmara dos Deputados, 109 mulheres conquistaram cadeiras, o equivalente a cerca de 21% dos 513 parlamentares. No Senado, 12 mulheres foram eleitas entre as 54 vagas em disputa. Com isso, a bancada feminina passará a contar com 18 senadoras, o equivalente a 22% das 81 cadeiras.
Entre as 20.560 candidaturas registradas para cargos dos poderes Legislativo e Executivo, 7.165 eram de mulheres (34,85%), enquanto 13.395 eram de homens (65,15%).
Reeleita deputada estadual por São Paulo, Mônica Seixas (PSOL) iniciará seu terceiro mandato. Ela afirma que o julgamento da aparência das mulheres não se limita às campanhas eleitorais, mas também está presente no cotidiano do Parlamento.
“Quando uma mulher chega no parlamento, seu corpo, sua roupa e sua aparência é sempre o assunto. Porque a mulher é um corpo, a mulher é um corpo que é lido como a serviço do outro, para agradar o outro. Eu preciso que a minha presença seja gentil, agradável e dentro de um padrão de beleza do outro. Mas eu não estou concorrendo a um concurso de beleza. Eu estou discutindo política”, disse.
Mônica Rosenberg (PSD) — candidata a deputada estadual
Mônica Rosenberg (PSD) | Reprodução/Redes sociais
A advogada Mônica Rosenberg disputou uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo pelo PSD, mas não foi eleita. Com atuação na área de compliance da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ela conta que decidiu entrar na política para sair da própria zona de conforto.
“Eu estava no meu trabalho, olhando a política se destruindo, não podia dizer ‘não, eu não vou participar’. Eu sou uma radical de centro. Eu acredito muito que o caminho do centro, que não é o mais ou menos, não é o em cima do muro, são propostas técnicas, são propostas que saem da gritaria dos extremos”, afirmou.
Durante a campanha, Rosenberg relata ter recebido comentários sobre a aparência, inclusive de pessoas que poderiam contribuir financeiramente para sua candidatura.
“Eu já tive doador que me disse: ‘Ai, mas com esse cabelo branco, veja bem, você não quer pintar?’ E é alguém para quem você está pedindo dinheiro. Teve outro homem que me falou: ‘Você não quer alisar o seu cabelo? Porque seu cabelo cacheado fica parecendo que você é de esquerda’.”
Para a advogada, esse tipo de comentário desvia a atenção das propostas que apresenta.
“Eu tenho propostas seríssimas, eu tenho propostas importantes, eu tenho uma proposta de uma agência de combate à máfia, uma agência de combate à corrupção, de evitar a prevenção de feminicídios. São propostas seríssimas, mas as pessoas querem discutir o meu cabelo”, contou.
Raquel Gallinati (PSD) — candidata a deputada estadual
Raquel Gallinati (PSD) | Reprodução/Redes sociais
Delegada da Polícia Civil de São Paulo, Raquel Gallinati (PSD) disputou uma vaga na Assembleia Legislativa, mas não foi eleita. Em 2016, tornou-se a primeira mulher a presidir o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo.
Segundo ela, a experiência na representação da categoria contribuiu para a decisão de disputar um cargo eletivo, com o objetivo de ampliar sua atuação na área da segurança pública.
“Eu me vejo como uma mulher de direita, mas que defendo pautas que, historicamente, disseram ser de esquerda. Tenho muito orgulho de falar que uma das minhas bandeiras é uma segurança pública de excelência e mais igualdade e mais defesa para mulheres”, afirmou.
Gallinati também relata um episódio em que sua aparência foi destacada durante uma reunião de delegados, apesar da função que exercia como representante da categoria.
“Eu era a presidente do Sindicato, uma reunião apenas de delegados. Eu era a única que legitimamente representava todos os delegados e não fui chamada à mesa de discussão. Depois de já uns 10 minutos de discussão, eu estava na plateia, um delegado teve a brilhante ideia de pegar o microfone e falar: ‘Nossa, esquecemos de chamar a nossa presidente delegada Raquel. Por favor, venha a esta mesa para embelezar esta mesa’.”
A delegada conta que aproveitou a situação para questionar o comentário.
