Lei que proibe importação de lixo no Brasil está ameaçada; entenda impacto social, ambiental e econômico
Para especialistas e representantes de setores de sustentabilidade, medida significa um retrocesso
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Derick Toda
17/04/2025, 20:14 • Atualizado em 19/04/2025, 00:45
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Entre 2023 e 2024, o Brasil importou quase R$ 2 bilhões de resíduos sólidos, conhecido popularmente como lixo. No período, mais de 70 mil toneladas de materiais como papel, plástico, vidro e alumínio foram comprados de outros países para virarem, principalmente, embalagens pela indústria recicladora.
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Os dados são da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema).
No dia 6 de janeiro deste ano, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alterou a lei e proibiu essa importação, com exceção de resíduos utilizados para a transformação de materiais e minerais estratégicos e de componentes para fabricantes de autopeças.
A nova medida se tornou um símbolo para a reciclagem no país. Ela foi comemorada por especialistas em sustentabilidade, além de cooperativas e catadores do setor. No entanto, em menos de cinco meses, a mudança na lei já está sendo ameaçada pelo próprio governo federal.
Reciclagem no Brasil | Wilson Dias/ Agência Brasil
Nesta semana, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), liderado pelo ministro e vice-presidente Geraldo Alckmin, redigiu uma medida que busca driblar a sanção de Lula, que historicamente apoiou as cooperativas. O "contorno" seria considerar resíduos de papel, plástico, vidro e metal e outros como "insumos estratégicos".
Segundo a Associação, o motivo para a importação é simples. É mais barato importar resíduos básicos do que investir em reciclagem no Brasil. Um levantamento da Abrema aponta que apenas 4% do lixo produzido no Brasil é reciclado.
Dados do Ministério das Cidades mostram que, em 2023, oitenta milhões de toneladas de lixo foram produzidos no país. A quantidade de resíduos é equivalente a cerca de 53 mil piscinas olímpicas lotadas.
O professor e coordenador do Centro de Desenvolvimento Socioambiental da ESPM, Marcus Nakagawa, explica que o "drible" na lei também impacta as famílias mais vulneráveis que têm a reciclagem como sustento.
"Todo o processo de importação poderia ser tanto investido em cooperativas quanto em educação de gestão de resíduos", afirma Nakagawa.
E completa:
"Materiais de fora para dentro acabam baixando os valores, acabam tirando a competitividade, os investimentos. Então, a lógica precisaria ser invertida para gerar impacto ambiental, social e econômico pro nosso país".
Lei que proibe importação de lixo no Brasil está ameaçada; entenda impacto social, ambiental e econômicoPara especialistas e representantes de setores de sustentabilidade, medida significa um retrocessoBrasil2025-04-17T20:14:26.314ZEntre 2023 e 2024, o Brasil importou quase R$ 2 bilhões de resíduos sólidos, conhecido popularmente como lixo. No período, mais de 70 mil toneladas de materiais como papel, plástico, vidro e alumínio foram comprados de outros países para virarem, principalmente, embalagens pela indústria recicladora. Os dados são da Associação Brasileira de Resíduos e Meio Ambiente (Abrema). No dia , o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alterou a lei e proibiu essa importação, com exceção de resíduos utilizados para a transformação de materiais e minerais estratégicos e de componentes para fabricantes de autopeças. A nova medida se tornou um símbolo para a reciclagem no país. Ela foi comemorada por especialistas em sustentabilidade, além de cooperativas e catadores do setor. No entanto, em menos de cinco meses, a mudança na lei já está sendo ameaçada pelo próprio governo federal. Nesta semana, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), liderado pelo ministro e vice-presidente Geraldo Alckmin, redigiu uma medida que busca driblar a sanção de Lula, que historicamente apoiou as cooperativas. O "contorno" seria considerar resíduos de papel, plástico, vidro e metal e outros como "insumos estratégicos". Segundo a Associação, o motivo para a importação é simples. É mais barato importar resíduos básicos do que investir em reciclagem no Brasil. Um levantamento da Abrema aponta que apenas 4% do lixo produzido no Brasil é reciclado. Dados do Ministério das Cidades mostram que, em 2023, oitenta milhões de toneladas de lixo foram produzidos no país. A quantidade de resíduos é equivalente a cerca de 53 mil piscinas olímpicas lotadas. O professor e coordenador do Centro de Desenvolvimento Socioambiental da ESPM, Marcus Nakagawa, explica que o "drible" na lei também impacta as famílias mais vulneráveis que têm a reciclagem como sustento. "Todo o processo de importação poderia ser tanto investido em cooperativas quanto em educação de gestão de resíduos", afirma Nakagawa. E completa:
"Materiais de fora para dentro acabam baixando os valores, acabam tirando a competitividade, os investimentos. Então, a lógica precisaria ser invertida para gerar impacto ambiental, social e econômico pro nosso país".São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/lei-que-proibe-importacao-de-lixo-no-brasil-esta-ameacada-entenda-impacto-social-ambiental-e-economico