Abrasel prevê "tragédia socioeconômica" com fim da 6x1
Presidente da Abrasel alerta para falta de mão de obra, aumento dos preços e dificuldades para manter serviços após aprovação da proposta no Senado
Naiara Ribeiro
Bares e restaurantes | Reprodução Abrasel
O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, vê com pessimismo o fim da escala de trabalho 6x1, aprovado pelo Senado na quarta-feira (14). Em conversa com o SBT News nesta quinta-feira (15), ele classificou a mudança como uma possível "tragédia socioeconômica" e alertou que as consequências podem atingir empresas, trabalhadores e consumidores de diferentes setores.
"Vamos até torcer para que o nosso diagnóstico não esteja correto, mas é que a medida aprovada vai ser uma tragédia socioeconômica por diversas questões. Lembrando sempre que nenhum país do mundo ousou proibir a escala 6x1 em lei, porque isso amarra tudo, engessa tudo e prejudica e dificulta de maneira muito relevante a prestação de serviços essenciais", declarou.
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A proposta foi aprovada em dois turnos, por 75 votos a um. O texto acaba com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso e prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial.
Uma das principais preocupações de Solmucci é a falta de profissionais para manter os estabelecimentos em funcionamento. Ele estima que seriam necessárias cerca de 3 milhões de contratações para cobrir os dias adicionais de folga, embora o setor de bares e restaurantes já tenha aproximadamente 500 mil vagas abertas. "Evidentemente essa mão de obra não tá disponível e vai haver uma precarização. Restaurantes, por exemplo, que hoje fecham um dia por semana, terão eventualmente que fechar dois dias", afirmou.
Solmucci também teme que a disputa por funcionários prejudique os estabelecimentos menores, que teriam mais dificuldade para competir com empresas de maior porte. Além disso, estima que os custos com pessoal poderão subir cerca de 20%, com parte das despesas repassada aos consumidores.
Ele questiona se a manutenção dos salários será suficiente para preservar a renda dos trabalhadores diante de uma possível alta dos preços.
"Manter o salário é outra mentira, é outra falácia. Porque se a pessoa vai ganhar o mesmo tanto e trabalhar um dia menos, OK, só que os preços todos vão subir e o custo de vida subindo, o valor do dinheiro diminui e perde poder econômico, perde poder de compra. Quando o consumidor tá sem poder de compra, ele deixa de ir ao restaurante, ele deixa de viajar, ele deixa de ir na clínica médica e, portanto, a economia sofre", declarou.
Como alternativa às novas regras, Solmucci defendeu a contratação por hora, que, segundo ele, permitiria mais flexibilidade para empresas e trabalhadores. Ele afirmou que mantém diálogo com diferentes grupos políticos e citou integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que, segundo seu relato, prometeram encaminhar uma proposta de trabalho flexível caso o candidato seja eleito. "A promessa que eles têm nos dito é que eleitos eles encaminharão imediatamente a votação do trabalho flexível para que o trabalhador tenha uma opção", afirmou.
Solmucci também criticou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por acelerar a votação após defender uma discussão mais ampla sobre a proposta. "Ontem ele muda todo o rito, muda a regra do jogo para fazer uma aprovação assodada, claramente, né, dito, inclusive olhando pro calendário eleitoral da semana que vem e sem olhar pros interesses da sociedade", declarou.
Questionado sobre a possibilidade de adiamento da promulgação, Solmucci disse que não descarta essa hipótese. Ele lembrou que Alcolumbre já teria segurado outras propostas por até 90 dias, mas afirmou que não há como prever os próximos passos.
"Eu não sei dizer hoje, infelizmente o Brasil, a regra do jogo, ela não é suficiente para dar qualquer previsibilidade. Nós vivemos numa insegurança jurídica extraordinária", concluiu.