“Tive a oportunidade de falar que ‘aqui o meu propósito, a minha presença não é por ser um adorno aos seus olhos, mas por falar em nome dos delegados de polícia no âmbito do Estado’. Claro que elogios são extremamente bem-vindos, mas de forma pertinente. Quando são elogios exacerbados, não pela sua atuação profissional, mas por algo supérfluo, é uma tentativa invisível de te desqualificar como profissional”, afirmou.
Guida Calixto (PT) — vereadora de Campinas
Guida Calixto (PT) | Reprodução/Redes sociais
Vereadora de Campinas, no interior de São Paulo, Guida Calixto (PT) está no segundo mandato. Ela disputou uma vaga na Câmara dos Deputados, mas não foi eleita.
Servidora pública, advogada e militante sindical, Guida afirma que sua trajetória política está ligada à defesa do serviço público e dos direitos dos trabalhadores.
“Eu sou militante sindical, sou servidora pública, advogada, tenho uma atuação junto aos servidores, na luta pelo serviço público, enfim. O grupo político que eu milito dentro do PT entendeu que eu era o melhor perfil, sou o melhor perfil para poder representar nesses espaços de poder”, disse.
Adriana Ventura (Novo) — deputada federal reeleita
Adriana Ventura (Novo) | Reprodução/Redes sociais
A deputada federal Adriana Ventura (Novo) foi reeleita para seu terceiro mandato. Professora universitária, ela conta que iniciou sua trajetória eleitoral em 2018, quando ainda não tinha grande alcance nas redes sociais.
Segundo a parlamentar, a campanha cresceu gradualmente, com a participação de apoiadores e a construção de uma base eleitoral.
“Minha campanha cresceu, muitas pessoas ajudaram. Eu realmente parti do zero na política. E olha que eu sou professora universitária há 20 anos, então não é tão zero assim, porque ainda você tem relações”, afirmou.
Neon Cunha (PT) — candidata a deputada estadual
Neon Cunha (PT) | Reprodução/Redes sociais
Funcionária pública de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, Neon Cunha (PT) disputou pela terceira vez uma vaga na Assembleia Legislativa, mas não foi eleita.
Mulher negra e trans, ela relaciona sua trajetória política às experiências pessoais e à busca por maior inclusão nos espaços de representação.
“Eu sou uma funcionária pública de 44 anos. Eu começo, na verdade, em 1982, eu vejo a transformação sociopolítica do Brasil que não nos inclui. E sendo uma filha negra, trans, expulsa de casa, que encontra essa mãe às escondidas, para discutir sobrevivência, estrutura de vida, isso me dá uma responsabilidade”, contou.
Luciana Lippi (União Brasil) — candidata a deputada estadual
Influenciadora digital, Luciana Lippi (União Brasil) ganhou visibilidade nas redes sociais com vídeos sobre política, especialmente os gravados na Avenida Paulista, em São Paulo.
Professora da área da saúde, ela conta que a participação no debate político a levou a disputar cargos eletivos. Em 2024, concorreu a vereadora em Santana de Parnaíba pelo Novo. Posteriormente, filiou-se ao União Brasil, partido pelo qual disputou uma vaga na Assembleia Legislativa.
“Sou professora na área da saúde, de farmacêutica e toxicologia. Era um lugar que eu tinha meu local de fala e eu amava a sala de aula, mas a minha formação politizada foi me colocando, me fazendo uma trajetória para um outro lugar. Eu fui candidata a vereadora em 2024 na cidade de Santana de Parnaíba, onde eu moro. Eu fui candidata naquele momento pelo Partido Novo e hoje estou no União Brasil”, disse.
Babi Mendes (PL) — segunda suplente de deputada federal
Babi Mendes (PL) | Reprodução/Redes sociais
A empresária Bárbara Mendes, conhecida como Babi Mendes, disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara dos Deputados e ficou como segunda suplente pelo PL.
Ela conta que ganhou projeção política por meio das redes sociais, onde passou a compartilhar críticas à esquerda e a relatar sua mudança de posicionamento ideológico.
“Eu sou uma mulher de direita, sou ex-petista, já trabalhei em dois governos da esquerda, é por isso que o meu perfil (nas redes sociais) alavancou tanto. Ali eu vi que a esquerda era uma grande mentira. No início da minha ascensão, quando eu tava ali por volta de uns 200 mil seguidores, o PL me chamou. Hoje eu tenho 1,8 milhão só no Instagram. Tudo neste ano.”
