Ao menos quatro milhões de brasileiros vivem em áreas de risco
Mais re 14 mil áreas de risco foram mapeadas pelo

Simone Queiroz
Pelo menos quatro milhões de brasileiros vivem em áreas de risco, como as que foram destruídas pelo temporal em São Sebastião, no litoral norte de São Paulo. Tragédia que -- para especialistas -- está longe de ser a última.
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Ma noite desta 3ª feira (21.fev), a chuva deixou mais uma vítima. Uma mulher morreu durante um deslizamento de terra em Mauá, na Grande São Paulo.
A área, no Jardim Zaíra, é uma das 14 mil mapeadas no país como de risco pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT). Com a forte chuva, a terra da encosta deslizou e atingiu uma casa, onde estava uma mulher. Ela foi soterrada e não resistiu.
A iminência dos desastres parece não abalar a confiança de quem tem o poder e o dever de cuidar do meio ambiente e das pessoas. O governo Jair Bolsonaro havia destinado R$ 600 milhões para prevenção e gestão de riscos agora em 2023. Há uma década, o orçamento era de R$ 11 bilhões.
O arquiteto e urbanista Anderson Nakano explica que as ocupações irregulares, que se transformam em tragédias anunciadas, retratam uma luta por espaço, que -- antes de tudo -- reflete as monumentais desigualdades da nossa população.
"Você trabalhar nas áreas ocupadas pelo trabalhador e pela trabalhadora de baixa renda muitas vezes não traz o apoio politico de classe média, de grupos com maior poder econômico, não dá voto, né? Não dá voto e também não dá prestígio", diz o especialista.
Raciocínio que pode explicar tanta omissão agora. Omissão é a palavra usada pelo procurador-geral de Justiça do estado de São Paulo, Mário Sarrubo, para descrever a tragédia em São Sebastião. O Ministério Público abriu 40 ações judiciais em cinco anos e cobrou da prefeitura a retirada das casas em áreas perigosas.
Além do litoral norte, o IPT aponta áreas de risco na Baixada Santista, trecho serrano do Vale do Paraíba e região metropolitana da capital.
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