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Campanha quer manter cartão de crédito sem limite de parcelas

Entidades do comércio e de direitos do consumidor lançam abaixo-assinado contra proposta do Banco Central

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Entidades do comércio, serviços e de direitos do consumidor lançaram nesta 3ª feira (21.nov), o abaixo-assinado virtual "www.parcelosim.com.br" em oposição à proposta do Banco Central de limitar em 12 vezes o parcelamento sem juros do cartão de crédito. As entidades argumentam que o parcelamento é a forma preferida do consumidor quando vai às compras. Uma pesquisa do Instituto Locomotiva mostrou que 90,8 milhões de brasileiros usaram o cartão de crédito para fazer compras parceladas em 2022.

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Para o Banco Central, o parcelamento ilimitado pode induzir o consumidor a gastar acima da capacidade financeira e o levar a cair nos juros rotativos do cartão, caso não consiga pagar as faturas até o vencimento.

A jornalista Mônica Costa conta que perdeu o controle por conta das facilidades proporcionadas pelo cartão. "A gente tende a acreditar, o sistema também nos leva a acreditar, que o cartão de crédito é uma extensão da sua renda", explica. "À medida que você tem um salário um pouco melhor, os bancos vão te oferecendo crédito. Sempre que você precisa de dinheiro, tem um cartão amigo pra atender as necessidades".

Mônica precisou vender um carro e usar a rescisão, ao deixar o emprego, para colocar as contas em dia. Hoje, ela tem apenas um cartão.  

De acordo com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), 66,8 milhões de pessoas estão inadimplentes no país. Quem entra no rotativo do cartão de crédito é obrigado a encarar taxas de juros superiores a 400% ao ano.

A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) é uma das entidades que pedem apoio ao abaixo-assinado. Paulo Solmucci, presidente da Abrasel, afirma ter um estudo mostrando que inadimplência é menor entre os que adquirem bens de forma parcelada e maior entre os que tentam pagar de uma vez. 

Segundo ele, a questão da inadimplência deve ser revolvida com educação financeira e não com restrições. O professor de Economia da Fundação Getúlio Vargas, Fábio Gallo, considera que a proposta do BC é educativa. "Do ponto de vista financeiro e de educação financeira, é positivo. Você está dizendo para o consumidor tomar cuidado com o número de parcelas".

A vendedora Maria Ieda Sales não tomou esse cuidado. Mal terminava de pagar um produto e já comprava outro no cartão de crédito. Foi assim com a geladeira, o fogão e a televisão. São três faturas por mês, que ela faz de tudo para quitar nas datas de vencimento e admite: "Essa loucura eu não faço mais".

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