Bolsonaristas ofendem memória de Marielle em ato no Rio
Durante atos opostos em frente à PUC-Rio, influenciador ironizou a morte da vereadora assassinada; familiares repudiaram as declarações
Caroline Vale
Influenciador ironiza assassinato de Marielle em ato político. | Reprodução/Redes sociais -- Bernardo Guerreiro/Mídia NINJA
Manifestações de apoiadores dos candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) provocaram uma confusão em frente à Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), na Gávea, na Zona Sul do Rio de Janeiro, na tarde dessa terça-feira (13). Durante o ato, bolsonaristas ofenderam a memória da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, enquanto manifestantes de esquerda gritavam “Marielle, presente”.
Em cima do carro de som, o influenciador Breno Faria, conhecido como “Café com Teu Pai”, fez comentários sobre a morte de Marielle Franco. Em vídeos que circulam nas redes sociais, ele disse que "Marielle está com papai do céu", e acrescentou, "ou está no colo do capeta". Em outro momento ele disse que "Marielle já foi, galera, não tá, Marielle está no céu".
Questionado sobre o assunto após a repercussão, o influenciador afirmou nas redes sociais que respondeu aos gritos dos manifestantes. Ele também declarou que, para ele, ódio é “gritar para não deixar outros falarem”, além de “atirar coisas e xingar pessoas”. Familiares da vereadora repudiaram as declarações (veja mais detalhes abaixo).
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A manifestação ocorreu um dia depois de a universidade anunciar a proibição de eventos político-partidários em suas dependências até o fim das eleições. A decisão foi tomada pela Vice-reitoria Comunitária após a instituição ser informada sobre a convocação dos atos.
Com a restrição, integrantes da Liga da Juventude Livre se concentraram, a partir das 11h, em frente à entrada da universidade, na Avenida Padre Leonel Franca. Apoiadores de Flávio Bolsonaro, em menor número, se reuniram em cima e ao redor do carro de som.
Depois, manifestantes favoráveis a Lula, que estavam nos pilotis de um dos prédios da instituição, também foram para a área externa e ocuparam o espaço próximo à entrada. Os grupos trocaram ofensas durante o ato.
A deputada federal eleita (2027–2031), Anielle Franco, irmã de Marielle, publicou um vídeo nas redes sociais em que criticou as manifestações e defendeu o respeito à memória da vereadora.
“A Mari, sim, infelizmente não está mais aqui. Mas ela não está mais aqui porque pessoas que acharam que podiam aniquilar seu corpo e suas ideias mataram a minha irmã. (...) Respeitem a memória de Marielle”, disse Anielle.
No pronunciamento, ela também destacou a relação da irmã com a universidade e lembrou a felicidade dela ao conquistar uma bolsa de estudos na instituição. Anielle afirmou que a defesa da democracia e da liberdade de expressão não deve servir de justificativa para ataques à memória de uma pessoa assassinada.
Na publicação, a ministra classificou ainda como inaceitável transformar o assassinato da irmã em instrumento de provocação política e disse que pedirá uma apuração do caso.
“O respeito à memória de quem foi brutalmente assassinada e à dor de sua família deve estar acima de qualquer disputa. Como irmã de Marielle e deputada eleita, não me calarei diante de manifestações dessa natureza. Cobrarei a devida apuração e a responsabilização cabível”, escreveu na legenda.
Luyara Franco, filha de Marielle, também publicou um vídeo nas redes sociais para criticar as provocações. Ela afirmou que zombar do assassinato da mãe não é opinião nem debate, mas violência política.
“Transformar o assassinato da minha mãe em motivo de deboche é desrespeitar sua história, sua família e a luta de tantas pessoas que seguem exigindo justiça”, declarou.
Na publicação, Luyara lembrou a trajetória acadêmica e política da mãe, formada em Ciências Sociais pela PUC-Rio, mestre em Administração Pública e defensora dos direitos humanos. O Instituto Marielle Franco também repudiou a fala e afirmou que zombar da morte de alguém não constitui debate.
Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram assassinados em março de 2018, quando o carro em que estavam foi atingido por disparos no Rio de Janeiro.
Em 2024, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, que confessaram os assassinatos, foram condenados. Também foram condenados Domingos Brazão, Chiquinho Brazão, Rivaldo Barbosa, Ronald de Paula e Robson Calixto, apontados no processo por diferentes participações no assassinato.
Marielle foi vereadora do Rio de Janeiro e se tornou uma referência na defesa dos direitos humanos.