Tatiane Costa (PL) — vereadora de Sorocaba
Tatiane Costa (PL) | Reprodução/Redes sociais
Vereadora de Sorocaba, no interior de São Paulo, Tatiane Costa (PL) disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara dos Deputados, mas não foi eleita.
Pianista, ela conta que começou a se posicionar politicamente durante a universidade e que enfrentou conflitos em razão de suas opiniões.
“Desde a universidade que eu descobri que era de direita, porque minha família é uma família cristã conservadora, mas a gente não falava sobre política. E quando eu entrei numa universidade pública, eu achava que eu só ia tocar piano ali e tive vários confrontos. Quando eu acabei falando que era de direita, foi uma perseguição, os professores falavam para eu ficar quieta, os alunos me perseguindo”, afirmou.
Tatiane relata que criou um perfil nas redes sociais dedicado à política, além da conta que já mantinha como pianista. Segundo ela, a repercussão dos vídeos provocou ameaças relacionadas à sua participação em uma orquestra.
“Eu tinha um Instagram de pianista, e fiz um Instagram também pra falar sobre política, mas assim, sem pretensão alguma. Os vídeos começaram a viralizar, até que chegou no pessoal da orquestra, e aí eles falaram: ‘Olha, você foi longe demais, até hoje ficamos nas ameaças, mas se você voltar pra orquestra, você vai apanhar, vamos te dar uma rasteira e tudo mais’”, contou.
"A Voz das Mulheres": os desafios de ocupar a políticaNova série do SBT News destaca os obstáculos para ampliar a presença feminina em parlamentos no país, além de episódios de agressão Eleições2026-10-13T23:33:12.555Z“Quando uma mulher chega no Parlamento, seu corpo, sua roupa e sua aparência são sempre assunto.” É assim que a deputada estadual reeleita por São Paulo Mônica Seixas (PSOL) descreve um dos desafios enfrentados pelas mulheres que ocupam espaços de poder. Ao longo da campanha eleitoral, o SBT News acompanhou a trajetória de nove mulheres que disputaram vagas na Câmara dos Deputados e na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). De diferentes partidos e posições ideológicas, elas compartilham experiências de construção de bases eleitorais, questionamentos sobre a capacidade profissional e episódios de violência verbal ou ameaças relacionados à atuação política. No primeiro episódio da série “A Voz das Mulheres”, as participantes contam suas histórias e relatam situações em que foram julgadas pela aparência. Nos outros três episódios, exibidos no News Noite, elas abordam as dificuldades enfrentadas ao longo da carreira, episódios de violência e os obstáculos à ampliação da presença feminina nos espaços de poder. A participação das mulheres na política brasileira ainda é desproporcional à presença delas no eleitorado. Embora representem 52,84% dos eleitores, as mulheres ocupam uma parcela significativamente menor dos cargos legislativos. Na eleição de 2026 para a Câmara dos Deputados, 109 mulheres conquistaram cadeiras, o equivalente a cerca de 21% dos 513 parlamentares. No Senado, 12 mulheres foram eleitas entre as 54 vagas em disputa. Com isso, a bancada feminina passará a contar com 18 senadoras, o equivalente a 22% das 81 cadeiras. Entre as 20.560 candidaturas registradas para cargos dos poderes Legislativo e Executivo, 7.165 eram de mulheres (34,85%), enquanto 13.395 eram de homens (65,15%). Conheça as nove mulheres acompanhadas pela série Mônica Seixas (PSOL) — deputada estadual reeleita Reeleita deputada estadual por São Paulo, Mônica Seixas (PSOL) iniciará seu terceiro mandato. Ela afirma que o julgamento da aparência das mulheres não se limita às campanhas eleitorais, mas também está presente no cotidiano do Parlamento. “Quando uma mulher chega no parlamento, seu corpo, sua roupa e sua aparência é sempre o assunto. Porque a mulher é um corpo, a mulher é um corpo que é lido como a serviço do outro, para agradar o outro. Eu preciso que a minha presença seja gentil, agradável e dentro de um padrão de beleza do outro. Mas eu não estou concorrendo a um concurso de beleza. Eu estou discutindo política”, disse. Mônica Rosenberg (PSD) — candidata a deputada estadual A advogada Mônica Rosenberg disputou uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo pelo PSD, mas não foi eleita. Com atuação na área de compliance da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), ela conta que decidiu entrar na política para sair da própria zona de conforto. “Eu estava no meu trabalho, olhando a política se destruindo, não podia dizer ‘não, eu não vou participar’. Eu sou uma radical de centro. Eu acredito muito que o caminho do centro, que não é o mais ou menos, não é o em cima do muro, são propostas técnicas, são propostas que saem da gritaria dos extremos”, afirmou. Durante a campanha, Rosenberg relata ter recebido comentários sobre a aparência, inclusive de pessoas que poderiam contribuir financeiramente para sua candidatura. “Eu já tive doador que me disse: ‘Ai, mas com esse cabelo branco, veja bem, você não quer pintar?’ E é alguém para quem você está pedindo dinheiro. Teve outro homem que me falou: ‘Você não quer alisar o seu cabelo? Porque seu cabelo cacheado fica parecendo que você é de esquerda’.” Para a advogada, esse tipo de comentário desvia a atenção das propostas que apresenta. “Eu tenho propostas seríssimas, eu tenho propostas importantes, eu tenho uma proposta de uma agência de combate à máfia, uma agência de combate à corrupção, de evitar a prevenção de feminicídios. São propostas seríssimas, mas as pessoas querem discutir o meu cabelo”, contou. Raquel Gallinati (PSD) — candidata a deputada estadual Delegada da Polícia Civil de São Paulo, Raquel Gallinati (PSD) disputou uma vaga na Assembleia Legislativa, mas não foi eleita. Em 2016, tornou-se a primeira mulher a presidir o Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo. Segundo ela, a experiência na representação da categoria contribuiu para a decisão de disputar um cargo eletivo, com o objetivo de ampliar sua atuação na área da segurança pública. “Eu me vejo como uma mulher de direita, mas que defendo pautas que, historicamente, disseram ser de esquerda. Tenho muito orgulho de falar que uma das minhas bandeiras é uma segurança pública de excelência e mais igualdade e mais defesa para mulheres”, afirmou. Gallinati também relata um episódio em que sua aparência foi destacada durante uma reunião de delegados, apesar da função que exercia como representante da categoria. “Eu era a presidente do Sindicato, uma reunião apenas de delegados. Eu era a única que legitimamente representava todos os delegados e não fui chamada à mesa de discussão. Depois de já uns 10 minutos de discussão, eu estava na plateia, um delegado teve a brilhante ideia de pegar o microfone e falar: ‘Nossa, esquecemos de chamar a nossa presidente delegada Raquel. Por favor, venha a esta mesa para embelezar esta mesa’.” A delegada conta que aproveitou a situação para questionar o comentário. “Tive a oportunidade de falar que ‘aqui o meu propósito, a minha presença não é por ser um adorno aos seus olhos, mas por falar em nome dos delegados de polícia no âmbito do Estado’. Claro que elogios são extremamente bem-vindos, mas de forma pertinente. Quando são elogios exacerbados, não pela sua atuação profissional, mas por algo supérfluo, é uma tentativa invisível de te desqualificar como profissional”, afirmou. Guida Calixto (PT) — vereadora de Campinas Vereadora de Campinas, no interior de São Paulo, Guida Calixto (PT) está no segundo mandato. Ela disputou uma vaga na Câmara dos Deputados, mas não foi eleita. Servidora pública, advogada e militante sindical, Guida afirma que sua trajetória política está ligada à defesa do serviço público e dos direitos dos trabalhadores. “Eu sou militante sindical, sou servidora pública, advogada, tenho uma atuação junto aos servidores, na luta pelo serviço público, enfim. O grupo político que eu milito dentro do PT entendeu que eu era o melhor perfil, sou o melhor perfil para poder representar nesses espaços de poder”, disse. Adriana Ventura (Novo) — deputada federal reeleita A deputada federal Adriana Ventura (Novo) foi reeleita para seu terceiro mandato. Professora universitária, ela conta que iniciou sua trajetória eleitoral em 2018, quando ainda não tinha grande alcance nas redes sociais. Segundo a parlamentar, a campanha cresceu