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Poze do Rodo: Justiça do Rio aceita pedido da defesa e manda soltar MC

Desembargador entende que não há condições que justifiquem a permanência do artista na prisão; artista é investigado por suposta ligação com facção criminosa

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A Justiça do Rio de Janeiro aceitou, nesta segunda-feira (2), o pedido de habeas corpus da defesa do cantor Poze do Rodo e determinou sua soltura. A decisão foi assinada pelo desembargador Peterson Barroso Simão.

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O magistrado entendeu que não há requisitos suficientes para manter a prisão do artista.

"A prisão temporária é imprescindível para as investigações do inquérito policial ou quando o indiciado não tiver residência fixa, não fornecer elementos necessários ao esclarecimento de sua identidade ou quando houver fundadas razões", diz um trecho da decisão.

Ainda no despacho, a justiça determinou algumas condições para o cantor responder o processo em liberdade. São elas:

  • comparecer todo mês à justiça para justificar suas atividades;
  • não se ausentar do estado durante a análise do processo;
  • permanecer à disposição da justiça;
  • proibição para mudar de endereço sem comunicar às autoridades;
  • proibição de manter contato com outras pessoas investigadas no processo.

Após a determinação de soltura, a esposa do MC, Viviane Noronha, comemorou a decisão nas redes sociais.

"Obrigada, Jesus, saiu a decisão. MC não é bandido, aceitem", escreveu ela nas redes sociais. A empresária estava com manifestantes na porta do presídio quando recebeu a notícia.

A prisão

De acordo com a investigação, o cantor fazia shows exclusivamente em áreas controladas pela facção, com a presença ostensiva de traficantes armados com fuzis, que garantiam a segurança dele e dos eventos.

Os agentes apontam que esses shows eram usados estrategicamente pelo CV para aumentar os lucros com a venda de drogas.

Além disso, segundo a polícia, o repertório das músicas do artista "faz clara apologia ao tráfico de drogas e ao uso ilegal de armas de fogo" e "incita confrontos armados entre facções rivais".

Para os investigadores, as letras "extrapolam os limites constitucionais da liberdade de expressão e artística", configurando crimes de apologia ao crime e associação para o tráfico.

A prisão do funkeiro reacendeu o debate sobre os limites entre liberdade artística e apologia ao crime. Outros artistas do gênero também são investigados, como Oruam, Orochi e MC Cabelinho.

Especialistas divergem sobre o assunto. Para a socióloga Carolina Grillo, as músicas refletem a realidade vivida por jovens de favelas, enquanto o antropólogo Paulo Storani vê no funk um meio de reforçar comportamentos criminosos.

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