Bolsonaristas ofendem memória de Marielle em ato no RioDurante atos opostos em frente à PUC-Rio, influenciador ironizou a morte da vereadora assassinada; familiares repudiaram as declaraçõesBrasil2026-10-14T12:43:49.927ZManifestações de apoiadores dos candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) provocaram uma confusão em frente à Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio), na Gávea, na Zona Sul do Rio de Janeiro, na tarde dessa terça-feira (13). Durante o ato, bolsonaristas ofenderam a memória da vereadora Marielle Franco, assassinada em 2018, enquanto manifestantes de esquerda gritavam “Marielle, presente”. Em cima do carro de som, o influenciador Breno Faria, conhecido como “Café com Teu Pai”, fez comentários sobre a morte de Marielle Franco. Em vídeos que circulam nas redes sociais, ele disse que "Marielle está com papai do céu", e acrescentou, "ou está no colo do capeta". Em outro momento ele disse que "Marielle já foi, galera, não tá, Marielle está no céu". Questionado sobre o assunto após a repercussão, o influenciador afirmou nas redes sociais que respondeu aos gritos dos manifestantes. Ele também declarou que, para ele, ódio é “gritar para não deixar outros falarem”, além de “atirar coisas e xingar pessoas”. Familiares da vereadora repudiaram as declarações (veja mais detalhes abaixo). A manifestação ocorreu um dia depois de a universidade anunciar a proibição de eventos político-partidários em suas dependências até o fim das eleições. A decisão foi tomada pela Vice-reitoria Comunitária após a instituição ser informada sobre a convocação dos atos. Com a restrição, integrantes da Liga da Juventude Livre se concentraram, a partir das 11h, em frente à entrada da universidade, na Avenida Padre Leonel Franca. Apoiadores de Flávio Bolsonaro, em menor número, se reuniram em cima e ao redor do carro de som. Depois, manifestantes favoráveis a Lula, que estavam nos pilotis de um dos prédios da instituição, também foram para a área externa e ocuparam o espaço próximo à entrada. Os grupos trocaram ofensas durante o ato. Anielle Franco cobra apuração A deputada federal eleita (2027–2031), Anielle Franco, irmã de Marielle, publicou um vídeo nas redes sociais em que criticou as manifestações e defendeu o respeito à memória da vereadora. “A Mari, sim, infelizmente não está mais aqui. Mas ela não está mais aqui porque pessoas que acharam que podiam aniquilar seu corpo e suas ideias mataram a minha irmã. (...) Respeitem a memória de Marielle”, disse Anielle. No pronunciamento, ela também destacou a relação da irmã com a universidade e lembrou a felicidade dela ao conquistar uma bolsa de estudos na instituição. Anielle afirmou que a defesa da democracia e da liberdade de expressão não deve servir de justificativa para ataques à memória de uma pessoa assassinada. Na publicação, a ministra classificou ainda como inaceitável transformar o assassinato da irmã em instrumento de provocação política e disse que pedirá uma apuração do caso. “O respeito à memória de quem foi brutalmente assassinada e à dor de sua família deve estar acima de qualquer disputa. Como irmã de Marielle e deputada eleita, não me calarei diante de manifestações dessa natureza. Cobrarei a devida apuração e a responsabilização cabível”, escreveu na legenda. Luyara Franco, filha de Marielle, também publicou um vídeo nas redes sociais para criticar as provocações. Ela afirmou que zombar do assassinato da mãe não é opinião nem debate, mas violência política. “Transformar o assassinato da minha mãe em motivo de deboche é desrespeitar sua história, sua família e a luta de tantas pessoas que seguem exigindo justiça”, declarou. Na publicação, Luyara lembrou a trajetória acadêmica e política da mãe, formada em Ciências Sociais pela PUC-Rio, mestre em Administração Pública e defensora dos direitos humanos. O Instituto Marielle Franco também repudiou a fala e afirmou que zombar da morte de alguém não constitui debate. Assassinato de Marielle Franco Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes foram assassinados em março de 2018, quando o carro em que estavam foi atingido por disparos no Rio de Janeiro. Em 2024, os ex-policiais militares Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, que confessaram os assassinatos, foram condenados. Também foram condenados Domingos Brazão, Chiquinho Brazão, Rivaldo Barbosa, Ronald de Paula e Robson Calixto, apontados no processo por diferentes participações no assassinato. Marielle foi vereadora do Rio de Janeiro e se tornou uma referência na defesa dos direitos humanos. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/bolsonaristas-ofendem-memoria-de-marielle-em-ato-no-rio
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