Abrasel prevê "tragédia socioeconômica" com fim da 6x1Presidente da Abrasel alerta para falta de mão de obra, aumento dos preços e dificuldades para manter serviços após aprovação da proposta no SenadoBrasil2026-10-15T14:05:48.579ZO presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, vê com pessimismo o, aprovado pelo Senado na quarta-feira (14). Em conversa com o SBT News nesta quinta-feira (15), ele classificou a mudança como uma possível "tragédia socioeconômica" e alertou que as consequências podem atingir empresas, trabalhadores e consumidores de diferentes setores. "Vamos até torcer para que o nosso diagnóstico não esteja correto, mas é que a medida aprovada vai ser uma tragédia socioeconômica por diversas questões. Lembrando sempre que nenhum país do mundo ousou proibir a escala 6x1 em lei, porque isso amarra tudo, engessa tudo e prejudica e dificulta de maneira muito relevante a prestação de serviços essenciais", declarou. 🤳Notícias em primeira mão: baixe nosso aplicativo gratuito e leve o jornalismo do SBT News com você, onde estiver! . A proposta foi aprovada em dois turnos, por 75 votos a um. O texto acaba com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso e prevê a redução gradual da jornada semanal de 44 para 40 horas, sem redução salarial. Uma das principais preocupações de Solmucci é a falta de profissionais para manter os estabelecimentos em funcionamento. Ele estima que seriam necessárias cerca de 3 milhões de contratações para cobrir os dias adicionais de folga, embora o setor de bares e restaurantes já tenha aproximadamente 500 mil vagas abertas. "Evidentemente essa mão de obra não tá disponível e vai haver uma precarização. Restaurantes, por exemplo, que hoje fecham um dia por semana, terão eventualmente que fechar dois dias", afirmou. Solmucci também teme que a disputa por funcionários prejudique os estabelecimentos menores, que teriam mais dificuldade para competir com empresas de maior porte. Além disso, estima que os custos com pessoal poderão subir cerca de 20%, com parte das despesas repassada aos consumidores. Ele questiona se a manutenção dos salários será suficiente para preservar a renda dos trabalhadores diante de uma possível alta dos preços. "Manter o salário é outra mentira, é outra falácia. Porque se a pessoa vai ganhar o mesmo tanto e trabalhar um dia menos, OK, só que os preços todos vão subir e o custo de vida subindo, o valor do dinheiro diminui e perde poder econômico, perde poder de compra. Quando o consumidor tá sem poder de compra, ele deixa de ir ao restaurante, ele deixa de viajar, ele deixa de ir na clínica médica e, portanto, a economia sofre", declarou. Trabalho flexível e críticas a Alcolumbre Como alternativa às novas regras, Solmucci defendeu a contratação por hora, que, segundo ele, permitiria mais flexibilidade para empresas e trabalhadores. Ele afirmou que mantém diálogo com diferentes grupos políticos e citou integrantes da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que, segundo seu relato, prometeram encaminhar uma proposta de trabalho flexível caso o candidato seja eleito. "A promessa que eles têm nos dito é que eleitos eles encaminharão imediatamente a votação do trabalho flexível para que o trabalhador tenha uma opção", afirmou. Solmucci também criticou o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), por acelerar a votação após defender uma discussão mais ampla sobre a proposta. "Ontem ele muda todo o rito, muda a regra do jogo para fazer uma aprovação assodada, claramente, né, dito, inclusive olhando pro calendário eleitoral da semana que vem e sem olhar pros interesses da sociedade", declarou. Questionado sobre a possibilidade de adiamento da promulgação, Solmucci disse que não descarta essa hipótese. Ele lembrou que Alcolumbre já teria segurado outras propostas por até 90 dias, mas afirmou que não há como prever os próximos passos. "Eu não sei dizer hoje, infelizmente o Brasil, a regra do jogo, ela não é suficiente para dar qualquer previsibilidade. Nós vivemos numa insegurança jurídica extraordinária", concluiu. São PauloSPSudestehttps://sbtnews.sbt.com.br/noticia/brasil/abrasel-preve-tragedia-socioeconomica-com-fim-da-6x1-1
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