Economia

Incerteza da guerra coloca em risco ciclo de cortes nos juros, diz BC

Ata do Copom cita ainda incertezas na política externa que podem pressionar a inflação; Selic está em 14,5% após corte de 0,25 p.p. na semana passada

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Prédio do Banco Central, em Brasília | Leandro Fonseca/Exame

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central disse nesta terça-feira (5) que a manutenção do ciclo de cortes na taxa básica de juros depende do cenário da guerra no Irã, que se estende desde o final de fevereiro.

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A avaliação foi publicada na ata do Copom referente à reunião de 28 e 29 de abril, que reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14,75% para 14,50%. Foi o segundo corte consecutivo dos juros pelo comitê.

“As expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes, que seguiam em trajetória de declínio, subiram após o início dos conflitos no Oriente Médio, permanecendo acima da meta de inflação em todos os horizontes. Desde a reunião anterior ficou evidente uma desancoragem adicional das expectativas de inflação para horizontes mais longos, em particular para o ano de 2028", diz a ata.

Dentre as incertezas globais para a definição do ciclo de calibração, os diretores citaram a política econômica dos Estados Unidos. O Federal Reserve manteve os juros no intervalo de 3,5% a 3,75% por causa da inflação acima da meta, o que pode exigir cautela do BC.

Já no cenário interno, a análise é de que os indicadores apresentaram os resultados esperados, mesmo que a previsão para inflação para este e o próximo ano sigam acima do teto da meta.

“A atividade econômica doméstica manteve trajetória de moderação no crescimento, tal como antecipado pelo Comitê”, lê-se no documento.

Apesar disso, o BC avalia que os riscos para o IPCA ainda estão elevados por causa do prolongamento dos conflitos no Oriente Médio. Um dos impactos citados é a restrição da oferta de petróleo, que pressiona os preços dos combustíveis no Brasil.

A expectativa do mercado é que o ciclo de cortes nos juros persista até o final do ano e leve a Selic a 13%. A previsão foi mantida no Boletim Focus publicado ontem (4).

A inflação foi o único dos índices a ter sua perspectiva elevada. Os agentes do mercado financeiro esperam que o IPCA feche 2026 em 4,89%. Há um mês, a previsão era de 4,36%, abaixo do teto da meta de 4,50%.

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