Brasil

Seis em cada dez grávidas já sofreram violência obstétrica no Rio de Janeiro, aponta estudo

O levantamento, realizado entre 2021 e 2023, entrevistou 1.923 mulheres internadas em maternidades públicas e privadas de 18 municípios fluminenses

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Uma pesquisa inédita da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) revelou um dado alarmante: seis em cada dez grávidas já sofreram algum tipo de violência obstétrica no estado do Rio de Janeiro. O levantamento, realizado entre 2021 e 2023, entrevistou 1.923 mulheres internadas em maternidades públicas e privadas de 18 municípios fluminenses.

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O estudo, chamado Nascer Brasil, é considerado a maior pesquisa sobre parto e nascimento no país. Ele mostra que as gestantes mais vulneráveis a esse tipo de violência são adolescentes, mulheres acima dos 35 anos, com baixa escolaridade e renda. Mulheres pretas e mães solo também aparecem no topo do levantamento.

Principais formas de violência relatadas:

  • Toques íntimos inadequados: 46%
  • Negligência: 31%
  • Abuso psicológico: 22%
  • Estigma e discriminação: 8%
  • Abuso físico: 3%

Casos como o de Licyane, grávida na reta final da gestação, escancaram a realidade por trás dos números. Ela afirma que, ao pedir um atestado por problemas de pressão, teve o documento negado pelo médico, que chegou a dizer: “pessoas como vocês não aguentam trabalhar”. À época, seu desabafo nas redes sociais gerou comoção.

“Gente, é muita humilhação, muita humilhação. Parece que a gente tá pedindo esmola”, relatou em vídeo publicado na internet.

A pesquisadora Tatiana Henriques, que participou do estudo, destacou a gravidade dos dados:

“Ficamos bastante assustados com esse número, uma vez que duas a cada três mulheres no estado do Rio de Janeiro sofrem alguma forma de violência obstétrica.”

Alta taxa de cesarianas

O levantamento também chama atenção para a alta taxa de cesarianas. Nos hospitais privados do Rio de Janeiro, 85% dos partos são cirúrgicos, bem acima da recomendação da Organização Mundial da Saúde, que orienta a realização do procedimento apenas em casos emergenciais.

Segundo a Silvana Granado pesquisadora da Fiocruz, esse número está maior do que o normal

"Esse número não era pra ser tão grande, uma vez que 55 % das mulheres declararam que tinham a intenção de ter um parto vaginal, durante a gestação", destacou Silvana.

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