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Operação mira suspeitos de desviar verbas de escolas no RJ

Polícia Civil e MP-RJ cumprem 19 mandados e apuram direcionamento de contratos, superfaturamento e desvio de recursos da educação

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Operação investiga desvio de verbas de escolas no RJ. | SBT Rio/José Lucena

Operação investiga desvio de verbas de escolas no RJ. | SBT Rio/José Lucena

A Polícia Civil do Rio de Janeiro e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MP-RJ) deflagraram, nesta quinta-feira (1º), a Operação Escola de Papel, que investiga um suposto esquema de direcionamento de contratações, superfaturamento e desvio de recursos destinados a obras em escolas estaduais.

Ao todo, são cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em endereços ligados aos investigados e a empresas relacionadas ao caso. A Justiça também determinou o bloqueio de bens de até R$ 19,7 milhões por investigado, além da quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático.

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Entre os alvos estão:

  • Roberta Barreto de Oliveira, ex-secretária de Estado de Educação;
  • Yurie Lopes Fonseca Ormonde André, genro de Roberta;
  • David de Andrade Marinho Filho, ex-subsecretário de Gestão Administrativa;
  • Fabio Martins Pereira, empresário.

A apuração alcança contratações realizadas durante a gestão de Roberta à frente da Secretaria de Estado de Educação (SEEDUC), entre março de 2023 e fevereiro de 2026.

Segundo as investigações, um procedimento criado para permitir pequenos reparos e intervenções emergenciais nas escolas teria sido utilizado para viabilizar obras de grande porte e milionárias sem licitação. Os recursos eram repassados pela SEEDUC às Associações de Apoio às Escolas (AAEs), responsáveis pela contratação e pelo pagamento das empresas.

Como funcionaria o esquema

A investigação identificou vínculos entre empresas que se apresentavam como concorrentes, além de indícios de que propostas teriam sido previamente combinadas. Também foram encontradas falhas na fiscalização das obras.

Em contratos analisados, os pagamentos teriam sido realizados com base em relatórios fotográficos produzidos pelas próprias empresas, sem medição ou vistoria técnica feita por servidores para comprovar a execução integral dos serviços.

Uma das principais empresas investigadas é a MCK Reformas e Construções Ltda.. As contratações identificadas até o momento somam R$ 19,79 milhões. Segundo a apuração financeira, a empresa recebeu R$ 11,79 milhões em recursos públicos e realizou R$ 9,78 milhões em saques em espécie.

Em janeiro de 2026, após informações do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), agentes apreenderam R$ 500 mil que haviam acabado de ser sacados pelo administrador da MCK, Marcos José Mendes Ferreira, em uma agência bancária de Duque de Caxias.

De acordo com a investigação, Fabio seria responsável por organizar propostas, controlar a conta utilizada para receber pagamentos e recolher valores sacados para posterior distribuição. Os investigadores também identificaram transferências da MCK para a Virtual Rio Construtora, empresa vinculada a Fabio, seguidas de novos saques.

Patrimônio dos investigados

A investigação também aponta a possível utilização de recursos desviados para aquisição de patrimônio particular.

Entre os bens identificados estão uma casa em Cabo Frio, comprada por Yurie e sua companheira, e um imóvel de R$ 2 milhões em Camboinhas, em Niterói, adquirido por David com pagamento em dinheiro.

O levantamento patrimonial estimou em R$ 32,22 milhões os bens e participações atribuídos a Yurie. Os investigadores também identificaram empresas sob o controle dele que seriam proprietárias de 60 veículos, avaliados em aproximadamente R$ 15,63 milhões.

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Obras de R$ 1,69 bilhão estão sob auditoria

A apuração também busca verificar se o mesmo mecanismo teria sido utilizado em outras contratações. Um levantamento interno informado pela SEEDUC identificou R$ 1,69 bilhão em obras contratadas por procedimentos simplificados e submetidas a auditoria.

Esse valor corresponde ao universo de obras sob análise, e não ao montante que teria sido desviado. Segundo a Polícia Civil e o MP-RJ, a quantificação de eventuais desvios depende da análise dos pagamentos, da execução dos serviços e do destino dos recursos.

Os investigados são apurados por suspeitas de contratação direta ilegal, peculato, corrupção ativa e passiva, falsidade ideológica, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

As provas obtidas durante a operação serão analisadas para identificar os possíveis beneficiários e individualizar as responsabilidades. O SBT News procura as defesas dos citados.

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