Rosto de criança negra é tatuado em desconhecido sem autorização
Imagem tirada por fotógrafo viralizou pela beleza e pessoa branca tatuou menor sem sequer conhecer ou ter permissão dos pais

Tatuagem de rosto de criança negra em pele de pessoa branca
Com que direito uma pessoa branca pode tatuar o rosto de uma criança negra que sequer conhece pessoalmente, como que apenas um elemento figurativo? Esse é o questionamento pertinente que veio à tona após um tatuador aplicar a foto de um menor em uma outra pessoa, sem a permissão ou consentimento dos pais e do fotógrafo.
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O caso ganhou repercussão após o tatuador ganhar um prêmio por conta do desenho feito. O fotógrafo Ronald Santos Cruz e a mãe de Ayo, o menino retratado, denunciaram a situação. A família da criança quer que a tatuagem seja removida, mas ainda não encontrou a pessoa que foi tatuada.
"Ele simplesmente não respeitou o corpo do meu filho, desrespeitou a dignidade do meu filho enquanto criança. Me desrespeitou como mãe, desrespeitou o pai de Ayo e toda a família. Eu exijo, judicialmente, que se retire a tatuagem do corpo desse homem estranho, do corpo desse homem que sequer conhece meu filho", desabafou a empresária e mãe de Ayo, Preta Lagbara.
Para além da questão judicial envolvendo as autorizações sobre uso de imagem e a óbvia permissão dos pais, há a particularidade da religião. Candomblecista, Preta Lagbara considera a situação "sensível", já que o tatuado, ao morrer, levará a foto da criança consigo no corpo.
Nas redes sociais, a empresária também levantou outra questão: caso a pessoa branca tatuada cometa um crime, a vítima certamente vai usar a tatuagem para identificar o suspeito. Vai usar o rosto de uma criança.
A foto tirada por Ronald Santos Cruz foi publicada nas redes sociais do fotógrafo, repercutindo por conta da beleza da criança. Ele afirmou que não recebeu nenhuma solicitação para que a imagem fosse reproduzida. O caso também levantou o debate sobre a reprodução de fotos publicadas na internet e seu uso indiscriminado por outras pessoas.
O tatuador Neto Coutinho se pronunciou por meio de nota e pediu "profundo pedido de desculpas, principalmente aos pais, familiares e a própria criança". Coutinho também afirmou que não tinha informações acerca da imagem, "reconhecendo o equívoco", mas que "não quis trazer prejuízos". Ele se colocou à disposição para resolver a situação com o fotógrafo e os familiares da criança tatuada. Segundo Lagbara, até o momento da entrevista, Coutinho não respondeu nenhuma mensagem.
No entanto, a pessoa branca que escolheu, sem autorização, a imagem de uma criança preta que sequer conhece pessoalmente, segue com a imagem gravada na pele.
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