Economia

Bolsa fica no "zero a zero" na primeira semana do governo Lula

Levantamento obtido pelo SBT News mostra os índices dos primeiros dias de cada presidente desde FHC

Imagem da noticia Bolsa fica no "zero a zero" na primeira semana do governo Lula
Fachada da B3 | Divulgação/B3
• Atualizado em
SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Em uma semana marcada pela volatilidade, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores do Brasil (a B3), conseguiu fechar sua terceira alta consecutiva, nesta 6ª feira (6.jan), ao subir 1,23%, com 108.963,70 pontos. Mesmo diante desse cenário, não foi possível reverter as perdas registradas no início da semana, quando acumulou 5% de recuo nos pregões de 2ª e 3ª feira. No saldo da semana, o índice de ações ficou em 0,70% negativo, praticamente no "zero a zero". 

+ Leia as últimas notícias no portal SBT News

Em grande parte, a recuperação aconteceu após o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ter sinalizado que deseja colocar "ordem na casa". Lula fez sua primeira reunião ministerial, nesta 6ª, e pediu um "ritmo acelerado de entregas" aos subordinados. No início da reunião, ele disse que a pessoa que fizer algo errado será "convidada a deixar o governo". 

A rentabilidade nos cinco primeiros pregões deste ano só não foi tão amarga quanto, em 2007, no início do segundo mandato do petista. De acordo com o levantamento do TradeMap, obtido com exclusividade pelo SBT News, naquele ano, o mercado recuou 3,7%.

No saldo da primeira semana dos últimos presidentes, o primeiro mandato de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), em 1994, tem o pior resultado: com uma queda de 12,09%. Já o governo de Jair Bolsonaro (PL), em 2018, tem o maior saldo positivo, com rentabilidade de 4,72%.

A estreia de Lula, em 2003, tem o segundo melhor índice, com 4,59%. Dilma Rousseff, em 2011, fechou os primeiros dias com 1,09%. 

Rentabilidade do Ibovespa % nos 5 primeiros pregões de cada governo | Reprodução/TradeMap

Reação
O mercado segue desconfiado com a postura econômica e fiscal do novo governo. A última semana foi marcada por declarações e decisões contraditórias, que não foram bem recebidas entre os agentes financeiros. Segundo Alexandre Mathias, CEO da Kilima Asset, o cenário reflete uma grande volatilidade em um "ambiente em que os preços já estão deteriorados, porque a incerteza com a relação fiscal permanece muito alta", afirma. 

Diversos fatores fizeram com que o mercado mudasse a direção, como a política de preços dos combustíveis, que impactou diretamente a Petrobras (PETR4). Em entrevista, Jean Paul Prates, nome indicado por Lula para a presidência da Petrobras, negou uma política intervencionista na decisão sobre os valores.

"Como o jogo ainda está aberto, isso [mais volatilidade] pode acontecer na semana que vem, mas a decisão de postergar o imposto da gasolina mostrou que a disponibilidade de tomar medidas impopulares é muito baixo. Mas, infelizmente, não tem como fazer um ajuste fiscal sem combinar corte de gastos e aumento de impostos, ambos impopulares", avalia Mathias. 

Felipe Izac, sócio da Nexgen Capital, avalia que os investidores seguirão cautelosos. "No domingo [da posse], o presidente fez algumas declarações sobre teto de gastos, que não acreditava que era uma boa proposta para o Brasil e algumas outras medidas. Isso trouxe uma impressão de que este é um governo que não terá compromisso fiscal com o país", pontua.

"Mas nada impede uma orientação de rota. É importante frisar que, ao perder a boa vontade e a credibilidade perdida com adiamento do aumento de impostos, agora vai ser preciso mostrar o ajuste, e não meramente promete-lo", ponderou o CEO da Kilima Asset.

Últimas Notícias