CNI alerta que 77,8% das exportações brasileiras aos EUA são afetadas por tarifas dos EUA
Confederação cobra ações urgentes do governo; setor calçadista prevê queda nas vendas e risco de até 20 mil demissões
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Jessica Cardoso
06/08/2025, 22:57 • Atualizado em 07/08/2025, 01:05
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A Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou que 77,8% das exportações brasileiras para os Estados Unidos estão sujeitas a alguma taxação adicional. Essa porcentagem considera as três tarifas impostas pelo governo norte-americano ao Brasil desde o início do ano.
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A análise da CNI baseia-se nos decretos assinados por Donald Trump que estabeleceram tarifas de 10% e 40%, além de aplicarem taxas de 25% e 50% a produtos como aço, alumínio, cobre, veículos e autopeças.
Segundo o levantamento, mais da metade das exportações enfrentarão taxas de 50%. A combinação de tarifas de 10% e 40% resulta em uma taxa de 50% que afeta 41,4% da pauta exportadora.
Em 2024, o valor desses bens exportados chegou a US$ 17,5 bilhões. A indústria de transformação, que é o principal segmento de exportação para os EUA, corresponde a 69,9% desse valor.
Setores com o maior número de produtos afetados pela sobretaxa combinada de 50% incluem vestuário e acessórios (14,6%), máquinas e equipamentos (11,2%), produtos têxteis (10,4%), alimentos (9,0%), químicos (8,7%) e couro e calçados (5,7%).
“Esse retrato dá a dimensão do problema enorme que teremos de enfrentar. É urgente avançar em negociações para reverter essas barreiras”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban.
A entidade defende uma resposta articulada entre governo e setor produtivo e encaminhou ao Executivo federal oito propostas emergenciais, entre elas: linha de crédito com juros reduzidos via BNDES, prorrogação do pagamento de tributos e reativação do Programa Seguro-Emprego (PSE).
Além das medidas em vigor, os EUA têm investigações em andamento que podem resultar na aplicação de tarifas adicionais a setores como aeronaves, motores, caminhões, madeira, minerais críticos, produtos farmacêuticos, semicondutores, silício policristalino e sistemas aéreos não tripulados.
Impacto no setor calçadista
O setor calçadista, cujo principal mercado externo são os Estados Unidos, está entre os mais atingidos pela nova tarifa. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) informou em nota que cerca de 80% das empresas exportadoras já relatam prejuízos, como cancelamento de pedidos, interrupção de negociações e queda no faturamento.
Segundo o presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, o impacto imediato nas exportações reforça a urgência de medidas emergenciais para proteger empregos e empresas do setor.
Caso o impasse persista, a estimativa é de que cerca de 8 mil postos de trabalho diretos sejam eliminados nos próximos meses. Considerando toda a cadeia produtiva, do fornecedor de insumos ao varejo, o número pode chegar a 20 mil empregos afetados.
“Estimamos, nos próximos 12 meses, uma queda de 9% nas exportações, como reflexo direto dos embarques para os Estados Unidos”, afirmou Ferreira.
No primeiro semestre de 2025, o Brasil exportou 5,8 milhões de pares de calçados aos EUA, um crescimento de 13,5% em relação ao ano anterior. Com a entrada em vigor da taxa de 50%, esse ciclo de recuperação está ameaçado, segundo a associação.
CNI alerta que 77,8% das exportações brasileiras aos EUA são afetadas por tarifas dos EUAConfederação cobra ações urgentes do governo; setor calçadista prevê queda nas vendas e risco de até 20 mil demissõesEconomia2025-08-06T22:57:22.200ZA Confederação Nacional da Indústria (CNI) alertou que 77,8% das exportações brasileiras para os Estados Unidos estão sujeitas a alguma taxação adicional. Essa porcentagem considera as três tarifas impostas pelo governo norte-americano ao Brasil desde o início do ano. A análise da CNI baseia-se nos decretos assinados por Donald Trump que estabeleceram tarifas de 10% e 40%, além de aplicarem taxas de 25% e 50% a produtos como aço, alumínio, cobre, veículos e autopeças. Segundo o levantamento, mais da metade das exportações enfrentarão taxas de 50%. A combinação de tarifas de 10% e 40% resulta em uma taxa de 50% que afeta 41,4% da pauta exportadora. Em 2024, o valor desses bens exportados chegou a US$ 17,5 bilhões. A indústria de transformação, que é o principal segmento de exportação para os EUA, corresponde a 69,9% desse valor. Setores com o maior número de produtos afetados pela sobretaxa combinada de 50% incluem vestuário e acessórios (14,6%), máquinas e equipamentos (11,2%), produtos têxteis (10,4%), alimentos (9,0%), químicos (8,7%) e couro e calçados (5,7%). “Esse retrato dá a dimensão do problema enorme que teremos de enfrentar. É urgente avançar em negociações para reverter essas barreiras”, afirmou o presidente da CNI, Ricardo Alban. A entidade defende uma resposta articulada entre governo e setor produtivo e encaminhou ao Executivo federal oito propostas emergenciais, entre elas: linha de crédito com juros reduzidos via BNDES, prorrogação do pagamento de tributos e reativação do Programa Seguro-Emprego (PSE). Além das medidas em vigor, os EUA têm investigações em andamento que podem resultar na aplicação de tarifas adicionais a setores como aeronaves, motores, caminhões, madeira, minerais críticos, produtos farmacêuticos, semicondutores, silício policristalino e sistemas aéreos não tripulados. Impacto no setor calçadista O setor calçadista, cujo principal mercado externo são os Estados Unidos, está entre os mais atingidos pela nova tarifa. A Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) informou em nota que cerca de 80% das empresas exportadoras já relatam prejuízos, como cancelamento de pedidos, interrupção de negociações e queda no faturamento. Segundo o presidente-executivo da entidade, Haroldo Ferreira, o impacto imediato nas exportações reforça a urgência de medidas emergenciais para proteger empregos e empresas do setor. Caso o impasse persista, a estimativa é de que cerca de 8 mil postos de trabalho diretos sejam eliminados nos próximos meses. Considerando toda a cadeia produtiva, do fornecedor de insumos ao varejo, o número pode chegar a 20 mil empregos afetados. “Estimamos, nos próximos 12 meses, uma queda de 9% nas exportações, como reflexo direto dos embarques para os Estados Unidos”, afirmou Ferreira. No primeiro semestre de 2025, o Brasil exportou 5,8 milhões de pares de calçados aos EUA, um crescimento de 13,5% em relação ao ano anterior. Com a entrada em vigor da taxa de 50%, esse ciclo de recuperação está ameaçado, segundo a associação. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/economia/cni-alerta-que-77-8-das-exportacoes-brasileiras-aos-eua-sao-afetadas-por-tarifas-dos-eua
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