Economia

Preços dos combustíveis: por que a paridade internacional é importante?

Especialistas explicam motivo para governo federal não alterar precificação e se existe alternativa para segurar inflação

P
Pablo Valler
26/05/2022, 17:53 • Atualizado em 31/10/2023, 02:10
compartilhar
Faixa deixa por caminhoneiro na estrada

Faixa deixa por caminhoneiro na estrada

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

Muito se fala que a Petrobras não deveria seguir a Paridade de Preço Internacional (PPI) para definir os valores cobrados pelos combustíveis no Brasil. Mas economistas e analistas do mercado de eneriga explicam que se o parâmetro for abandonado, a situação pioraria muito.

+ Leia as últimas notícias no portal SBT News

"Se o combustível vendido pela Petrobras for mais mais barato que o internacional, alguns importadores (postos de combustíves) vão preferir não negociar o diesel lá de fora. Teriam que comprar mais caro lá e vender barato para competir aqui", esclarece Bruno Cordeiro, analista de energia da StoneX.

Ou seja, a demanda pelo diesel da Petrobras aumentaria e a possibilidade do produto acabar ficaria ainda mais próxima da realidade. O risco já é preocupante, como disse o ex-presidente José Mauro Coelho antes de deixar o cargo na 2ª feira (26.mai). Então, o PPI ajuda a equilibrar o mercado.

Sobre a possibilidade de faltar diesel, Bruno analisa que, provavelmemnte, acontecerá nos postos de bandeira branca, que não tem contratos com grandes refinarias, como a Petrobras. O analista também pondera que nem todas as regiões devem sofrer o desabastecimento. O sudeste está entre as privilegiadas.

O fator frota

Há mais um fator prejudicial, que aumentou a demanda por diesel no Brasil. A frota de caminhões e ônibus está maior. De acordo com a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave), em 2021 houve um crescimento de 43% em emplacamentos. Além da revnovação, os usados também foram mais comercializados, alta de 18,6% em um ano.

O aumento foi impulsionado pelo agronegócio, com mais uma safra recorde que precisava ser escoada. A consequência, Bruno conta: "no primeiro trimestre desse ano a gente teve o maior consumo de diesel da história do país".

Não seria para menos. "A frota aumentou bem mais que o PIB. Faltou dar condições para a categoria, agora, pagar pelo combustível", provocou o economista professor da Universidade de São Paulo, Roberto Troster.

O subsídio errado

A aprovação do teto de 17% no ICMS cobrado pelos estados seria uma manobra eleitoreira, "mais uma política econômica ruim para o Brasil", afirma Troster.

O economista concorda com o que muitos especialistas tem dito, de que a decisão pode - e nem dão garantia - diminuir os preços dos combustíves e, o pior, em um curto prazo.

É que logo os preços devem ser reajustados de novo. Está faltando no mercado o petróleo da Rússia, que instalou guerra na Ucrânia. "A gente tá vendo uma deterioração dos estoques de diesel influenciadas principalmente por essa dificuldade dos centros de procesamento. Tanto na Europa quanto nos EUA. Isso tem efeito direto no Brasil", lembra Bruno.

Se a mais atual "solução" não funciona diante do tamanho do problema, o que o governo federal poderia ter feito então? Troster avalia que, "em vez do controle sobre o ICMS, que vai ajudar principalmente os mais ricos, pois são os que mais utilizam veículos automotores, poderia ser criado um subsídio para os serviços de transporte coletivo ou de cargas". Assim, sobraria mais recurso, que poderia ser concentrado em uma categoria importante.

Os caminhoneiros continuam indignados. O presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace "Chorão" Landim, acredita que "o ICMS não vai resolver. É um paliativo. Também não tem fiscalização, os postos não vão reduzir. Concordo com o subsídio, que o governo poderia dar com o que lucrou com a Petrobras". Só em 2021, o Palácio do Planalto recebeu R$ 37,3 bilhões da estatal.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Agente do ICE é preso por atirar em venezuelano

Agente do ICE é preso por atirar em venezuelano

Imagem da notícia: Conselho de Medicina proíbe uso de PMMA para fins estéticos

Conselho de Medicina proíbe uso de PMMA para fins estéticos

Imagem da notícia: PM entrega flores à mulher salva após pedido de pizza

PM entrega flores à mulher salva após pedido de pizza

Imagem da notícia: Soberania defendida é a do povo brasileiro, diz Flávio

Soberania defendida é a do povo brasileiro, diz Flávio

Imagem da notícia: Agente do ICE é preso por atirar em venezuelano

Agente do ICE é preso por atirar em venezuelano

Imagem da notícia: Conselho de Medicina proíbe uso de PMMA para fins estéticos

Conselho de Medicina proíbe uso de PMMA para fins estéticos

Imagem da notícia: PM entrega flores à mulher salva após pedido de pizza

PM entrega flores à mulher salva após pedido de pizza

Imagem da notícia: Soberania defendida é a do povo brasileiro, diz Flávio

Soberania defendida é a do povo brasileiro, diz Flávio

Últimas notícias

PEC da 6x1 não chegou à CCJ e não vai “furar fila”, diz Otto

Presidente da comissão no Senado aguarda o envio da proposta por Davi Alcolumbre

CV e PCC já estão sujeitos a bloqueios econômicos pelos EUA

Facções foram incluídas na lista da OFAC nesta sexta (29), um dia depois de o Departamento de Estado anunciar que vai designá-las como terroristas

Ibovespa fecha maio com queda de 7%, a pior desde fevereiro de 2023

Já o dólar teve a maior alta mensal desde julho de 2025, subindo em maio 1,71%.

PCC e CV terroristas: o que pode mudar para o mercado financeiro no Brasil

Designação ativa restrições legais, criminaliza qualquer forma de apoio às facções e permite bloqueio de ativos

Irã contesta EUA e diz que ainda não decidiu sobre acordo

Presidente dos EUA afirmou que há avanços nas negociações, mas autoridades iranianas negaram pontos centrais do possível entendimento

Deolane é indiciada por lavagem de dinheiro ligada ao PCC

Influenciadora foi apontada como peça-chave em esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção criminosa; outros 7 foram indiciados, incluindo Marcola