Imóvel usado para salvar BRB vale agora menos da metade do valor de custo
Governo de Brasília gastou R$ 1 bilhão nos valores de 2009; Terracap avalia empreendimento agora em R$ 491 milhões


Cézar Feitoza
A Terracap avaliou em R$ 491 milhões o Centrad (Centro Administrativo do Distrito Federal), imóvel que o governo Ibaneis Rocha (MDB) avalia vender para salvar o BRB (Banco de Brasília).
O valor representa menos da metade do que foi gasto pelo Governo de Brasília para levantar o prédio, há mais de uma década —R$ 1 bilhão nos valores de 2009. O Centrad nunca foi inaugurado.
A estimativa do valor foi apresentada pelo presidente do BRB, Nelson Antônio de Souza, aos deputados distritais durante reunião nesta segunda-feira (2).
O documento mostra que a construção pode ter destinação diversa, como uso comercial, prestação de serviços, institucional e industrial.
O terreno tem área de 97.891,47 m². Sua venda depende de autorização da Câmara Legislativa do DF, e o dirigente do BRB tenta convencer os deputados distritais a apoiar a transação.
R$ 4,2 bilhões em imóveis
O Governo de Brasília apresentou à Câmara Legislativa uma lista com nove imóveis que podem ser vendidos para envio dos valores ao BRB.
Somados, os imóveis valem R$ 4,28 bilhões.
Infiltração e desvalorização
Em 2022, o Centrad era avaliado pela mesma Terracap em R$ 600 milhões. De lá para cá, houve desvalorização do imóvel por problemas diversos.
O Centrad tem problemas de infiltração, hidráulicos e precisaria de manutenções gerais.
Disputa na Justiça
O Centrad foi construído em uma parceria público privada entre o Governo de Brasília e um consórcio formado pela Via Engenharia e Odebrecht.
A ideia era que o novo Centro Administrativo fosse a sede do governo do DF. Em 2015, porém, o Ministério Público se manifestou contra o uso do Centrad, por suspeitas de irregularidades.
A Operação Lava Jato revelou que as negociações envolvendo o Centrad envolveram repasses para caixa dois de campanhas eleitorais e acordos de mercado.
Outro impedimento para o uso do prédio foi um processo na Justiça em que as empreiteiras pediam ressarcimento sob o argumento de ter gasto cerca de R$ 1,5 bilhão para construir o imóvel.










