Economia

"O Brasil não prejudica as empresas norte-americanas com pagamentos digitais eletrônicos”, diz Roberto Azevêdo

Ex-diretor da OMC representou a indústria brasileira em audiência pública nos EUA sobre investigação americana por práticas desleais no comércio

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Patrícia Vasconcellos
03/09/2025, 21:36 • Atualizado em 03/09/2025, 23:27
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"O Brasil não prejudica as empresas norte-americanas com pagamentos digitais eletrônicos”, diz Roberto Azevêdo

Washington DC - Na audiência pública realizada nesta quarta-feira (3) na Comissão Internacional do Comércio Exterior norte-americano, cada orador teve cinco minutos para apresentar sua defesa.

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A Confederação Nacional da Indústria (CNI), foi representada pelo embaixador e ex-diretor da OMC Roberto Azêvedo. Segundo ele, a participação brasileira na audiência pública teve dois objetivos: mostrar que há espaço para negociar e apresentar, formalmente, a defesa.

"Fundamentar com evidências. Não sabemos o futuro… Vai que temos que terminar numa corte americana tendo que defender os resultados que foram alcançados com esta investigação. Então tem que ter tudo nos autos”, disse Azevêdo.

Em uma conversa com jornalistas após a apresentação, o ex-diretor da OMC disse que, nos Estados Unidos, há com frequência uma “cultura do litígio”.

“Se você não consegue as coisas numa via você vai para as cortes e nós temos que estar preparados para isso”.
Roberto Azevêdo em conversa com jornalistas em Washington
Roberto Azevêdo em conversa com jornalistas em Washington

Roberto Azevêdo também afirmou que acha possível haver espaço para uma redução das tarifas para produtos exportados a depender do que for colocado sobre a mesa.

“Acho que sim, que há espaço para chegarmos a um entendimento que abaixe as tarifas em determinado momento. Tudo vai depender de como estas conversas vão evoluir, das barganhas que possam aparecer. E acho que há muita coisa que pode ser colocada sobre a mesa que vai levar a uma recalibragem do que foi feito ate agora. Por exemplo repensar nas tarifas”, afirmou.

Na defesa apresentada diante da Comissão de Comércio, o representante da CNI afirmou que “o Brasil não prejudica a competição das empresas norte americanas com pagamentos digitais eletrônicos”. Roberto Azevêdo também disse, em discurso, que “as leis brasileiras tentam atingir um balanço entre inovação tecnológica e aproximação de livre comércio com direitos de privacidade”.

O embaixador também defendeu que o Brasil “oferece um sistema de pagamento rápido e efetivo parecido ao do FED (Federal Reserve)”. Foi uma resposta à linha do texto de acusação na investigação comercial aberta em julho que cita os “pagamentos eletrônicos” como práticas desleais. Uma descrição entendida como referência ao Pix.

Na conversa com a imprensa, Azevêdo falou também em parcerias apesar do momento político divergente entre as duas nações. Ele citou o exemplo dado pelo presidente da CNI, Antonio Ricardo Alvarez Alban, de que Estados Unidos e Brasil possam, por exemplo, mapear conjuntamente as terras raras brasileiras.

Ainda na tarde desta quarta-feira o presidente da CNI, Ricardo Alban, e Roberto Azevêdo, se reuniram com o "número 2" do Departamento de Estado, e ouviram que os EUA estão abertos a conversaram mas a solução para as tarifas é política.

O café brasileiro

Entre os produtos que entraram na lista de isenções da cobrança dos cinquenta por cento para ingressar nos Estados Unidos, o café ficou de fora. O produto brasileiro segue taxado com o maior índice anunciado por Donald Trump.

Na defesa apresentada durante a audiência pública desta quarta, o representante dos cafeicultores brasileiros pontuou que 70% dos norte-americanos consomem café e que uma porcentagem ínfima do que eles compram e saboreiam é produzida nos Estados Unidos.

“Podemos organizar uma rede de produção transparente e eficiente capaz de atender as necessidades dos norte americanos para garantir a oferta sustentável à população dos Estados Unidos”, afirmou.

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