Exposição convida público a interagir com história pré-colonial paulistana
"Quando São Paulo era Piratininga: arqueologia paulistana" está em cartaz na Casa Museu Ema Klabin até dia 26 de abril


Luccas Balacci
O que hoje chamamos de São Paulo, antes da colonização portuguesa era Piratininga. Em tupi, "peixe a secar" – uma referência aos peixes expostos ao Sol nas várzeas dos rios após as cheias. A atual hidrografia, porém, não mais permite essa cena em boa parte da cidade, com seus corpos d'água soterrados, canalizados, escondidos entre muros, ou mesmo sem condições para vida animal.
Assim, faz-se tão importante a arqueologia, estudo de povos e suas culturas a partir de vestígios materiais muitas vezes escondidos embaixo da terra, como tesouros a serem descobertos. A capital paulista tem cerca de 90 sítios arqueológicos identificados e parte de sua riqueza está em exposição na Casa Museu Ema Klabin, na zona oeste, até o dia 26 de abril, na mostra “Quando São Paulo era Piratininga: arqueologia paulistana”.
A mostra busca conduzir o visitante pela história do território, ocupado muito antes da chegada dos europeus ao nosso continente. As peças selecionadas foram retiradas de oito sítios e se somam a registros fotográficos e cartográficos das descobertas, além de reproduções de artefatos que podem ser manuseados pelo público.

"A ideia da exposição é mostrar uma São Paulo pré-colonial e inesperada para a maioria das pessoas que moram ou passam por aqui. Nós trouxemos sítios que remetem a uma cidade já habitada pelos povos originários há ao menos 3.800 anos", explica a curadora Paula Nishida. "A ideia é mostrar que cidades extremamente urbanizadas ainda tem um potencial arqueológico e para trazer histórias que foram invisibilizadas com o tempo."
Os registros são fundamentais na reconstituição de modos de vida, práticas funerárias e atividades cotidianas em um período muito anterior à urbanização. Também ajudam a demarcar grandes viradas históricas, com peças da chegada dos portugueses e as primeiras interações entre povos indígenas e seus colonizadores.
Ao fim do passeio, o visitante é impactado pelas transformações climáticas e ambientais na região ao longo dos séculos, a partir de amostras de solo e sedimentos de um estudo de 1997. A Casa Museu Ema Klabin tem ingressos entre R$ 10 (meia) e R$ 20, com gratuidade à crianças de até sete anos, professores e estudantes da rede pública.
Quando São Paulo era Piratininga: arqueologia paulistana
- Curadoria: Paula Nishida e Paulo de Freitas Costa
- Local: Casa Museu Ema Klabin (Rua Portugal, 43, Jardim Europa, São Paulo)
- Data: até 26/04/2026
- Horários: Quarta a domingo, das 11h às 17h, com permanência até às 18h
- Visitas mediadas: Quarta a sexta, às 11h, 14h, 15h e 16h; sábado, domingo e feriado, às 14h
- Ingressos: R$ 20 (inteira) R$ 10 (meia) e gratuidade para crianças de até 7 anos, professores e estudantes da rede pública









