Economia

Mercosul-UE: missão conclui planos para setores estratégicos

Iniciativa liderada pela ApexBrasil e ministérios encerra semana de imersão com estratégias para impulsionar negócios aproveitando vigência provisória do acordo

Avatar de Soane Guerreiro, enviada especial a Bruxelas
Soane Guerreiro, enviada especial a Bruxelas
Bandeiras da União Europeia, do Mercosul e do Brasil | Reprodução

Bandeiras da União Europeia, do Mercosul e do Brasil | Reprodução

​Terminou nesta sexta-feira (16), em Bruxelas, na Bélgica, a missão oficial do governo brasileiro que reuniu representantes e empresários de oito setores produtivos com o objetivo de traçar planos de trabalho práticos e abrir novos mercados na Europa. A semana de imersão, coordenada pela ApexBrasil em conjunto com os ministérios do Desenvolvimento (MDIC), Relações Exteriores (MRE) e Agricultura (MAPA).

As agendas envolveram os complexos de móveis e madeira, máquinas e equipamentos, moda, café, rochas naturais, frutas frescas e processadas, sociobiodiversidade e bioenergia, todos focados em capitalizar as oportunidades de desoneração tarifária e atração de investimentos abertas pelo Acordo de Associação Mercosul–União Europeia. As atividades também incluíram um jantar com a presença de deputados do Parlamento Europeu.

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​Segundo a diretora de Negócios da ApexBrasil, Maria Paula Velloso, o saldo da mobilização é positivo.

“Foi uma semana de imersão aqui em Bruxelas onde a gente trouxe setores específicos que têm oportunidades para vender após o acordo aqui na Europa. [...] A gente conseguiu trazer os principais pontos de como a gente poderia aproveitar melhor esse acordo e sair daqui com um plano de trabalho pronto para execução e para vender mais aqui na Europa”, destacou a diretora.

Ela explicou ainda que alguns setores têm parcerias com a Agência pelos próximos anos, por isso horizonte das ações é de médio prazo: “A gente está focando nas ações de 2027, mas você tem convênios que vão até 2028, também vai estar contemplado no plano as ações de 2028”.

​Ao analisar os resultados concretos que o tratado já vem apresentando ao longo do ano corrente, dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) e da ApexBrasil revelam que a vigência comercial provisória gerou cerca de US$ 7,4 bilhões a mais para as exportações brasileiras apenas de janeiro a setembro. Dentre os mais de 9 mil produtos abrangidos pelo acordo, aproximadamente 5 mil itens já entraram imediatamente em regime de tarifa zero, ampliando a rentabilidade em setores manufatureiros e aliviando custos de fornecimento no mercado comum europeu. O segmento do agronegócio, que representou metade dos oito setores presentes na capital belga, também registros números expressivos.

Em entrevista ao SBT News, o gerente de Agronegócios da ApexBrasil, Pedro Netto, revelou que os embarques agropecuários brasileiros para a Europa cresceram 15% desde a entrada em vigor provisória das regras em maio, saltando de US$ 10,5 bilhões para US$ 12 bilhões. Netto frisou que o crescimento beneficia produtores de ponta a ponta na cadeia nacional:

“No pessoal do mel, por exemplo, que é uma cadeia de produtor pequeno do Nordeste e do Sul, as exportações para a Europa subiram de 2 para 11 milhões de dólares nesses meses em que o acordo está em vigor. No pessoal de café torrado e café solúvel, subiram de 67 para 80 milhões, um produto com agregação de valor que gera mais emprego no nosso país”, detalhou.

​Para além do incremento nas vendas, um dos principais eixos dos debates concentrou-se na superação de barreiras regulatórias e na desmistificação de preconceitos em torno da produção agrícola nacional. Segundo o gerente, muitos entraves decorrem de desconhecimento técnico: “A gente tem que mostrar que tem uma agricultura tropical, que é muito diferente da deles. Eles têm uma safra por ano, e no Brasil a gente consegue ter três. Isso significa na prática, por exemplo, que o etanol brasileiro não tira alimento da terra, porque tem outra safra na sequência”.

A missão trabalhou para posicionar o produto brasileiro como sustentável e indispensável para as metas climáticas do continente: “O consumidor europeu quer comprar alimento de qualidade, quer comprar alimento barato e está vendo que o Brasil é um parceiro da Europa na questão de alimentos, na questão da energia, nas fibras e no agro em geral”, afirmou Netto.

​A comitiva destacou também que a tarifa aduaneira reduzida é apenas o ponto de partida de uma estratégia de inserção mais ampla. Como enfatizou Maria Paula Velloso, “a tarifa sozinha não vai resolver; lógico que ela abre portas, mas existe todo um trabalho de competitividade que o Brasil precisa perseguir para construir pontes, parcerias e complementaridade”.

A diretora ressaltou que esse esforço contou com o alinhamento unificado dos Setores de Promoção Comercial (SECOMs) das embaixadas e adidos agrícolas, que atuaram como "antenas" avançadas para mapear canais de distribuição e integrar a oferta do país às novas exigências e oportunidades de imagem do mercado europeu.

​Por fim, os encontros em Bruxelas que possibilitam a aproximação entre lideranças empresariais do Mercosul e europeias — chancelada pelo fórum industrial conjunto e pelo diálogo com eurodeputados no Parlamento Europeu — evidenciam que a pauta econômica entre os dois blocos econômicos caminha para a discussão de temas transversais, como a transição energética e acordos voltados para a exploração de minerais críticos.

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