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Empreendedoras relatam preconceito e machismo ao buscar investimentos

Além dos desafios, mulheres ainda enfrentam remuneração menor. Nova lei, de equidade, e ESG querem mudar essas situações

Empreendedoras relatam preconceito e machismo ao buscar investimentos
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"Depois da reunião, um dos homens me chamou dizendo que tinha um conselho. Mas, na verdade, era um absurdo. Ele disse: vocês precisam de um homem na equipe para dar mais credibilidade", conta indignada Emily Ewell, CEO da Pantys, uma marca de calcinhas-absorventes laváveis e reutilizáveis que é composta, principalmente, por mulheres.

O machismo, o preconceito quanto à credibilidade, a eficiência ou a disponibilidade -- já que elas podem engravidar e se ausentar -- são apenas alguns dos desafios enfrentadops pelas mulheres ainda hoje. Pior é o fato de que essas injustiças são tão comuns, que as mulheres ainda recebem salários, em média, 21% menores que os homens, conforme pesquisa recente do IBGE. Situação que, agora, tem possibilidade de melhorar. Nesta 2ª feira (03.jul) foi sancionada a lei da equidade salarial pelo presidente Luiz Inázio Lula da Silva. Mais um instrumento criado para tentar garantir mais justiça no mercado de trabalho e nos ambientes de negócios, já que os 80 anos de execução dos mais de 900 artigos da CLT não foram suficientes.

A relação das mulheres com o trabalho

Era 1º de maio de 1943 quando Getúlio Vargas sancionou um dos primeiros instrumentos de inclusão social do país: o decreto 5.452, referente à Consolidação das Leis de Trabalho. Ou, como simplesmente se difundiu, CLT. Apesar da pequena sigla, são 922 artigos. Alguns sofreram alterações nesses exatos 80 anos. Também foram criadas leis complementares, tamanha complexidade das relações trabalhistas.

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Pois é, mesmo com tantos artigos em uma lei, com as leis complementares e o tempo de existência, os empregos com carteira assinada ainda geram problemas sérios, incluindo processos milionários. Um deles é o preconceito com as mulheres, ainda vistas como menos eficientes ou comprometidas. Seja pela suposta fragilidade ou pela possibilidade de engravidar. Ou mais, como analisa a ativista e empreendedora social Kamila Camilo:

"Em um contexto histórico... Vamos falar do termo 'calculadora'. É um termo no feminino porque as mulheres faziam os cálculos. E aí toda vez que a gente tem uma mudança na matriz econômica, que uma atividade passa a ser considerada de maior valor, a gente tem uma mudança de gênero na operação daquela atividade. Acho que muito por manutenção da cultura patriarcal que a nossa sociedade se formou. É uma dinâmica de poder. Tem um medo de perda de espaço e aí um mecanismo de manter a diferença é você fazer com que um determinado grupo considerado 'minoria' tenha menos poder financeiro que o outro. Porque se você não tem poder de barganha, como você disputa outros espaços'.

Atualmente não é diferente, conta Fernanda Ribeiro, criadora e CEO da instituição financeira Conta Black: "tem muito a ver essa estrutura de poder. A gente [equipe de trabalho] captou recursos em fundos de investimentos. Muitos, os maiores. Se eu contar quantas vezes do outro lado da mesa tinha uma mulher, não completo os dedos de uma mão".

Pior do que não se sentir representada ou inspirada por outra mulher, é lidar com "conselhos" de homens "bem intencionados", porém, mal informados ou até com bom senso limitado. A CEO da Pantys, Emily Ewell., conta que por mais de uma ouviu que "seria melhor ter um homem na equipe C-Level", conta ela. "E eles falaram sério, demonstraram preocupação dizendo 'seria melhor você terem um homem na equipe quando forem buscar investimentos ou prospectar clientes, porque dá mais credibilidade com outros homens'".

Se fosse apenas preconceito, elas até estariam bem. O problema é que ainda hoje as mulheres recebem salários 21% menores, em média, do que os homens no Brasil. O dado é do IBGE. Situação que pode ser resolvida com uma nova lei, a 14.611, sancionada na 2ª feira (03.jul) pelo presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva. É mais uma regra complementar. Essa enfatiza que os salários devem ser iguais quando homens e mulheres, de qualquer raça, etnia ou nacionalidade, tem as mesmas competências e cargos. Também exige relatórios semestrais de transparência para empresa com mais de 100 colaboradores.

O texto prevê ainda que, na hipótese de discriminação, o pagamento das diferenças salariais devidas não impede uma ação judicial de indenizaçãode, o que modifica a multa prevista no art. 510 da CLT.; Antes, a multa era igual a um salário mínimo. Atualmente, corresponda a dez vezes o valor devido pelo empregador ao empregado discriminado.

Pára Fernanda, "é triste que precisemos de uma lei para isso. Agora tem que aplicar. Ainda mais sabendo que muitas pesquisas mostram que as mulheres, geralmente, são muito eficientes e entregam mais que os homens".

Mas, o reconhecimento e a evolução dessa situação, infelizmente, só deve acontecer com a fiscalização da aplicação da lei. Pois a própria CLT é a prova de que burlar não é difícil. Em pronunciamento durante a assinatura da lei da equidade, Lula garantiu que irá acontecer: "No nosso governo vai acontecer porque temos o Ministério do Trabalho, da Justiça, das Mulheres, além do Ministério Público".

Outra forma de fazer acontecer é a pressão do próprio ambiente de negócios com a aplicação do ESG. Será eficiente? Saiba mais ao acompanhar o episódio 24 do Foco ESG:


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