Cerca de um terço dos cursos de medicina do país tiveram desempenho ruim no Enamed
Exame obrigatório foi aplicado em 2025 para avaliar a qualidade da formação médica no Brasil; cursos municipais e privados tiveram os piores resultados


Hariane Bittencourt
Quase um terço dos cursos de medicina ofertados no país tiveram desempenho ruim no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). O balanço foi divulgado nesta segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação (MEC).
Em outubro do ano passado, 351 cursos de medicina foram avaliados no exame que determina a qualidade da formação médica no Brasil. Dentre eles, 243 tiveram resultados satisfatórios, alcançando as faixas de 3 a 5 do conceito Enade.
Já outros 107 (30,7%) tiveram resultados ruins, obtendo as faixas 1 e 2 do conceito de avaliação. Um curso não atingiu a obrigatoriedade mínima e foi desclassificado.
Os piores desempenhos ficaram com os cursos de instituições de ensino superior municipais, que não fazem parte do Sistema Federal de Ensino, e algumas particulares. Mesmo assim, todos devem ser submetidos a sanções até que corrijam os problemas que levaram ao mau desempenho.
"Não estamos fazendo nenhuma caça às bruxas ou nenhuma crítica às instituições privadas. As instituições privadas são importantes nesse processo. Nós queremos, sim, que o aluno tenha acesso ao ensino superior privado. Mas queremos qualidade na oferta desses cursos. Essa é nossa preocupação maior", disse Camilo Santana, durante um café da manhã com jornalistas.
Antes que as sanções comecem a valer, as instituições terão 30 dias para apresentarem suas defesas. Entre as punições previstas estão a proibição do aumento de vagas, suspensão do ingresso nos cursos e suspensão do Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e de outros programas federais.
Articulação com o Congresso
Para que as instituições que ainda não fazem parte do Sistema Federal de Ensino também sejam alcançadas pelo MEC, o governo quer negociar com o Congresso Nacional a inclusão de todos os cursos. Isso pode ser feito via projeto de lei ou medida provisória.
"Vamos trabalhar eu, o Padilha [ministro da Saúde] através de uma discussão no Congresso Nacional para que a gente possa incluir a nota do aluno individual no diploma e também trabalharmos a possibilidade de o ministério regular os cursos a nível estaduais e municipais. Estamos muito preocupados com os municipais", afirmou o ministro.
Sobre o Enamed
O Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica é uma prova federal obrigatória para estudantes de medicina, criada pelo governo em abril de 2025, que também serve como porta de entrada para a residência médica.
O Enamed substituiu o antigo Enade para o curso de medicina e foi criado para ser aplicado anualmente, geralmente em outubro.









