Economia

Governo deve editar medida provisória para evitar aumento na conta de energia, diz Randolfe

Entidade alerta que derrubada de vetos no Congresso pode pesar no bolso dos brasileiros e elevar a conta de energia em 3,5%

Avatar de Rafael Porfírio
Rafael Porfírio
Conta de Luz | Reprodução

Conta de Luz | Reprodução

O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso Nacional, anunciou que o Palácio do Planalto deve editar uma medida provisória (MP) para impedir que aumentos na conta de luz cheguem à população, após a derrubada de vetos no projeto das eólicas offshore no Legislativo.

"Um eventual impacto na conta de luz dos brasileiros vai ser objeto de uma MP que o governo vai editar dentro em pouco e vai encaminhar aqui ao Congresso Nacional, para equalizar, que não ocorra nenhum tipo de impacto na conta de luz dos brasileiros", disse, em entrevista depois da sessão.
SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT,Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung, LG e Roku.

Siga no Google Discover

A MP deve ser discutida em reuniões ao longo desta quarta-feira (18), entre os ministros da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT-PR), e da Casa Civil, Rui Costa. O presidente do Congresso e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), também deve participar.

Importante lembrar: uma medida provisória tem efeito imediato assim que é publicada, mas precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado pra continuar valendo. Se não passar, perde a validade.

O que são eólicas offshore?

Energia eólica é aquela gerada pelos ventos, os famosos cataventos gigantes que a gente vê em alguns estados. Quando essas turbinas são instaladas no mar, bem longe da costa, elas ganham o nome de offshore. Como os ventos no oceano são mais fortes e constantes, a produção de energia é maior, limpa, renovável e sem poluir o meio ambiente.

O projeto de lei que trata dessas usinas acabou sendo recheado com "jabutis", trechos que não têm relação direta com o tema principal, mas que foram incluídos durante a tramitação.

O que aconteceu no Congresso?

A fala de Ranfolfe Rodrigues veio após os parlamentares derrubarem os vetos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e revalidarem trechos que que tratavam da prorrogação de contratos do Proinfa, o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia.

Também foram derrubados vetos sobre a contratação de capacidade e energia associada de hidrelétricas, energia gerada a partir de hidrogênio líquido e eólicas, além do adiamento da contratação de energia e da compensação de valores previstos para contratação. Tudo isso voltou a valer com a canetada do Legislativo e é justamente esse pacote que o governo agora vai tentar reverter.

Randolfe minimizou o impacto de alguns pontos, como a prorrogação do Proinfa, mas admitiu que a liberação das PCHs pode, sim, provocar aumento nas tarifas. Ele também garantiu que o governo não cogita aumento de impostos para bancar o rombo.

Segundo o senador, a ideia inicial era editar a MP antes da votação dos vetos, mas, segundo o senador, não houve acordo político a tempo.

Ficou para depois a análise de vetos que obrigam a contratação de termelétricas a gás e carvão, que também estavam no projeto. O governo sabe que pode sofrer nova derrota, por isso abriu negociações e deve tratar do tema também via medida provisória.

Setor reage

As projeções da Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE) apontam que essas medidas podem gerar um custo de até R$ 197 bilhões em 25 anos, o que pode representar um aumento médio de 3,5% na conta de luz. Análise técnica elaborada pela FNCE indica que pode haver inconstitucionalidade nos "jabutis" aprovados no Legislativo.

"A FNCE avalia possível ação junto ao Supremo Tribunal Federal (STF), o que põe em xeque a segurança jurídica do marco regulatório recém aprovado", destaca a nota da entidade. "Alerta para os investidores que planejavam se instalar e gerar empregos no Brasil. Perigo para toda a indústria, comércio e consumidores residenciais que verão impacto no preço dos produtos e serviços, e na inflação."

Últimas notícias