Economia

Como a bioeconomia, baseada em produtos florestais, geraria R$ 1,2 trilhões

Valor seria somado ao PIB mundial. Mas precisa de incentivos, como as commodities. Confira no Foco ESG

P
Pablo Valler
29/03/2023, 13:40 • Atualizado em 31/10/2023, 17:16
compartilhar
Entrevistados

Entrevistados

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

O sucesso de um país está muito atrelado ao seu desenvolvimento econômico, certo? Mas, com o tempo, a economia se transforma e os negócios da atualidade podem não ter a mesma importância daqui uns anos. Um exemplo são as fontes de energia. O petróleo perde cada vez mais espaço, seja por interesse do consumidor ou com subsídios dos governos. Enquanto isso, as renováveis são incentivadas. São aquelas geradas a partir de plantas, de água, do vento ou de processos de fabricação limpos, como o que acontece com o hidrogênio verde.

+ Leia as últimas notícias no portal SBT News

Além do energético, outros setores passam por modificações. Provavelmente, o de alimentos é o mais comum. Quase banalizado. Por isso, pouco lembrado. Você já reparou quantos tipos de iogurtes existem agora? Integral, semidesnatado, desnatado, zero lactose, tipo quaker - que, na verdade, é queijo; bebida láctea - que, na realidade, nem é iogurte; uma quase infinidade de opções. Tem ainda aqueles que até certo tempo não eram alimentos. Ao menos não em escala industrial. É o caso do açaí. De exótico, encontrado apenas no norte brasileiro, a produto de exportação difundido em todos os continentes.

O açaí é só o começo. Há uma variedade grandiosa em nossas florestas, como lembra a pesquisadora e gerente do programa Florestas de Valor, do Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora), Helene Menu: "A gente trabalha tentando identificar mercados para esses produtos. Por exemplo, o Cumaru - uma fava parecida com a baunilha, original da Amazônia. Como a gente organiza um mercado que pague preço justo? Uma negociação direta, já que agora tem como levar pelo rio. O que há 20 ou 30 anos era difícil".

A evolução dos meios de transportes ajuda, mas falta muito. Muito para que as cadeias, inclusive, se formalizem a ponto de fazer com que os produtores percebam a valorização de seus produtos. "Muitos sistemas florestais geram mais de R$ 5 mil por ano por hectare. Compare com a pecuária. São R$ 500 por ano por hectare. Então, faz todo sentido fazer chegar nos mercados mundiais. Vamos torcer para que aconteça como aconteceu com o açaí, que mudou a vida de mais de 500 mil pessoas na Amazônia", atesta Helene.

Açaí
Cadeia do açaí já mudou a vida de 500 mil pessoas na Amazônia | Agência Brasil

A formação de um novo mercado como esse favorece também o combate ao desmatamento. Hoje em dia, muitas famílias são sustentadas pelo crime por não terem outras oportunidades de renda em meio às florestas. Mas a "bioeconomia" poderá mudar essa situação por completo. Manter as árvores em pé pode gerar R$ 1,2 trilhões até 2030 ao PIB mundial. É o que mostra uma pesquisa do economista Bráulio Borges, pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Um grande e positivo diferencial econômico que contribuiria com o planeta. Imagine o que não pode fazer com os povos que vivem nas florestas. "O grande potencial econômico da floresta Amazônica é mantê-la de pé e explorar a riqueza da biodiversidade. Inclusive, nós chamamos de sociobiodiversidade. Para valorizar o conhecimento dos povos indígenas, das comunidades locais", lembra Carlos Nobre, pesquisador-sênior da Universidade de São Paulo (USP) e da Royal Society (Reino Unido).

Ele também é idealizador do projeto Amazônia 4.0, nome que remete a floresta à tecnologia. É o que o Brasil e o mundo precisam, diz o pesquisador. Existe país desenvolvido que não seja industrializado? Não. Nós vamos nos tornar uma economia primária, pobre. Temos que industrializar a Amazônia. Já desenvolvemos um laboratório, uma pequena biofábrica na cadeia do cacau, do cupuaçu. Vamos levar para Santarém, para a reserva Tapajós. Vamos capacitar as comunidades".

Após 20 anos de trabalho, Carlos conta que está "bastante otimista" e continua: "Senti claramente que a maioria dos países amazônicos querem encontrar esses caminhos. Então, nós temos que trabalhar juntos para encontrar. Esses produtos só tem preços elevados porque as distâncias são longas, a logística é complexa. Mas pode e deve mudar. Porque esses produtos oferecem serviços ecossistêmicos, tem um benefício para a sociedade, para o planeta. Enquanto as commodities promovem o desmatamento, esses produtos, o contrário. Pena que as commoditties tem subsídio dos governos e esses produtos não", critica.

Confira a entrevista completa no Foco ESG:

Veja também:

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Terremoto de magnitude 6 atinge Afeganistão

Terremoto de magnitude 6 atinge Afeganistão

Imagem da notícia: Hezbollah diz que acordo preliminar é uma 'humilhação'

Hezbollah diz que acordo preliminar é uma 'humilhação'

Imagem da notícia: Vídeo: Incêndio atinge galpão em Contagem, na Grande BH

Vídeo: Incêndio atinge galpão em Contagem, na Grande BH

Imagem da notícia: Mauricio de Sousa faz 90: SP ganha programação gratuita

Mauricio de Sousa faz 90: SP ganha programação gratuita

Imagem da notícia: Terremoto de magnitude 6 atinge Afeganistão

Terremoto de magnitude 6 atinge Afeganistão

Imagem da notícia: Hezbollah diz que acordo preliminar é uma 'humilhação'

Hezbollah diz que acordo preliminar é uma 'humilhação'

Imagem da notícia: Vídeo: Incêndio atinge galpão em Contagem, na Grande BH

Vídeo: Incêndio atinge galpão em Contagem, na Grande BH

Imagem da notícia: Mauricio de Sousa faz 90: SP ganha programação gratuita

Mauricio de Sousa faz 90: SP ganha programação gratuita

Últimas notícias

China confirma morte após choque de aeronave em arranha-céu

Piloto do avião é a única vítima fatal, enquanto outras 13 pessoas que não estavam abordo ficaram feridas, confirmam autoridades chinesas neste sábado (27)

Apesar da inflação, cresce interesse por festas juninas

Pesquisa mostra aumento de brasileiros que pretendem festejar a época neste ano; entenda o que está por trás desse movimento

Metrô de SP terá mais trens durante Brasil x Japão

Mudança foi planejada para os horários que costumam concentrar maior movimento de passageiros antes e depois do jogo

Bebê é achado engatinhando sozinho em rua do ES; mãe é presa

Imagens de câmeras de segurança registraram a criança sozinha na rua durante a madrugada; mãe foi a uma festa e deixou a bebê com o filho adolescente

Viral da Copa: veja as histórias que marcaram a semana

A volta de Neymar, os recordes de Messi e Cristiano Ronaldo e a abdução em jogo do Brasil: veja os destaques da segunda semana do Mundial

Missão humanitária do Brasil chega à Venezuela

FAB prepara um novo voo para este sábado (27) com com envio de hospital de campanha; equipes de outros países também chegam ao país para apoiar os resgates