Economia

13º salário: pagar dívidas atrasadas ou preparar bolso para IPTU e IPVA? Veja o que especialista recomenda

Trabalhadores começam a receber o 13º entre 25 de novembro e 6 de dezembro; saiba como organizar dinheiro

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Caroline Vale
19/11/2025, 17:45 • Atualizado em 19/11/2025, 17:45
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O que fazer com o 13º salário? | Agência Brasil

O que fazer com o 13º salário? | Agência Brasil

Com o pagamento do 13º salário entre 25 de novembro e 6 de dezembro, muitos trabalhadores vivem um dilema anual: usar abono para quitar dívidas em atraso ou reservar parte do dinheiro para despesas de início de ano, como IPTU, IPVA e material escolar? A decisão pesa ainda mais diante do aumento expressivo da inadimplência.

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O percentual de famílias que informam ter algum tipo de dívida a vencer chegou a 79,5% no mês de outubro, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

Ao SBT News, a planejadora financeira Mariana Banja reforça que a resposta não é igual para todos, pois depende do contexto de cada pessoa. Ainda assim, existem orientações claras para quem precisa decidir como usar o dinheiro extra neste fim de ano.

O que fazer com o dinheiro do 13º?

Para quem está com contas atrasadas, a recomendação é direta: pagar primeiro o que tem juros mais altos, como cartão de crédito e cheque especial. "Vale a negociação, seja para pagamento à vista, seja para assumir o pagamento parcelado – importante ver aqui sempre a 'parcela que cabe', para não fazer um acordo e não honrá-lo", explica Mariana Banja.

Essas dívidas crescem muito mais rapidamente do que as despesas sazonais do início do ano. Além disso, segundo ela, muitas contas de janeiro podem ser planejadas com mais calma: "Essas despesas podem ser parceladas e ter seu fluxo de pagamento ajustado de maneira mais confortável".

Como definir o que pagar primeiro?

Em caso de múltiplas dívidas, a ordem de prioridade segue uma lógica simples: quitar o mais caro. "A regra é priorizar o que tem maior impacto financeiro, ou seja, aquela obrigação cujo dinheiro é mais caro", orienta a especialista.

Cartão de crédito e cheque especial lideram a lista. Já contas como IPTU, IPVA e material escolar, por ainda não estarem vencidas, podem ser organizadas com planejamento, inclusive aproveitando eventuais descontos para pagamento à vista.

Uso do 13º como aliado

O ideal é que o abono seja aliado no processo de reorganização financeira, mas ele também pode cumprir o papel de aliviar momentos de aperto, desde que isso não se torne um hábito anual. "Se o 13º está sendo usado para apagar incêndios, a gente tem dois indicativos: a renda está curta no mês e/ou o dinheiro está sendo mal gasto no dia a dia", afirma Mariana.

"Tudo vai depender do contexto de cada pessoa. Se a renda tiver curta mesmo, qual seria o método para as contas básicas que não fecham? A gente sabe que tem situações assim e para elas vale demais olhar para a renda e analisar sempre as políticas públicas que podem aliviar as despesas do mês", comenta.

Quem não tem dívidas, por outro lado, pode contar com o dinheiro para sair da rotina e investir no bem-estar físico e mental. Selma Zuzarte da Silva de Almeida, de 62 anos, é aposentada e já recebeu o 13º do INSS antecipado, que foi pago entre maio e junho. Ela conta que já usou o valor integral do benefício em uma viagem para Manaus, no Amazonas.

"Os próximos vão ser para exames mais caros, para restauração nos dentes, fazer uma reforma aqui em casa. É tudo aos pouquinhos, porque não dá para fazer de uma vez. Geralmente eu coloco uma parte nas contas de casa mesmo", comenta.
Selma em sua viagem em Manaus. | Acervo pessoal
Selma em sua viagem em Manaus. | Acervo pessoal

Como organizar orçamento quando cai o benefício?

Para pessoas com renda apertada, planejamento é indispensável. Mariana sugere estratégias práticas:

  • Listar todas as despesas do ano e calcular quanto reservar mensalmente;
  • Separar uma parte do 13º exclusivamente para contas sazonais, evitando misturar com gastos do dia a dia;
  • Aproveitar descontos para pagamentos à vista, quando possível;
  • Revisar gastos fixos e evitar assumir despesas que comprometam o orçamento familiar.

A especialista destaca ainda a falta da reserva de emergência como um ponto crítico: "Costumo dizer que, qualquer pessoa que tenha a chance factível e real de guardar algo por mês, não deveria desprezar essa chance e deveria compor essa reserva mínima".

Para ajudar no planejamento financeiro, a especialista recomenda métodos simples, como o tradicional "orçamento por envelopes", que pode ser físico ou digital. "Cada envelope representa uma categoria: mercado, remédios, contas fixas, etc. Para despesas de início de ano, é possível criar um envelope específico e colocar ali uma parte do 13º."

E quem é informal e não recebe 13º?

Com quase quatro em cada 10 trabalhadores brasileiros na informalidade, segundo a PNAD Contínua do IBGE, uma parcela expressiva da população chega ao final do ano sem contar com o décimo terceiro salário. No terceiro trimestre de 2025, a taxa de informalidade ficou em 37,8%, mesmo com o desemprego no menor patamar da série, 5,6%.

Para essas pessoas, esse 13º deve ser autoconstruído ao longo do ano, como orienta a especialista. "Profissionais autônomos, por exemplo, deveriam separar mensalmente uma fração da renda, mesmo que pequena, para criar um fundo de despesas sazonais."

"Para facilitar para essa parcela da população, recomendamos que a pessoa separe o dinheiro de trabalho do dinheiro pessoal, evitando misturá-lo. Essa é uma medida simples que costuma nortear bastante os autônomos, trazendo mais clareza para o que ganha e gasta com o trabalho e com a vida pessoal", afirma.

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