Dólar fecha abaixo de R$ 5 e acumula queda de 0,56% na semana
Dólar à vista renovou menor nível desde 27 de março de 2024, refletindo a melhora na percepção de risco global com negociações no Oriente Médio


Exame.com
O dólar à vista fechou nesta sexta-feira (17), em baixa de 0,19%, a R$ 4,9833, após oscilar entre R$ 4,9508 e R$ 4,9922. Na semana, a moeda recuou 0,56% e voltou a operar abaixo dos R$ 5 pela primeira vez em mais de dois anos, depois de tocar esse patamar na segunda-feira.
Encerradas as negociações, o dólar à vista renovou o menor nível desde 27 de março de 2024, refletindo a melhora na percepção de risco global em meio ao avanço das negociações no Oriente Médio e à reabertura do Estreito de Ormuz.
Ao longo do dia, o movimento da moeda acompanhou o ambiente externo mais favorável, com investidores reagindo à sinalização de um possível acordo entre Irã e Estados Unidos e à reabertura do Estreito de Ormuz, após anúncio do governo iraniano.
O tráfego de navios pela principal rota global de petróleo foi normalizado, e há expectativa de um encontro presencial entre delegações dos dois países na próxima segunda-feira, no Paquistão. O ministro das Relações Exteriores do país, Seyed Abbas Araghchi, afirmou que o tráfego comercial seguirá liberado até o fim do cessar-fogo, previsto para a próxima quarta-feira, 22.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou no entanto que, apesar da reabertura do estreito, o bloqueio naval contra o Irã continuará até a conclusão total das negociações.
O que está por trás da queda do dólar nesta semana
A sinalização mantém parte das incertezas no horizonte, mas ainda o ambiente global é de maior apetite ao risco, o que beneficia o dólar, de acordo com William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue. Segundo ele, a queda da moeda americana reflete uma tendência que já vinha se consolidando desde o início de abril.
“O que a gente tem visto é uma procura maior por ativos de risco. Com bolsas americanas renovando máximas e o índice de volatilidade (VIX) em queda, há um ambiente mais favorável para moedas emergentes”, afirma.
Na avaliação do estrategista, a possibilidade de cessar-fogo no Oriente Médio funcionou como catalisador adicional desse movimento, reforçando o fluxo para ativos fora dos Estados Unidos. “Essa trégua e a perspectiva de um desfecho positivo para o conflito foram alimentando esse apetite por risco ao longo dos dias”, diz.
Castro Alves destaca que o real acompanhou o desempenho de outras moedas emergentes no período. “Desde o fim de março, o dólar caiu cerca de 5% frente ao real, mas esse movimento também foi observado em moedas como o peso mexicano, colombiano e chileno”, afirma.
Para ele, o pano de fundo é um redirecionamento global de fluxos iniciado ainda em 2025, com investidores buscando alternativas fora dos Estados Unidos, diante de valuations mais atrativos e juros elevados em países como o Brasil.
“Não houve um fator estrutural doméstico que explicasse sozinho esse movimento. Foi uma continuidade de um fluxo global, que ganhou força com a melhora recente no cenário geopolítico”, diz.









