Oposição decide liberar bancadas na votação da 6x1
PL, PP e Republicanos recuam de estratégia para barrar proposta no Senado; campanha avalia que resistência poderia prejudicar popularidade de Flávio Bolsonaro

Oposição libera bancadas na votação da 6 x 1 | Divulgação
Os principais partidos de oposição ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiram liberar suas bancadas no Senado para a votação da proposta de emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6x1.
Lideranças do PL, PP e Republicanos discutiram nos últimos dias a possibilidade de organizar uma resistência à proposta, incluindo estratégias de obstrução da sessão e abstenção na votação. A articulação, no entanto, encontrou dificuldades dentro dos próprios partidos.
Senadores das três legendas sinalizaram que pretendem votar favoravelmente à redução da jornada de trabalho, o que dificultou a construção de uma posição conjunta da oposição.
Além da resistência interna, pesou na decisão o cálculo eleitoral da campanha de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que disputa a Presidência da República contra Lula. Na avaliação de integrantes da campanha, uma ofensiva da oposição contra o fim da escala 6x1 poderia provocar desgaste na imagem do candidato e afetar sua popularidade na reta final do segundo turno.
O entendimento é que, diante do apoio popular à redução da jornada, uma tentativa de barrar a proposta poderia ser explorada politicamente pela campanha de Lula, mesmo que a oposição justificasse a resistência com argumentos sobre os impactos econômicos para as empresas.
A decisão de liberar as bancadas já vinha sendo discutida e ganhou mais força nesta terça-feira (13), após Flávio anunciar publicamente que votará a favor da mudança constitucional.
“A maioria dos trabalhadores brasileiros querem o fim da 6x1, então vou votar a favor”, declarou o senador.
O posicionamento do presidenciável praticamente encerrou as discussões sobre uma eventual ofensiva da oposição para impedir o avanço da PEC.
Flávio, no entanto, defendeu que o governo apresente medidas para compensar as perdas que a redução da jornada poderá provocar nas empresas.
Na avaliação de senadores bolsonaristas, a defesa de compensações ao setor produtivo oferece um argumento para que parlamentares apoiem a proposta sem abandonar as críticas aos possíveis impactos econômicos da medida.
Com a liberação das bancadas, a tendência é que os senadores de oposição votem de acordo com suas posições individuais, sem uma articulação partidária para obstruir a sessão.
























