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RS: operação contra tráfico de dentro de presídios prende 21

Polícia cumpre 40 ordens judiciais em quatro cidades do RS e uma de SC; investigação apura ameaças a moradores e participação de advogado

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SBT News, com SBT RS
Operação contra tráfico comandado de presídios prende 21 no RS. | Reprodução

Operação contra tráfico comandado de presídios prende 21 no RS. | Reprodução

A Polícia Civil do Rio Grande do Sul deflagra, na manhã desta quinta-feira (15), a Operação Olissipo contra uma organização criminosa suspeita de comandar o tráfico de drogas de dentro do sistema prisional e ameaçar moradores para controlar um condomínio de habitação popular em Viamão, na Região Metropolitana de Porto Alegre. Até o momento, 21 investigados foram presos.

Ao todo, são cumpridas 40 ordens judiciais, sendo 24 mandados de prisão preventiva e 16 de busca e apreensão. Dois veículos foram apreendidos. Entre os alvos dos mandados de prisão, 13 estavam em liberdade e outros 11 já se encontravam no sistema prisional, onde foram alvo de novas ordens judiciais.

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As diligências ocorrem em Viamão, Porto Alegre, São Leopoldo e Balneário Pinhal, no Rio Grande do Sul, além de Camboriú, em Santa Catarina. Entre os presos está um advogado que mora em Cachoeirinha (RS) e foi localizado em Camboriú.

Tráfico era coordenado de dentro dos presídios

A investigação da 2ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico, vinculada ao Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc), identificou uma estrutura com divisão de tarefas, gerentes responsáveis pela execução das ordens e lideranças que, segundo a polícia, continuavam a coordenar as atividades criminosas mesmo presas.

De acordo com a Polícia Civil, as lideranças transmitiam determinações sobre o abastecimento de drogas, a divisão de funções, o funcionamento dos pontos de venda e a destinação do dinheiro arrecadado. Fora das unidades prisionais, gerentes coordenavam os demais integrantes e prestavam contas aos superiores.

A apuração também identificou negociações envolvendo armas e munições, além do uso de pessoas armadas para proteger pontos de tráfico e impor o domínio territorial. Segundo a polícia, o grupo é ligado a uma organização criminosa originária do Vale dos Sinos.

Ameaças a moradores em Viamão

Um dos principais focos da investigação é um condomínio localizado na Vila Augusta, em Viamão. Conforme a Polícia Civil, o local era disputado por duas facções criminosas e, em 2024, o grupo investigado teria assumido o controle do condomínio.

Na ocasião, os integrantes teriam divulgado um comunicado aos moradores anunciando uma “nova gestão” do local. Para os investigadores, o episódio indica uma tentativa de impor o domínio da organização sobre a comunidade por meio da intimidação.

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Segundo o delegado Wesley Lopes, responsável pela investigação, moradores que não aceitavam as ordens do grupo ou eram apontados como ligados à facção rival eram expulsos do condomínio. As informações reunidas pela polícia indicam que a organização ainda exercia controle sobre o local.

A disputa pelo território envolvia ameaças, inclusive de morte, de acordo com a investigação. A operação busca interromper esse domínio e responsabilizar os suspeitos.

Advogado é suspeito

A Polícia Civil também investiga a suposta participação de um advogado na articulação interna do grupo. Segundo os investigadores, ele teria atuado como intermediário entre lideranças presas e integrantes que estavam em liberdade.

Os elementos reunidos apontam que o profissional teria encaminhado demandas às lideranças, retransmitido decisões e intermediado conflitos relacionados ao controle dos pontos de tráfico, à divisão de tarefas e à responsabilidade pelas drogas e pelo dinheiro arrecadado.

A polícia apura se essas condutas faziam parte da gestão operacional da organização e se ultrapassavam o exercício regular da advocacia. O advogado foi preso em Camboriú, em Santa Catarina.

A operação tem como alvos integrantes que vivem em Santa Catarina. Entre eles estão, segundo a Polícia Civil, uma liderança ligada à facção originária do Vale dos Sinos e a companheira dele. Conforme a investigação, o homem mora atualmente no estado vizinho e seria uma das poucas lideranças do grupo que permaneciam em liberdade, exercendo controle sobre um núcleo da organização criminosa.

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