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Polícia

Um em cada 10 presos no Rio responde por violência doméstica, diz MP

Estudo mostra mais de 700 detenções em dois meses e revela alta reincidência entre agressores

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Um levantamento inédito do Ministério Público do Rio de Janeiro mostra que, em apenas três meses, um em cada 10 homens presos no estado foi detido por violência doméstica. Os números evidenciam o tamanho do problema e a urgência de uma resposta rigorosa da Justiça.

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São abusos que acontecem dentro de casa e quase sempre se repetem. Maiara Rodrigues foi vítima do próprio pai.

“Eu fui vítima de violência doméstica na minha infância e durante a minha adolescência. [...] Eu percebi que os carinhos eram diferentes, os julgamentos eram muito pesados, os apontamentos eram muito grandes e a cobrança dentro de mim era muito alta”, contou a maquiadora Maiara Rodrigues.

O levantamento do Ministério Público também mostrou o impacto da violência contra a mulher no sistema prisional e a resposta da Justiça nesses casos.

De cada dez homens presos no Rio de Janeiro, um tem histórico de violência doméstica. Entre abril e maio deste ano, 741 foram detidos. Em 95,5% dos casos, a prisão foi mantida nas audiências de custódia.

Além disso, mais da metade (58,8%) era reincidente nesse tipo de crime. Um exemplo é o de um homem preso 13 vezes por violência doméstica em Magé, na Baixada Fluminense. Na última quinta-feira, ele foi novamente detido em flagrante por descumprimento de medidas protetivas.

Outro levantamento, do Conselho Nacional de Justiça, mostrou que, em 2024, foram ajuizadas 966.785 novas denúncias de violência contra a mulher em todo o país. No mesmo período, 582.105 medidas protetivas foram concedidas e 143.247 foram renovadas.

Para enfrentar a vulnerabilidade das mulheres, programas de autodefesa têm sido promovidos como forma de prevenir a ação de agressores.

“Muitas chegam em situação de vulnerabilidade, enfrentando dependência financeira e às vezes até mesmo emocional. O que todas têm em comum é a busca por acolhimento, fortalecimento e uma rede de apoio que as ajude a romper com o ciclo da violência”, afirmou Érica Paes, coordenadora do programa Empoderadas.

Especialistas alertam que o problema vai além da agressão física: trata-se de um ciclo de controle e punição que pode começar com pequenas ameaças e terminar em tragédia.

“A ideia de repetição está muito ligada à ideia de castigo, e a ideia de castigo ligada à ideia de chefia, de obediência. Então, é fundamental que as relações humanas, e as relações entre homens e mulheres, se construam na base da ideia de complementariedade, igualdade nas diferenças e não de subordinação”, destacou a socióloga Jacqueline Pitanguy.
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