gradualmente, com a participação de apoiadores e a construção de uma base eleitoral. “Minha campanha cresceu, muitas pessoas ajudaram. Eu realmente parti do zero na política. E olha que eu sou professora universitária há 20 anos, então não é tão zero assim, porque ainda você tem relações”, afirmou. Neon Cunha (PT) — candidata a deputada estadual Funcionária pública de São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, Neon Cunha (PT) disputou pela terceira vez uma vaga na Assembleia Legislativa, mas não foi eleita. Mulher negra e trans, ela relaciona sua trajetória política às experiências pessoais e à busca por maior inclusão nos espaços de representação. “Eu sou uma funcionária pública de 44 anos. Eu começo, na verdade, em 1982, eu vejo a transformação sociopolítica do Brasil que não nos inclui. E sendo uma filha negra, trans, expulsa de casa, que encontra essa mãe às escondidas, para discutir sobrevivência, estrutura de vida, isso me dá uma responsabilidade”, contou. Luciana Lippi (União Brasil) — candidata a deputada estadual Influenciadora digital, Luciana Lippi (União Brasil) ganhou visibilidade nas redes sociais com vídeos sobre política, especialmente os gravados na Avenida Paulista, em São Paulo. Professora da área da saúde, ela conta que a participação no debate político a levou a disputar cargos eletivos. Em 2024, concorreu a vereadora em Santana de Parnaíba pelo Novo. Posteriormente, filiou-se ao União Brasil, partido pelo qual disputou uma vaga na Assembleia Legislativa. “Sou professora na área da saúde, de farmacêutica e toxicologia. Era um lugar que eu tinha meu local de fala e eu amava a sala de aula, mas a minha formação politizada foi me colocando, me fazendo uma trajetória para um outro lugar. Eu fui candidata a vereadora em 2024 na cidade de Santana de Parnaíba, onde eu moro. Eu fui candidata naquele momento pelo Partido Novo e hoje estou no União Brasil”, disse. Babi Mendes (PL) — segunda suplente de deputada federal A empresária Bárbara Mendes, conhecida como Babi Mendes, disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara dos Deputados e ficou como segunda suplente pelo PL. Ela conta que ganhou projeção política por meio das redes sociais, onde passou a compartilhar críticas à esquerda e a relatar sua mudança de posicionamento ideológico. “Eu sou uma mulher de direita, sou ex-petista, já trabalhei em dois governos da esquerda, é por isso que o meu perfil (nas redes sociais) alavancou tanto. Ali eu vi que a esquerda era uma grande mentira. No início da minha ascensão, quando eu tava ali por volta de uns 200 mil seguidores, o PL me chamou. Hoje eu tenho 1,8 milhão só no Instagram. Tudo neste ano.” Tatiane Costa (PL) — vereadora de Sorocaba Vereadora de Sorocaba, no interior de São Paulo, Tatiane Costa (PL) disputou pela primeira vez uma vaga na Câmara dos Deputados, mas não foi eleita. Pianista, ela conta que começou a se posicionar politicamente durante a universidade e que enfrentou conflitos em razão de suas opiniões. “Desde a universidade que eu descobri que era de direita, porque minha família é uma família cristã conservadora, mas a gente não falava sobre política. E quando eu entrei numa universidade pública, eu achava que eu só ia tocar piano ali e tive vários confrontos. Quando eu acabei falando que era de direita, foi uma perseguição, os professores falavam para eu ficar quieta, os alunos me perseguindo”, afirmou. Tatiane relata que criou um perfil nas redes sociais dedicado à política, além da conta que já mantinha como pianista. Segundo ela, a repercussão dos vídeos provocou ameaças relacionadas à sua participação em uma orquestra. “Eu tinha um Instagram de pianista, e fiz um Instagram também pra falar sobre política, mas assim, sem pretensão alguma. Os vídeos começaram a viralizar, até que chegou no pessoal da orquestra, e aí eles falaram: ‘Olha, você foi longe demais, até hoje ficamos nas ameaças, mas se você voltar pra orquestra, você vai apanhar, vamos te dar uma rasteira e tudo mais’”, contou.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/eleicoes/a-voz-das-mulheres-os-desafios-de-ocupar-a-politica
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