Economia

Atividade econômica perde força e recua 0,6% em junho

Banco Central aponta recuos na indústria e nos serviços, enquanto a agropecuária avançou 1,0%

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Caio Barcellos
Indústria | Divulgação/José Paulo Lacerda/CNI

Indústria | Divulgação/José Paulo Lacerda/CNI

A atividade econômica brasileira recuou 0,6% em junho na comparação com maio, segundo o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), divulgado nesta segunda-feira (17). Economistas ouvidos pela Reuters projetavam uma retração de 0,53% na comparação mensal.

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A queda foi puxada principalmente pela indústria, que recuou 1,4% no período. Os serviços, que têm o maior peso no indicador, caíram 0,5%, enquanto o componente de impostos considerado no cálculo teve retração de 1,0%. A agropecuária foi o único setor a avançar, com alta de 1,0%.

Quando o agro é retirado do cálculo, o IBC-Br teve queda ainda maior, de 0,9% em relação a maio. Esse recorte representa 93,9% do peso do índice e mostra que a perda de atividade em junho foi concentrada nos demais setores da economia.

Apesar do resultado negativo no mês, o indicador ainda apresentou crescimento no segundo trimestre. Entre abril e junho, o IBC-Br ficou 0,2% acima do registrado nos três primeiros meses do ano. A agropecuária avançou 0,3% nessa comparação e a indústria, 0,5%, enquanto os serviços recuaram 0,1%.

Na comparação com junho de 2025, a atividade econômica cresceu 2,4%, enquanto tanto no primeiro semestre quanto no acumulado dos 12 meses encerrados em junho o avanço foi de 1,5%.

“Apesar do crescimento de 0,2% do IBC-Br no segundo trimestre de 2026, a expectativa é que o PIB cresça 0,5% no mesmo período. A diferença entre os dados decorre de diferenças conceituais, metodológicas e mesmo da periodicidade de apuração dos dois indicadores”, afirmou Gesner Oliveira, professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), sócio da GO Associados

Na avaliação do economista, o quadro de desaceleração também deve entrar nas próximas decisões do BC sobre a taxa básica de juros.

“No conjunto, realmente há uma perspectiva de desaceleração da economia e isso naturalmente será levado em conta no balanço de riscos feito pelo BC, que é fundamental para a determinação da taxa de juros”, disse.

O IBC-Br é calculado mensalmente pelo BC e reúne informações sobre diferentes setores para acompanhar de forma mais rápida a evolução da atividade econômica.

Como é divulgado antes das contas nacionais, o indicador costuma ser considerado uma “prévia” do Produto Interno Bruto (PIB), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), embora utilize um conjunto mais restrito de informações e não corresponda diretamente ao resultado do PIB.

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