Produção de cinema na Argentina está praticamente paralisada
Trabalhadores da área acusam Javier Milei de ter um plano para prejudicar o setor
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Marcelo Torres
16/06/2024, 00:16 • Atualizado em 16/06/2024, 01:59
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A produção de cinema na Argentina está praticamente paralisada. Muitos que trabalham na área acusam o governo de Javier Milei de ter um plano para destruir o setor.
Num país que costumava produzir 200 filmes e documentários por ano, existe agora apenas um longa-metragem sendo rodado, de uma plataforma estrangeira de streaming, que não depende de financiamento local.
A produtora Carolina Fernández terminou o documentário dela no começo deste ano, com bastante dificuldade, depois que o governo restringiu os repasses que já tinham sido combinados.
Ela diz que as perspectivas não são boas porque o presidente Javier Milei escolheu o setor cultural como rival: "detesta a cultura e nos elegeu como inimigos".
Liliana Mazure, que já foi presidente do INCAA, o órgão estatal que cuida do cinema na Argentina, com função parecida à da Ancine no Brasil, explica que o instituto tinha a função de repassar às produtoras o dinheiro arrecadado de um imposto de 10% sobre as bilheterias dos cinemas, além de uma taxa cobrada de tevês e operadoras a cabo.
Os filmes eram escolhidos por uma comissão que reunia os maiores especialistas do país, agora os repasses praticamente acabaram, 170 funcionários do instituto foram demitidos, e existe a ameaça de vender um cinema histórico e fechar a escola pública de cinema do país.
Liliana, que está com três filmes parados por falta de verba, diz que a atual gestão é depredadora e veio acabar com a história do cinema local.
O SBT procurou a direção do INCAA, que não quis gravar entrevista.
A situação enfrentada pelo cinema argentino envolve toda uma cadeia de produção. São atores, diretores, produtores e técnicos que trabalham atrás das câmeras pra fazer a magia acontecer. Enquanto essa situação não for resolvida, milhares de empregos estão em jogo e negócios ligados ao cinema podem não sobreviver.
O empresário Eduardo Camauer, que tem uma empresa de aluguel de equipamentos, conta que o movimento está bem mais fraco, e que só não parou porque acabou se especializando em publicidade e videoclipes. O cenário seria diferente se dependesse apenas do meio cinematográfico.
O produtor Axel Kuschevatzky já entrou para a história do cinema argentino, teve obras indicadas ao Oscar, uma delas, "O Segredo de Seus Olhos", de 2009, levou a estatueta de melhor filme estrangeiro. Ele também é crítico da atual política.
Muito do que vai acontecer com o cinema e a cultura do país depende do que será aprovado ou vetado no pacote conhecido como "Lei Bases", que o governo enviou ao Congresso Nacional.
O setor também espera que o INCAA termine uma auditoria interna para determinar a nova política, mas são poucas as esperanças de que a atividade retorne tão cedo ao normal.
Kuschevatzky diz que todos os países fomentam a cultura e lembra que dos três filmes argentinos indicados ao Oscar nos últimos 15 anos, dois tiveram apoio de fundos públicos.
Produção de cinema na Argentina está praticamente paralisadaTrabalhadores da área acusam Javier Milei de ter um plano para prejudicar o setorCinema2024-06-16T00:16:50.155Z A produção de cinema na Argentina está praticamente paralisada. Muitos que trabalham na área acusam o governo de Javier Milei de ter um plano para destruir o setor. Num país que costumava produzir 200 filmes e documentários por ano, existe agora apenas um longa-metragem sendo rodado, de uma plataforma estrangeira de streaming, que não depende de financiamento local. A produtora Carolina Fernández terminou o documentário dela no começo deste ano, com bastante dificuldade, depois que o governo restringiu os repasses que já tinham sido combinados. Ela diz que as perspectivas não são boas porque o presidente Javier Milei escolheu o setor cultural como rival: "detesta a cultura e nos elegeu como inimigos". Liliana Mazure, que já foi presidente do INCAA, o órgão estatal que cuida do cinema na Argentina, com função parecida à da Ancine no Brasil, explica que o instituto tinha a função de repassar às produtoras o dinheiro arrecadado de um imposto de 10% sobre as bilheterias dos cinemas, além de uma taxa cobrada de tevês e operadoras a cabo. Os filmes eram escolhidos por uma comissão que reunia os maiores especialistas do país, agora os repasses praticamente acabaram, 170 funcionários do instituto foram demitidos, e existe a ameaça de vender um cinema histórico e fechar a escola pública de cinema do país. Liliana, que está com três filmes parados por falta de verba, diz que a atual gestão é depredadora e veio acabar com a história do cinema local. O SBT procurou a direção do INCAA, que não quis gravar entrevista. A situação enfrentada pelo cinema argentino envolve toda uma cadeia de produção. São atores, diretores, produtores e técnicos que trabalham atrás das câmeras pra fazer a magia acontecer. Enquanto essa situação não for resolvida, milhares de empregos estão em jogo e negócios ligados ao cinema podem não sobreviver. O empresário Eduardo Camauer, que tem uma empresa de aluguel de equipamentos, conta que o movimento está bem mais fraco, e que só não parou porque acabou se especializando em publicidade e videoclipes. O cenário seria diferente se dependesse apenas do meio cinematográfico. O produtor Axel Kuschevatzky já entrou para a história do cinema argentino, teve obras indicadas ao Oscar, uma delas, "O Segredo de Seus Olhos", de 2009, levou a estatueta de melhor filme estrangeiro. Ele também é crítico da atual política. Muito do que vai acontecer com o cinema e a cultura do país depende do que será aprovado ou vetado no pacote conhecido como "Lei Bases", que o governo enviou ao Congresso Nacional. O setor também espera que o INCAA termine uma auditoria interna para determinar a nova política, mas são poucas as esperanças de que a atividade retorne tão cedo ao normal. Kuschevatzky diz que todos os países fomentam a cultura e lembra que dos três filmes argentinos indicados ao Oscar nos últimos 15 anos, dois tiveram apoio de fundos públicos.São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/cinema/producao-de-cinema-na-argentina-esta-praticamente-paralisada