Indústrias de moda e café tentam ganhar mercado na Europa
Associações participam de rodadas técnicas na Bélgica para acelerar desgravação tributária e destravar exigências socioambientais.
Soane Guerreiro, enviada especial a Bruxelas
Tarifa dos EUA sobre o café brasileiro preocupa produtores | Reprodução
Representantes dos setores brasileiros de moda, calçadista, indústria têxtil e café intensificaram suas estratégias comerciais em Bruxelas, na Bélgica, para capitalizar os efeitos positivos do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Reunidos nesta semana em mesas setoriais organizadas pela ApexBrasil, dirigentes das cadeias buscam ampliar as vendas em um bloco econômico de 720 milhões de consumidores e de alta renda.
A indústria calçadista e de moda nacional — representada pela Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias e Comercio de Calçados), CICB (Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil), Abit(Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) e Abest (Associação Brasileira de Estilistas) — mira a expansão de negócios em regiões da Europa. Parte significativa do mercado da moda foi afetada pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
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A indústria de calçados, por exemplo, foi taxada em 37,5% pelo governo norte-americano e viu as exportações reduzirem quase 24% de janeiro a setembro desde ano. Em contrapartida, desde que o acordo com a União Europeia entrou em vigor, o comércio com o bloco cresceu.
Haroldo Ferreira, presidente da Abicalçados, destacou que os embarques aos países europeus cresceram 17,5% de maio a setembro deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, revertendo retrações acumuladas nos primeiros meses de 2026.
Ele ainda destaca que, embora 10% das exportações brasileiras de calçados já se destinem à União Europeia, o produto nacional responde por apenas 1% do total importado pelos 27 países membros.
Para transformar a redução de custos em embarques recorrentes, não só os representantes da indústria calçadista como também as entidades do complexo de moda formataram um plano de 27 ações de promoção comercial, englobando participação em feiras renomadas na Itália, França e Espanha, além de rodadas de negócios voltadas a marcas próprias. O posicionamento aposta em qualidade, resposta rápida e na certificação "Origem Sustentável" como elementos centrais de diferenciação frente aos concorrentes asiáticos.
Setor cafeeiro
O segmento cafeeiro, que chegou a ser afetado pelo tarifaço, mas conseguiu a reversão, é responsável por movimentar US$ 7 bilhões anuais no mercado europeu e vê o Acordo Mercosul–UE como oportunidade para alavancar cafés industrializados (solúveis, torrados e moídos), historicamente onerados por alíquotas de até 9%.
O CEO do Cecafé, Marcos Matos, apontou que o cronograma de cinco anos para zerar essas tarifas abre caminho não apenas para expandir vendas, mas para receber investimentos em plantas produtivas locais, dada a sobrecarga do parque fabril na Europa. O setor conta com uma plataforma própria de monitoramento socioambiental de 265 mil produtores de café no Brasil para atestar neutralidade de carbono e atender às exigências do Pacto Verde Europeu e do ajuste de fronteira de carbono (CBAM).
Entre as ações para promover o segmento cafeeiro está a participação eventos globais e nacionais, além da organização de grandes eventos para celebrar o marco dos 300 anos do café no Brasil, em 2027.
A agenda desenvolvida na capital belga reforça que a queda nas tarifas alfandegárias é o ponto de partida de um trabalho mais profundo de diplomacia corporativa. Para os porta-vozes do setor, o grande desafio consiste em fazer valer os bancos de dados oficiais do Brasil diante dos critérios de rastreabilidade europeus e alinhar a produção do país às especificações europeias.
Indústrias de moda e café tentam ganhar mercado na EuropaAssociações participam de rodadas técnicas na Bélgica para acelerar desgravação tributária e destravar exigências socioambientais.Economia2026-10-13T19:51:14.491ZRepresentantes dos setores brasileiros de moda, calçadista, indústria têxtil e café intensificaram suas estratégias comerciais em Bruxelas, na Bélgica, para capitalizar os efeitos positivos do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Reunidos nesta semana em mesas setoriais organizadas pela ApexBrasil, dirigentes das cadeias buscam ampliar as vendas em um bloco econômico de 720 milhões de consumidores e de alta renda.
A indústria calçadista e de moda nacional — representada pela Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias e Comercio de Calçados), CICB (Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil), Abit(Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção) e Abest (Associação Brasileira de Estilistas) — mira a expansão de negócios em regiões da Europa. Parte significativa do mercado da moda foi afetada pelo tarifaço imposto pelos Estados Unidos. A indústria de calçados, por exemplo, foi taxada em 37,5% pelo governo norte-americano e viu as exportações reduzirem quase 24% de janeiro a setembro desde ano. Em contrapartida, desde que o acordo com a União Europeia entrou em vigor, o comércio com o bloco cresceu. Haroldo Ferreira, presidente da Abicalçados, destacou que os embarques aos países europeus cresceram 17,5% de maio a setembro deste ano, em comparação com o mesmo período do ano passado, revertendo retrações acumuladas nos primeiros meses de 2026. Ele ainda destaca que, embora 10% das exportações brasileiras de calçados já se destinem à União Europeia, o produto nacional responde por apenas 1% do total importado pelos 27 países membros. Para transformar a redução de custos em embarques recorrentes, não só os representantes da indústria calçadista como também as entidades do complexo de moda formataram um plano de 27 ações de promoção comercial, englobando participação em feiras renomadas na Itália, França e Espanha, além de rodadas de negócios voltadas a marcas próprias. O posicionamento aposta em qualidade, resposta rápida e na certificação "Origem Sustentável" como elementos centrais de diferenciação frente aos concorrentes asiáticos.
Setor cafeeiro
O segmento cafeeiro, que chegou a ser afetado pelo tarifaço, mas conseguiu a reversão, é responsável por movimentar US$ 7 bilhões anuais no mercado europeu e vê o Acordo Mercosul–UE como oportunidade para alavancar cafés industrializados (solúveis, torrados e moídos), historicamente onerados por alíquotas de até 9%. O CEO do Cecafé, Marcos Matos, apontou que o cronograma de cinco anos para zerar essas tarifas abre caminho não apenas para expandir vendas, mas para receber investimentos em plantas produtivas locais, dada a sobrecarga do parque fabril na Europa. O setor conta com uma plataforma própria de monitoramento socioambiental de 265 mil produtores de café no Brasil para atestar neutralidade de carbono e atender às exigências do Pacto Verde Europeu e do ajuste de fronteira de carbono (CBAM). Entre as ações para promover o segmento cafeeiro está a participação eventos globais e nacionais, além da organização de grandes eventos para celebrar o marco dos 300 anos do café no Brasil, em 2027. A agenda desenvolvida na capital belga reforça que a queda nas tarifas alfandegárias é o ponto de partida de um trabalho mais profundo de diplomacia corporativa. Para os porta-vozes do setor, o grande desafio consiste em fazer valer os bancos de dados oficiais do Brasil diante dos critérios de rastreabilidade europeus e alinhar a produção do país às especificações europeias. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/industrias-de-moda-e-cafe-tentam-ampliar-vendas-na-europa
Obra reúne textos e desenhos de 37 crianças e adolescentes atendidos pelo projeto Leitura Amiga, que incentiva contato com literatura em serviços de acolhimento