Brasil

Pelo menos quatro brasileiras por dia pedem ajuda a consulados por violência doméstica no exterior

Brasileiras que saem em busca de vida melhor enfrentam violência fora do Brasil; 1.500 buscaram apoio, principalmente na Europa

S
SBT Brasil
13/09/2025, 23:38 • Atualizado em 14/09/2025, 00:17
compartilhar

Pelo menos quatro brasileiras — diariamente — pedem ajuda a consulados no exterior por sofrerem violência doméstica ou de gênero fora do país. São mulheres que viram um sonho transformar-se em pesadelo.

SBT News Logo

Acompanhe o SBT News nas TVs por assinatura Claro (586), Vivo (576), Sky (580) e Oi (175), via streaming pelo +SBT, Site e YouTube, além dos canais nas Smart TVs Samsung e LG.

Siga no Google Discover

A violência doméstica tem tradução para todo idioma, em qualquer parte do mundo, e as brasileiras já conhecem essa realidade. Mirian Oliveira, de 36 anos, foi morta pelo marido em abril, na casa onde moravam no norte da Espanha. A família dela, aqui no Brasil, não sabia, mas Antônio já havia sido violento física e psicologicamente várias vezes.

“A gente soube 10 dias antes da morte, que ela havia apanhado dele”, relata um familiar. “Naquela sexta-feira ela tava tão confiante que tava tudo certo, que ela ia chegar, conversar e ele ia embora, mas não deu tempo.”

O marido a esfaqueou no pescoço, fugiu, mas foi preso e confessou o crime. “Aqui ela teria para onde correr e várias pessoas pra ajudar”, diz uma conhecida. Antônio é brasileiro, mas em muitos casos a vítima é casada com um estrangeiro.

Apoio no Brasil

No exterior, o parceiro local costuma ter conhecimento, contatos e domínio da língua. A mulher que deixou o Brasil com esperança de uma vida melhor se sente mais vulnerável, mas não perde seus direitos: a brasileira, mesmo no exterior, pode recorrer às autoridades brasileiras.

E tem recorrido. Em 2023, no último levantamento, 1.500 mulheres residentes no exterior buscaram apoio em representações consulares após sofrerem violência doméstica ou de gênero — uma média de quatro por dia. A maior parte das queixas vem da Europa, especialmente Alemanha, Portugal e Itália.

“São casos de casamento de desagregação. Quando chega nesse momento, o marido tenta fazer valer uma voz de autoridade, tenta se aproveitar da fragilidade dela por ser estrangeira — para tomar a guarda dos filhos, para não pagar pensão — e isso pode chegar aos extremos, casos de violência doméstica”, explica um conselheiro. “Elas têm que obedecer às regras do país onde se encontram, por isso contratamos advogados locais para prestar assessoria jurídica.”

Guarda dos filhos

A disputa pela guarda dos filhos é a parte mais dolorosa para a maioria das mulheres, principalmente se moram num país onde o homem tem vantagem na lei ou ela não consegue provar toda a violência a que foi exposta. Recentemente, o Supremo Tribunal Federal mudou a interpretação de uma convenção internacional.

“Muitas mulheres brasileiras dentro do ambiente de violência voltaram pro Brasil, fugidas de lá, com os filhos no colo. Antes, a convenção de Haia determinava o retorno dessas mães ao país onde elas viviam. O STF, no dia 27 de agosto, deu decisão unânime: se a mulher brasileira vier para o Brasil com os filhos e conseguir provar a violência que sofria lá, o Estado brasileiro não vai devolver essas mães”, informa um advogado.

Dependência financeira

O advogado alerta quem pretende se mudar para o exterior: investigue quem é esse parceiro; faça perguntas importantes sobre a vida a dois; e, se você é financeiramente dependente do marido que vai para o exterior, seu risco é altíssimo.

Por fim, para quem já está fora do Brasil e precisa denunciar ou pedir ajuda, entre na página do Itamaraty — Portal Consular. (Clique aqui), onde estão listados telefones e endereços dos consulados no exterior. Procure apoio antes que uma história que começou por amor termine numa dor irreversível.

Leia mais

Ver tudo
Imagem da notícia: Irã estreia na Copa sob tensão após acordo de paz com os EUA

Irã estreia na Copa sob tensão após acordo de paz com os EUA

Imagem da notícia: Justiça extingue pena de jornalista processado por Zambelli

Justiça extingue pena de jornalista processado por Zambelli

Imagem da notícia: Buzzi conseguiu esclarecer os fatos, diz defesa

Buzzi conseguiu esclarecer os fatos, diz defesa

Imagem da notícia: Autoridades querem fechar ponte após queda de jovem

Autoridades querem fechar ponte após queda de jovem

Imagem da notícia: Irã estreia na Copa sob tensão após acordo de paz com os EUA

Irã estreia na Copa sob tensão após acordo de paz com os EUA

Imagem da notícia: Justiça extingue pena de jornalista processado por Zambelli

Justiça extingue pena de jornalista processado por Zambelli

Imagem da notícia: Buzzi conseguiu esclarecer os fatos, diz defesa

Buzzi conseguiu esclarecer os fatos, diz defesa

Imagem da notícia: Autoridades querem fechar ponte após queda de jovem

Autoridades querem fechar ponte após queda de jovem

Últimas notícias

Tunísia demite técnico após goleada na estreia da Copa

A Federação Tunisiana de Futebol decidiu demitir Sabri Lamouchi, nesta segunda-feira (15), poucas horas após a goleada para a Suécia

Lobby regularizado ajudará interesse do Brasil, diz analista

Para o doutor em Relações Internacionais Igor Lucena, falta de legislação específica deixa o país exposto a episódios como o tarifaço de Trump

Avião militar cai após decolagem nos EUA; 8 morrem

Bombardeiro da Força Aérea dos EUA realizava missão de teste de rotina quando caiu

Prestes a ser julgado, Eduardo pede aos EUA sanção a Moraes

Ex-deputado diz que julgamento por tentar atrapalhar processo que condenou seu pai a 27 anos de prisão é vingança contra Trump

PGR nega domiciliar a Vorcaro e não se opõe sobre Papuda

Gonet se manifestou contra domiciliar a banqueiro após negar proposta de delação

Bolsonaro pede a Moraes autorização para novos exames

Ex-presidente precisará fazer cinco procedimentos no DF Star; solicitação ocorre a 10 dias do fim da prisão domiciliar