Lideranças políticas fazem ato pró-democracia e com críticas a Bolsonaro
Evento em São Paulo reuniu 16 partidos e teve objetivo de representar "construção de frente ampla"
SBT News
Lideranças políticas deram início em São Paulo, na noite desta 4ª feira (15.set), ao II Ato Internacional - Em Vigília Pela Democracia Brasileira, com falas de apoio ao regime democrático e críticas ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Organizado pelo Direitos Já! Fórum pela Democracia, o evento contará com a participação não só de integrantes de 16 partidos, mas também de artistas -- entre os quais os da banda Titãs e o cantor Gilberto Gil --, intelectuais -- como o sociólogo Noam Chomsky --, os ex-ministros das Relações Exteriores Aloysio Nunes e Celso Amorim, e os ex-presidentes Julio María Sanguinetti, do Uruguai, e Ricardo Lagos, do Chile, entre outros.
Manifestações de diferentes entidades, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST), a Confederação das Mulheres do Brasil e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), também são aguardadas. Segundo o coordenador do Direitos Já!, Fernando Guimarães, serão mais de 30 horas de transmissão e o evento terá duas partes. A primeira, nesta noite, diz ele, "representa essa construção de frente ampla pela democracia". Já a segunda está agendada para as 14h de sábado (18.set).
O começo do evento foi marcado para esta 4ª feira devido à celebração do Dia Internacional da Democracia, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2007. Após apresentar o ato, Fernando Guimarães leu um manifesto elaborado para a ocasião. "Não há meias palavras para relatar o que ocorre hoje no Brasil. A democracia está sob ataque e risco", começa o texto.
Em outro trecho, pontua: "Não há saída possível que não a interrumpção definitiva desse ciclo autoritário e o momento atual é gravíssimo e crucial. Grave porque a artilharia contra a democracia e as instituições democráticas no Brasil parte de quem deveria defendê-la. Do governo central, do presidente Jair Messias Bolsonaro e do seu gabinete ministerial". Ainda segundo o manifesto, "Bolsonaro, como [Donald] Trump [ex-presidente dos Estados Unidos], se arma da manipulação de parcela considerável da população. Propaga com método e profissionalismo notícias falsas para tentar deslegitimar o sistema eleitoral brasileiro, recohecido como um dos mais eficientes e transparentes do planeta".
O combate à pandemia, a relação com as Forças Armadas, as ações sobre o meio ambiente, e o tratamento dado à economia e à cultura, como feitos pelo Governo Federal, também são criticados. Depois da leitura, foram transmitidos vídeos com mensagens de Dom Mauro Morelli, bispo emérito da diocese de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, e do governador do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB). "A democracia é fundamentada em um pacto social realizado entre as diferenças de um país para garantir igualdades de direitos, de oportunidades, para todas as pessoas que vivem nesse país", afirmou o primeiro.
Já o segundo disse que "estamos vivendo ameaças às intituições". "Não creio em rupturas institucionais, mas as ameças às instituições deixam o ambiente totalmente instável nas relações institucionais e não aponta para uma solução de problema ou de soluções de problemas que o Brasil hoje enfrenta", completou. Um texto enviado pelo ex-ministro da Saúde Luiz Henrique Mandetta e declarações de representates do Solidariedade, Cidadania, Movimento Democrático Brasileiro (MDB) e do Partido dos Trabalhadores (PT) também foram registrados.
Nas palavras de Mandetta, "a independência e a harmonia dos poderes constituem um pilar da nossa democracia". No palco do evento, representando o MDB, o ex-prefeito de Rio Claro (SP) Du Altimari, por sua vez, disse estar satisfeito que "os democratas brasileiros estão unidos mais uma vez e o MDB de, cada vez mais, colocando sua posição nessa defesa, sempre lembrando, para finalizar, a palavra do nosso Ulysses Guimarães: 'Nojo e ódio à ditadura'.
Já o presidente municipal do PT de São Paulo, Laércio Riberio, pediu união até a remoção de Bolsonaro da presidência. Em determinado momento, Fernando Guimarães chegou a falar que "do ponto de vista moral, cada dia do governo Bolsonaro é um dia de crime de responsabilidade. Talvez o maior deles seja o genocídio". Ainda de acordo com com o ativista, no dia 7 de setembro, o presidente "rasgou a Constituição que ele jurou". Outro evento, nesta 4ª feira, trouxe três ex-presidentes da República discutindo a crise institucional brasileira e a democracia.
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